Parte II: Dicas de Arquiteta para deixar sua casa mais segura para os bebês.

Confira a Parte II da entrevista com a arquiteta portuguesa Marta Calvinho, que mora em Lisboa há 4 anos, formada na Universidade Lusíada de Lisboa e no Art Institute of Chicago, que é dona do seu próprio negócio desde 2021.

Sempre que pensamos em planejamento familiar, é necessário listar todos os recursos disponíveis e tudo que precisa de alguma modificação para deixar a chegada da criança mais tranquila e organizada, especialmente, sobre os cômodos da casa.

Dentre as coisas que precisam estar bem definidas, estão as adaptações e pequenos consertos na casa a fim de deixar sua infraestrutura e áreas de circulação mais seguras e transitáveis.

A casa precisa de melhorias na rede elétrica para suportar novos aparelhos, como aquecedores ou babás eletrônicas?

Apartamento antigo: no nosso apartamento antigo, tínhamos uma instalação elétrica obsoleta que não aguentava vários aquecedores ligados simultaneamente.

Para quem vive em edifícios antigos, é essencial verificar o quadro elétrico e a cablagem antes de adquirir novos equipamentos (babás eletrónicas, esterilizadores, aquecedores de água para biberões etc.).

Nós até chegamos a queimar o nosso sistema, porque foi muito sobrecarregado. Em um caso assim, é necessário um eletricista reforçar o quadro ou trocar cabos para evitar sobrecargas.

Apartamento moderno: agora já não temos grandes preocupações, pois a construção é recente e o sistema elétrico está dimensionado para suportar mais aparelhos.

Mesmo assim, nunca é demais confirmar se há tomadas e disjuntores suficientes, sobretudo para equipamentos de alto consumo energético.

O sistema hidráulico atual é suficiente para suportar o aumento de demanda com o bebê (ex.: aquecedores de água, banheiras)?

Apartamento antigo: nossa canalização era antiga e tinham pouca pressão. A sugestão é instalar uma caldeira maior ou um termoacumulador para banhos mais frequentes, convém contudo verificar se a canalização aguenta o a pressão extra.

Apartamento moderno: normalmente, as construções mais recentes já estão preparadas para maior fluxo de água e uso simultâneo de duches ou banheiras.

Se planeja instalar algo específico (por exemplo, banheira de bebé com água aquecida ou até um esquentador mais potente), é bom confirmar com um canalizador se a instalação é compatível.

Há possibilidade de incluir um espaço coberto próximo à entrada da casa para proteger o carrinho do bebê ou outros itens?

Apartamento antigo: não tínhamos elevador nem hall de entrada amplo, pelo que deixávamos o carrinho no rés-do-chão (quando possível) ou no carro. Muitos prédios antigos não dispõem de uma área comum grande e as regras de condomínio podem não permitir estacionar carrinhos nos corredores.

Apartamento moderno: em prédios mais recentes, costuma haver arrecadações ou boxes na garagem onde se pode guardar o carrinho. Se for uma moradia ou um duplex com entrada direta, ter um pequeno alpendre ou área coberta facilita muito o dia a dia, evitando levar sempre o carrinho para dentro.

Como adaptar as janelas da casa para garantir a segurança do bebê, sem comprometer a ventilação e a iluminação?

Soluções gerais:

  1. Limitadores de abertura: para que a janela só abra parcialmente.

  2. Rede ou grade de proteção: importante se o parapeito for baixo ou se houver risco de queda.

  3. Afastar móveis: evitar que o bebé suba a cadeiras ou cómodas encostadas à janela.

A casa está preparada para um crescimento futuro da família, ou seria necessário planejar uma expansão agora?

Apartamento antigo: tinha poucas divisões, sem grande margem para criar um quarto extra. Antes da minha filha nascer, o quarto dela era um escritório que foi adaptado para berçário, mas era um pouco pequeno. Se quiséssemos aumentar a família, seria complicado permanecer naquele espaço.

