Rotina de uma Família de 7 (em ensino doméstico)

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no fundo um brinquedo de criança de madeira com os números e argolas de cores neutras encontra-se desfocado. Menino sentado com cerca de 3 anos (não se vê a cabeça) tem meias azuis claras, calça larga castanha as riscas e camisa branca com animais desenhados em cores neutras. O menino acabou de empurrar uma linha de dominós em madeira que está a cair.

Nunca tive hábitos rotineiros e não considerava a rotina relevante para o sucesso pessoal e familiar.

Tudo mudou quando fui grávida de primeira viagem e comecei meu estudo sobre parentalidade. Deparei-me logo com a evidência: a rotina é essencial para a vida familiar.

Então, decidimos aplica-la desde o início e pela experiência posso dizer que os benefícios são infindáveis: potencializa o tempo de cada membro da família, promove a harmonia no lar, capacita a cognição e o foco das crianças (e dos adultos) – maior sucesso académico, reduz os níveis de estresse, fortalece o vínculo afetivo familiar, entre muitos outros que fomos descobrindo com o tempo.

Nossa rotina percorreu um longo caminho desde a vida de filho único à vida no campo com cinco filhos em ensino doméstico, mas a base manteve-se. Esta base foi construída com estudo, experiência, erros e acertos e sob esta estrutura fomos (e vamos) moldando as nossas decisões consoante às necessidades familiares – tendo em consideração os objetivos e as peculiaridades de cada membro familiar naquele período de tempo –  e considerando, claro, a quebra da rotina, igualmente essencial para a fluidez saudável do nosso cotidiano.

Partilho então, a nossa rotina atual como família com cinco filhos em ensino doméstico:

Acordo antes das crianças para ter o meu tempo de preparação para o dia . Não que eu seja uma  morning person, pelo contrário, mas as forças das circunstâncias trouxeram-me para este lado da vida (os benefícios que retiro desde hábito não têm preço). Abdicar deste tempo é passar o dia fugindo da bola de neve, em resoluções de urgências atrás de urgências.

6:00 – Levantar instantaneamente, evitando pensar muito.

Se hesito, logo encontro uma interminável lista de motivos para ficar na cama. O segredo está em pensar e planear previamente e, no momento, agir – obedecendo nossas prévias decisões.

Desta forma, não caímos nos engodos momentâneos que tantas vezes tramam nossos projetos futuros.

Utilizo este tempo para orar e meditar (pode ser utilizado para ler ou escrever) e pratico exercício logo a seguir.

7:15 – As crianças começam a acordar, uma a uma, cada uma a seu tempo.

8:00 – Pequeno almoço.

8:30 – Preparação matinal.

Visto a mais nova (de dois anos). Cada criança arruma a sua própria cama e veste-se sozinha (a partir dos 4 anos). Ficamos todos arranjados para começar o dia mas antes, há sempre um tempo para brincadeira.

9:00 – As filhas mais velhas começam o estudo.

Alinho as matérias que se vão dedicar a cada dia, reservando uma atenção especial individualmente ao longo da manhã. Elas estudam durante durante 20 à 30 minutos de cada vez com um intervalo a intercalar.

A prioridade matinal é o estudo mas, toda mãe é multitasking (naturalmente ou, mais uma vez, pela força da circunstância) e se não há tempo, arranjamos para ainda dar atenção aos filhos mais novos, organizar a roupa da casa e preparar o almoço. 

12:00 – Almoço.

As meninas põem a mesa, às vezes os menores me “ajudam” a preparar o almoço ou a tirar a loiça da máquina.

A minha capacidade de gestão neste momento do dia é sempre posta à prova. Ao longo dos anos notei que o truque é focar no essencial e tentar desfrutar de cada momento. Ajudou-nos termos tentado incluí-los nos afazeres de casa desde cedo. Potencializou o desenvolvimento dos meus filhos, a sua autonomia, confiança, foco, entre muitos outros benefícios que vão brotando. E claro, sem contar com a harmonia da nossa rotina.

Almoçamos todos juntos em família.

É inegociável alguém comer sozinho ou com a companhia de alguma tela/jornal. Durante o almoço, desfocamos do que ficou por fazer ou o que ainda precisa ser feito. Tentamos que o ambiente seja agradável e que estejamos verdadeiramente presentes e disponíveis uns para os outros.