Apartamento moderno: com mais espaço é mais fácil considerar a possibilidade de transformar um escritório, uma sala extra, ou um espaço desaproveitado, em mais um quarto, se for preciso.

Caso se planeje ter filhos, é sempre bom analisar o espaço e começar a pensar em adaptar já algum compartimento, ou verificar se há espaço suficiente para futuras alterações.

Quais adaptações podem ser feitas para melhorar a eficiência energética da casa com a chegada do bebê (ex.: painéis solares, janelas eficientes)?

Apartamento antigo: painéis solares podem não ser viáveis num prédio antigo (falta de espaço no telhado, regulamentos do condomínio). Investir em pequenas melhorias já faz diferença no consumo de energia, como:

  • vedar frestas de janelas;

  • instalar lâmpadas LED;

  • usar tomadas inteligentes.

Apartamento moderno: nosso novo apartamento tem painéis solares fotovoltaicos e sistemas de aquecimento de água por energia solar. Além disso, janelas com corte térmico e vidros duplos/triplos que aumentam bastante o conforto e reduzem a conta de eletricidade.

Com um bebé, há mais lavagens de roupa, mais necessidade de aquecer ou arrefecer o espaço, por isso qualquer otimização energética é bem-vinda.

Imagem de projeto arquitetônico, de uma area externa, com paredes cinzas com banco de madeira de esrtutura fixa na parede para seis pessoas, com almofadas coloridas. Mesa cinza para dez pessoas.
Projeto Calvinho & Partners.

É necessário revisar ou reforçar a estrutura do telhado, ou do forro, especialmente em áreas onde o bebê passará mais tempo?

Apartamento antigo: nós vivíamos no último andar, o que piorava a situação (existiam muitas infiltrações, problemas na cobertura com humidade e mofo.

Tivemos também que pedir para isolar melhor o sótão, porque o calor escapava todo. Surpresas! Em geral, apartamentos no último andar tem sempre problemas e é melhor evitar.

Apartamento moderno: no nosso novo apartamento, estámos no primeiro andar e não tivemos problemas nenhum com o telhado.

Como garantir que a casa esteja segura contra infiltrações ou mofo, que podem ser prejudiciais à saúde do bebê?

Apartamento antigo: no nosso apartamento antigo, usávamos um desumidificador 24/7r em divisões problemáticas e pintámos a parede com tintas anti-fungos para travar o aparecimento de bolor.

Apartamento moderno: apesar de geralmente ter melhor isolamento, problemas de infiltração podem ocorrer na ligação entre as janelas e as paredes ou em varandas mal impermeabilizadas.

A ventilação diária (abrir janelas para circular ar) e uma manutenção regular (reparar selagens, eventuais rachas) são fundamentais para prevenir humidade.

Gostou dessas dicas? Aproveite as outras sugestões da arquiteta Marta Calvinho na Parte I dessa entrevista.

Mulher branca de óculos com sua filha pequena no colo em um local aberto e gramado.

Arquiteta

Marta Calvinho

Conheça o estúdio de Arquitetura Calvinho & Partners. Marta estudou na Universidade Lusíada de Lisboa, na Art Institute of Chicago e trabalhou em diferente lugares do mundo. Siga para conhecer o portfólio.

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabi Sucupira

Carioca apaixonada pelas Letras, mãe da Rebeca, empreendedora e especialista em Marketing.

Casa Segura para Bebês: Dicas de Arquiteta

As mães e pais de primeira viagem precisam passam por diversas mudanças com a chegada do novo membro à família. Dentre elas, as adaptações na casa e no futuro quarto do bebê.

Os especialistas explicam que é essencial fazer um planejamento estrutural e funcional da residência, priorizando a segurança e o bem-estar de todos, cuidadores e crianças, a cada troca de fralda, preparo de mamadeira, idas de um cômodo ao outro para dar banho ou colocar o bebê para dormir.

Para entender melhor a parte prática dessas mudanças, entrevistamos a arquiteta Marta Calvinho, portuguesa que retornou para Lisboa há 4 anos, formada na Universidade Lusíada de Lisboa e no Art Institute of Chicago que é dona do seu próprio negócio desde 2021.

Ela usou sua expertise profissional e a experiência prática como mãe que precisou adaptar sua casa, divididas em Partes I e II para nos explicar um pouco sobre algumas das mudanças necessárias para deixar cada tipo de imóvel, antigo ou mais novo, mais funcional nos primeiros meses depois do nascimento do bebê. 

Confira as dicas valiosas nessa Parte I desse guia.

A estrutura atual da casa suporta uma reforma para criar um quarto adicional para o bebê?

No meu caso, quando vivia num apartamento antigo, não havia grandes condições para realizar obras.  Edifícios antigos geralmente têm muitas paredes estruturais difíceis de remover, instalações eléctricas antigas e limitações de condomínio. 

Um engenheiro ou arquitecto pode, porém, avaliar se é viável unir ou dividir divisões, desde que isso não ponha em causa a estabilidade do edifício – para isso é preciso analisar as plantas estruturais.

Agora que vivo em um apartamento moderno, poderá haver mais possibilidades de alterações, mas também menos necessidade. Mesmo assim, qualquer alteração estrutural deve ser aprovada tecnicamente. 

Se for preciso criar um novo quarto, convém perceber se há paredes mestras, se a instalação eléctrica suporta mais pontos de luz ou aquecedores. 

É possível ampliar algum cômodo ou construir um novo espaço sem comprometer a estabilidade da casa?

Em apartamentos antigos, costuma ser mais complicado ampliar divisões, pois não se pode mexer livremente na estrutura ou na fachada. Na minha experiência, acabámos por optimizar o espaço disponível, em vez de tentar criar novas áreas.

Em um apartamento moderno, dependendo do projecto e das regras do condomínio, por vezes é possível fechar uma varanda, tendo em conta que se for uma antiga varanda tem que ser bem isolado para garantir conforto ao bebé, ou criar um vão para integrar duas divisões. 

Mesmo assim, cada situação é única e pode até ser necessário aprovação da câmara e um estudo técnico de viabilidade.

Menina pequena de cabelos loiro usando vestido amarelo segurando na grade da janela.

Como garantir que a ventilação e a iluminação natural do quarto do bebê sejam adequadas?

Em um apartamento antigo:

  • Ventilação: Manter janelas fechadas quando estiver muito frio, mas abri-las durante algumas horas de sol para renovar o ar e deixar entrar calor natural. No verão, o recomendado é deixar janelas abertas durante o dia para renovar o ar e baixar a temperatura. E em caso de umidade, é necessário um desumidificador – isto também ajuda com a qualidade do ar. 
  • Iluminação: Em caso de janelas mais pequenas, é bom usar uma decoração com cores claras nas paredes e nos móveis para melhor refletir a luz.

Em um apartamento moderno: Normalmente as janelas são maiores e bem posicionadas. Aconselho verificar a orientação solar do quarto do bebé e usar cortinas ou estores para controlar a intensidade de luz, sobretudo para as sestas.

Quais adaptações podem ser feitas para melhorar a eficiência térmica da casa, garantindo conforto para o bebê?

Em um apartamento antigo: O meu apartamento antigo tinha várias deficiências que eram más para a qualidade de vida de um bebê. Era muito frio no inverno e muito quente no verão, e não podíamos ligar vários aquecedores ao mesmo tempo, devido a falhas na instalação eléctrica. 

A nossa solução foi criar um sistema inteligente que ligava e desligava os aquecedores consoante a temperatura de cada divisão. E no inverno, fechávamos os cortinados à noite para preservar calor, mas abríamos durante o dia para entrar calor e renovar o ar. 

Em um apartamento moderno: Agora vivo em um apartamento moderno e tem melhor isolamento e sistemas de aquecimento/arrefecimento mais eficientes. Ainda assim, vale sempre a pena verificar se as janelas têm vedação adequada e se o sistema de climatização está bem dimensionado. 