Logo a seguir, todos ajudam um pouco e logo correm para o quintal. Eles brincam enquanto finalizo a cozinha.

13:30 – Os mais novos vão dormir.

Durante este tempo, as mais velhas ficam no momento da leitura ou noutra atividade calma e silenciosa. Neste momento (e à noite), a casa está silenciosa. Respeitamos o descanso dos mais novos e permitimos à nossa mente um momento sem ruídos.

Reservo este espaço também para mim: uma pequena pausa no meio do dia para um café tranquilo, um momento de leitura, um banho de sol ou simplesmente conversas com outras pessoas.

É para mim, imprescindível retirar desta pausa algum prazer para descansar a alma.

14:00 – Voltamos ao estudo.

Desta vez mais leve. Reservo para aqui as atividades mais artísticas, lúdicas, trabalhos no exterior ou musicais, deixando livre para cada um explorar os seus interesses.

15:00 – Acabaram-se os estudos, os pequenos acordam.

15:30 – Lanche

Para as mais velhas o lanche é, muitas vezes, na escola local com os colegas (quando vão atendem às atividade extra curricular AEC’s)

16:00 – Saem com o pai para o exterior

Dependendo do dia, as crianças atendem às aulas de ténis ou às atividade no campo de desporto. Quando não vou com eles, aproveito para focar-me na organização da casa, outros trabalhos pendentes, pequenos compromissos.

19:00/19:30 – Jantar.

E logo a seguir temos o momento de leitura para as crianças, conversas, jogos interativos, entre outras atividades que envolva quase todos e que seja uma ponte para repousar o corpo e transitar para o descanso.

20:00 – Subo com as crianças para o banho e higiene.

Depois, religiosamente, temos nosso momento de gratidão, onde damos espaço para agradecer as pequenas e grandes graças que recebemos ao longo do dia. Lembramos se alguém precisa de alguma atenção especial – disponibilizo-me para conversas individuais que sejam necessárias. Oramos e com um beijo deixo-os na cama para dormirem.

Com a mais nova, enquanto a embalo, canto uma música calma e deixo-a no berço com um beijo de boa noite e, assim como fazemos com os irmãos, ela adormece sozinha no seu berço.

Conclusão

 

Agora, temos colhido inúmeros frutos ao seguir esta rotina. Um deles é ter tempo para nós depois que as crianças dormem. Como descansam às 20:30, reservamos este tempo da noite para nós

Também colhemos diariamente o fruto da autonomia das crianças. Não só os capacitar para a vida e permite que se desenvolvam com maior confiança, como também proporciona uma harmonia preciosa no cotidiano familiar.

Para este efeito, incentivamos nas crianças simples capacidades como: vestirem-se sozinhos (deixo a muda de roupa separada), depositar a roupa suja no cesto, dobrar a roupa limpa, dispor a mesa, retirar a mesa, deixar seus brinquedos arrumados, calçar e guardar os próprios sapatos, vestir e guardar o casaco no local correto, guardar a lancheira da escola, escovar os dentes, pentear o cabelo, ir ao mercadinho local comprar pequenos items, fazer a própria cama (vai aprimorando conforme vão crescendo), entre outras atividades. Aconselhamos vivamente o incentivo (sem pressão ou ansiedadade, antes, entusiasmo) dos pais aos filhos no cumprimento destas pequenas tarefas cotidianas desde cedo para que se transforme num hábito adquirido, tornando-se leve e automático.

Em conclusão, depois de pesquisa mas sobretudo de experiência, constatamos que, realmente, a rotina é essencial. Não só para a harmonia familiar, como também para atingir os objetivos de cada membro familiar. 

O benefício abrange todos e cada um.

mulher com o cabelo castanho escuro com cumprimento médio, vestida de amarelo com brincos compridos amarelos, corrente dourada sob o fundo neutro (muro bege texturizado). Ela sorri, contente.

Escrito por

Mariana Ribeiro

Mãe de cinco filhos em ensino doméstico. Apaixonada por filosofia, psicologia e educação. Estuda e escreve sobre família e desenvolvimento humano. @Marianaparaizoribeiro

Artigo escrito por

Mariana Ribeiro

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