Além disso, um bom fluxo de ar natural (ventilação cruzada) ajuda a manter a temperatura agradável sem depender tanto dos aparelhos de aquecimento ou ar condicionado.

É necessário reforçar ou modificar o isolamento acústico em determinadas áreas da casa, especialmente no quarto do bebê?

Em um apartamento antigo: O principal ruído vem da rua e das partes comuns do prédio. A nossa solução foi a instalação de carpetes para absorver o som (isto também ajuda com a preservação do calor no inverno), e um white noise machine (aparelho de ruído branco, em português) para absorver sons.

Em um apartamento moderno: Geralmente, a acústica já vem mais bem resolvida. Mas se o quarto do bebé ficar exposto a barulhos intensos (trânsito, elevador, vizinhos), podemos ponderar reforçar paredes com placas de gesso cartonado e lã de rocha, ou mesmo trocar vidros normais por duplos/triplos (isto também é possível em apartamentos mais antigos).

Sala de estar iluminada pela luz do dia, com piso amadeirado e grandes paredes de vidro, com uma mesa, cadeiras e pufês.
Portifólio pessoal da Arquiteta Marta Calvinho

Como otimizar a circulação dentro da casa para facilitar o deslocamento com um carrinho de bebê ou outros equipamentos?

Em um apartamento antigoO nosso apartamento antigo não tinha elevador, por isso optávamos por deixar o carrinho arrumado no rés-do-chão ou no carro. Em casa, reorganizámos a sala para ter espaço livre onde pudéssemos movimentar-nos com o bebé ao colo e ter um sofá que servisse também de trocador se necessário. 

Nos primeiros meses, não é preciso muito espaço; basta ser funcional e seguro.

Em um apartamento modernoAgora temos elevador e corredores mais largos, o que facilita levar o carrinho até à porta de casa. É importante remover obstáculos como móveis salientes ou tapetes escorregadios, e manter as passagens desimpedidas. O carrinho dobra-se e guarda-se dentro de casa.

Quais soluções arquitetônicas podem ser implementadas para garantir acessibilidade futura, como evitar desníveis ou escadas perigosas?

Apartamento moderno em duplex: no meu apartamento moderno, tenho uma escada interna aberta, o que é complicado com uma criança móvel e curiosa.

Foi indispensável colocar uma rede de protecção lateral para evitar que a criança caísse e instalar portões de segurança tanto na base como no topo da escada.

É fundamental adaptar as escadas enquanto o bebé é muito pequeno, pois qualquer degrau ou espaço aberto representa perigo.

Protecção de tomadas e fios: em qualquer casa, moderna ou antiga, convém colocar protecções nas tomadas e manter fios eléctricos fora do alcance do bebé.

Perspectiva de crescimento: à medida que o bebé se torna mais móvel (começa a gatinhar, andar, explorar), precisamos rever constantemente a segurança: móveis com quinas afiadas, objectos de vidro ao alcance, gavetas sem travão. A casa vai evoluindo consoante as fases do crescimento.

Gostou dessas dicas? Aproveite as outras sugestões da arquiteta Marta Calvinho na Parte II dessa entrevista.

Mulher branca de óculos com sua filha pequena no colo em um local aberto e gramado.

Arquiteta entrevistada

Marta Calvinho

Conheça o estúdio de Arquitetura Calvinho & Partners. Marta estudou na Universidade Lusíada de Lisboa, na Art Institute of Chicago e trabalhou em diferente lugares do mundo. Siga para conhecer o portfólio.

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Gabriela é carioca, Mãe da Rebeca, que atua como Consultora Textual e Personal Branding para o Linkedin.

Saúde Mental dos Pais: O Poder Restaurador do Sono

Ter um sono de qualidade é muito importante para saúde física e mental. Pensando no sono dos pais de bebês, a função restauradora desse descanso para o corpo fica prejudicada, por isso, muitos pais de crianças pequenas sentem na pele as consequências que a privação do sono pode trazer para a disposição e desempenho de atividades. 

Entende-se por privação crônica de sono o acúmulo de vários dias, semanas e até meses dormindo pouco, por menos horas do que o recomendado para adultos, de 7 a 8 horas por dia. 

Com a chegada do bebê e nos dois primeiros anos de vida do filho, é comum ter o sono mal distribuído durante os dias e as noites, causando cansaço e outros males.

Entretanto, alguns deles adoecem por causa dessa rotina desgastante. Para entender melhor a importância das horas recomendadas de sono para a saúde mental e uma melhor qualidade de vida, entrevistamos a psicóloga clínica Terezinha Dutra Lima, especialista em saúde mental pela Fiocruz, em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia, que nos explicou mais detalhadamente a relação entre o sono e a saúde física e mental.

Qual é a importância do sono para a saúde física e mental? 

O sono é um processo fisiológico essencial à preservação da integridade cerebral e nossa sobrevivência. Ele tem uma função restauradora do corpo, por isso ele se constitui um pilar fundamental para a saúde, tanto física quanto mental, além de ser tão essencial para o corpo humano quanto a alimentação. 

Nesse sentido, a privação do sono pode oferecer riscos consideráveis à saúde, pois compromete o humor, a atenção, o pensamento e a memória, podendo levar a alterações comportamentais também. 

Outra consequência de dormir menos horas do que o necessário é o comprometimento do rendimento pessoal, devido à dificuldade de concentração. Dependendo do tipo de trabalho, a privação de sono pode provocar acidentes.

Quais seriam as consequências de uma privação crônica de sono para o corpo e a mente?

Entre as diversas consequências, podemos considerar alguns riscos de saúde, como aumento de ansiedade, quadros de depressão, baixo desempenho e a irritabilidade. 

Isso acontece, pois ficar muito tempo sem dormir o suficiente afeta diretamente as funções cognitivas, como a memória e, muitas vezes, dependendo do grau dessa privação, pode levar o sujeito a ter alucinações.

Quantas horas de sono são necessárias para um adulto ter um bom funcionamento diário? 

Os valores de horas recomendadas de sono para os adultos são variáveis. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), um adulto, de 18 a 60 anos, deve ter pelo menos 7 horas de sono por dia. 

Os idosos, de 61 a 64 anos, devem descansar de 7 e 9 horas, e aqueles acima de 65 anos, entre 7 e 8 horas.

Como a qualidade do sono impacta o sistema imunológico?

Há uma relação bidirecional entre o sistema imunológico e o sono, pois se a imunidade da pessoa estiver boa, ela contribuirá para sua qualidade do sono. A privação do sono, por sua vez, pode resultar na diminuição das defesas do organismo. 

Com essa capacidade do organismo de se defender reduzida, a pessoa fica mais propensa a contrair infecções. Portanto, manter um sono de qualidade pode tornar a pessoa imune a muitas doenças, como diabetes, ansiedade, entre outras.

De que maneira a falta de sono afeta a memória e a capacidade de aprendizagem? 

Durante o sono, o cérebro trabalha no intuito de consolidar as memórias. Ele reúne as informações aprendidas durante o dia, consolida cada uma delas e as transforma em memória de longo prazo. 

É o sono que aumenta a concentração e o raciocínio, por isso ele é tão importante. A falta dele, por outro lado, vai interferir também nesses registros sensoriais. 

A privação de sono pode comprometer aspectos cognitivos de aprendizagem. Portanto, boas noites de sono vão contribuir para um melhor rendimento na aquisição de novos aprendizados.

Qual o impacto da privação de sono no humor e nas emoções? 

A nossa atividade cerebral é responsável pela regulação das emoções.

Ela é aumentada quando somos privados do sono e há um impacto negativo no humor.

No caso dos pais e cuidadores, eles podem ficar mais irritados e impacientes entre si e com o bebê, tendo prejuízo no funcionamento social deles, podendo causar problemas em suas relações.

Com esse acúmulo de cansaço e tensão, pode acontecer um comportamento disfuncional, pois há uma diminuição na capacidade de lidar com situações estressantes do dia a dia.

Como o sono influencia a produtividade e o desempenho no trabalho? 

Bom, além de todos os malefícios que nós já listados, quando há uma privação de sono, pode ter riscos específicos para trabalhos noturnos. Porque o relógio biológico interno, que regula o sono, a temperatura corporal e a produção dos hormônios, é alterado. 

Então, o sono durante o dia pode ser menos reparador do que o sono noturno. Logo, o sujeito que é privado deste sono mais reparador está mais sujeito a acidentes de trabalho, porque ele perde a concentração. 

Esse sono não é restaurador e a qualidade dele é insuficiente para que ele produza com maior eficácia, ficando mais propenso a acidentes de trabalho.

O que é a fase de sono REM e, por que o sono profundo dessa fase é tão importante para o corpo? 

REM é a sigla da expressão inglesa Rapid Eyes Movement, pode ser traduzido para português para movimento rápido dos olhos.

Esse movimento é o sinal físico mais notório de que uma pessoa está na fase considerada a mais profunda do sono. 

Conforme os especialistas explicam, é nessa fase REM que as memórias são processadas e o conhecimento é consolidado. 

Além disso, ter um sono profundo é uma condição necessária para se ter mais qualidade de vida, maior disposição e bem-estar, porque essa fase do sono é propícia para recuperar as energias e reorganizar, por exemplo, os pensamentos, prevenindo doenças.

Mulher jovem cochilando sobre os papéis em cima de uma mesa de escritório com uma caneca branca, um notebook e uma caixa de lápis. Ao fundo com janelas de vidro com borda preta e lustres brancos.
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Quais são os sinais que uma pessoa não está dormindo o suficiente, mesmo que não se sinta cansada? 

Podemos citar alguns sinais da privação do sono, também conhecidos como sintomas, pois são observáveis. Em destaque, os sintomas relacionados à sonolência. 

Durante o dia, a pessoa que dormiu mal:

– Emite muitos bocejos;

– Tem humor irritável;

– Esquece muito as coisas; 

– Tem dificuldade de concentração. 

Qual a relação entre a má qualidade do sono e o sobrepeso e obesidade? 

Essa relação do sono com a obesidade ou ganho de peso se dá devido à tendência maior a um desequilíbrio hormonal em casos de excesso de peso. 

As alterações metabólicas decorrentes da própria obesidade acontecem e elas podem afetar a qualidade do sono. Por isso é comum que pessoas com sobrepeso ou obesas apresentem distúrbios respiratórios do sono, como o ronco e a apneia. 

Então essa inter-relação se dá pelo fato do desequilíbrio nos hormônios leptina e grelina, responsáveis pelo controle do apetite e a sensação de saciedade, que tem como consequência o ganho de peso.  Ocorrendo um comprometimento expressivo das funções metabólicas. 

Dessa forma, os estudos mostram que a obesidade pode aumentar as dificuldades de dormir e os distúrbios do sono, em contrapartida, também são indutores do ganho de peso. 

Qual é o impacto do sono na saúde cardiovascular?

A privação do sono oferece risco cardiovascular, podendo resultar em derrames, infartos e outras doenças. 

O Instituto do Sono explica que diversas funções cardiovasculares são definidas pelo ritmo circadiano, como a frequência cardíaca, a pressão arterial e o tônus vascular. 

Em casos de alterações neste ciclo, pode ter o aumento do perfil lipídico e da resistência à insulina, significando riscos para o coração. 

Em caso de sintomas desconhecidos, é recomendável consultar um médico.

O que acontece no cérebro durante o sono e como isso afeta a saúde mental a longo prazo?

O sono ele tem um papel fundamental. Como já foi dito, ele é indispensável ao funcionamento do cérebro. Enquanto nós dormimos, é o sono que realiza todo esse processo de reparação, de consolidação. 

Durante o sono REM, por exemplo, o cérebro transfere as memórias de curto prazo, tornando as em longo prazo. Ao contrário do nosso corpo que descansa, o cérebro continua trabalhando. 

A falta do sono pode potencializar sintomas de ansiedade e levar a transtornos, como a depressão.

Como a privação de sono pode influenciar a regulação hormonal e o estresse?

É sabido que a melatonina e o hormônio regulador do sono. Quando os níveis de estrogênio, que tem uma função de regular melatonina no nosso corpo, são insuficientes ou são reduzidos, pode levar a insônia. 

A insônia eleva os níveis de cortisol, que é o hormônio que conhecemos popularmente como o hormônio do estresse. Isso pode ter consequência direta no bem-estar, resultando em cansaço extremo, aumento ou perda de peso, entre outros aspectos.

O que podemos fazer para melhorar a qualidade do sono e evitar os efeitos negativos da falta de sono?

Nós podemos pensar em algumas dicas importantes e muito simples, que cabem também na rotina dos pais e cuidadores de bebês menores de 2 anos, adaptando conforme cada realidade: 

– Estabelecer uma rotina de sono individual;

– Fixar um horário para dormir, pode ser um intervalo;

– Deixar o ambiente propício para uma noite de sono satisfatória, com pouca luz e sem ruídos;

– Preparar-se para dormir muito antes do nosso horário de sono; 

– Praticar atividades físicas ao longo do dia;

– Evite a ingestão dos vilões do sono de qualidade, são eles a cafeína e as bebidas alcoólicas;

– Esvaziar a mente de pensamentos invasivos, disfuncionais, que acabam ocupando o nosso cérebro.

Além de seguir essas dicas de ouro para os pais, consulte as recomendações sobre os cuidados do sono dos bebês recém-nascidos e tenham boas noites de sono!

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicóloga

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

 

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabriela Sucupira

Carioca apaixonada pelas Letras, mãe da Rebeca, empreendedora e especialista em Marketing.

Leitura na Infância e Adolescência: Como Estimular

Diante de um mundo cada vez mais digital e com experiências virtuais, ensinar e incentivar o hábito da leitura tem sido um desafio para os pais de crianças de todas as idades. 

Mesmo nos anos iniciais, os filhos têm demonstrado mais interesse pelas tecnologias com seus conteúdos curtos, prontos e até de caráter duvidoso, do que por bons livros, físicos ou digitais, com suas histórias interessantes e criativas, mas que precisam ser processadas por meio da imaginação e interpretação, o que exigem atenção plena e tempo de qualidade para se dedicar. 

Como os pequenos têm acesso às tecnologias vendo os adultos usarem seus celulares o tempo todo, eles aprendem que os aparelhos são interessantes e, quando começam a usá-los em excesso, apresentam dificuldade de concentração e pouco interesse por atividades que exijam concentração e atenção plena, como a leitura, já nos primeiros anos.

Pensando em ajudar os pais e cuidadores a reverterem esse quadro, entrevistamos a pedagoga Daniela Vieira, profissional especialista em psicopedagogia institucional e clínica, com mais de 10 anos de experiência como educadora da primeira infância

Confiram o texto na íntegra e compartilhem suas experiências nos comentários no final da página. 

Por que a leitura é importante para o desenvolvimento do meu filho?

Ao longo da minha carreira como educadora infantil, pude vivenciar as consequências positivas que a aquisição do hábito da leitura pode trazer para as crianças.

Essa prática é fundamental para o desenvolvimento completo dos alunos, pois eles têm sua imaginação e criatividade estimuladas, melhoram seu despenho escolar, têm sua concentração e disciplina fortalecidos, completando seu desenvolvimento das capacidades cognitivas, linguísticas, emocionais e sociais mais facilmente. 

Quando devo começar a ler com ele?

A idade ideal é quando os pais e cuidadores se sentirem felizes em compartilharem do hábito da leitura, isto é, se a família já tiver o hábito de lerem boas histórias juntos e/ou individualmente, é recomendado fazer isso perto da criança desde os primeiros anos de vida.

Esse costume em casa pode fortalecer o vínculo afetivo entre os familiares e ajuda muito nosso trabalho em sala de aula nos aspectos linguísticos e cognitivo.

Como o desenvolvimento da linguagem e do amor pela leitura afetam o desempenho acadêmico do meu filho?

Tudo que é feito com carinho e dedicação tem mais chances de se tornar um hábito, tanto em casa como na sala de aula, por isso se os pequenos forem estimulados nesses dois ambientes que eles mais frequentam, isso refletirá em diversas áreas do seu aprendizado, como:

  • Aperfeiçoamento da compreensão de texto e do vocabulário;

  • Desenvolvimento da escrita;

  • Aumento da atenção e concentração;

  • Estímulo da criatividade e do pensamento crítico;

  • Desenvolvimento emocional e social;

  • Formação de habilidades de estudo; 

  • Estímulos a curiosidade e aprendizado contínuo.

 

LIVROS DE LEITURA 

Qual tipo de livro é adequado para cada faixa etária?

A escolha do livro certos para cada faixa etária é essencial para apoiar o desenvolvimento da criança.

Nas primeiras descobertas, quando ainda for um bebê até o final da educação infantil, é aconselhável livros de pano, plásticos ou cartonados, com imagens grandes e coloridas, textos simples e curtos, livros com texturas ou sons.

Nos anos iniciais, de 06 a 10 anos: são recomendadas histórias curtas, textos repetitivos e rimados, com ilustrações vívidas, além dos livros de perguntas e respostas.

No início da pré-adolescência, dos 10 aos 14 anos, o ideal é investir em histórias mais complexas, com capítulos curtos e personagens com os quais a criança possa se identificar, os livros podem conter ilustrações e textos mais equilibrados.

Na adolescência, dos 14 aos 18 anos: o sugerido são as tramas mais sofisticadas, reflexões sobre identidade, moralidade e sociedade, livros que desafiem a imaginação e desenvolvimento do pensamento crítico. Não devemos deixar de considerar o interesse pessoal de cada criança, ao escolher o livro, estimulando e incentivando o gosto pela leitura.

Como escolher livros que sejam interessantes para meu filho? 

Nas escolas em que trabalhei, sempre que possível, buscamos estimular a autonomia dos alunos, disponibilizando um ambiente com livros variados, divididos por faixa etária e temas que são interessantes e importantes para trabalharmos de forma lúdica em sala de aula, respeitando as diferentes realidades de cada aluno e incluindo temas que abordam questões socioemocionais.

 

CANTINHO DA LEITURA

Imagem de um menino branco com cabelo castanho liso e franja lateral, vestindo uma blusa quadriculada vermelha e branca, sentado em um pufe bege em uma biblioteca ao fundo.
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Como criar um cantinho de leitura agradável em casa?

A escolha de um espaço tranquilo e aconchegante é uma forma excelente para incentivar o hábito de leitura, esse ambiente deve ser confortável, estimulante e acessível, um lugar tranquilo coma iluminação adequada. É importante escolher assentos confortáveis com almofadas, pufes, cadeiras de leituras e poltronas, além do uso de tapetes macios com almofadas no chão.

Esse espaço pode ter mais de uma opção de descanso para que a criança possa explorar e se acomodar da forma que preferir. Para se tornar mais atrativo e de experiência única e prazerosa, os pais podem optar por uma decoração estimulante com cores alegres e com quadros de personagens que a criança tenha preferência.

Podem ser instaladas prateleiras acessíveis também, pois dessa forma, as opções de livros ficarão ao alcance da criança, para poder manuseá-los sozinhas, troque os livros de tempos em tempos e sinta que o cantinho da leitura é um ambiente interessante.

Qual é a melhor maneira de organizar os livros no cantinho de leitura?

A organização dos livros no cantinho da leitura é de extrema importância para estimular o interesse e facilitar o acesso da criança aos títulos, desta forma é interessante o uso de prateleiras baixas e abertas, cestos ou caixas para facilitar o acesso, organização por faixa etária, tema ou gênero, podem ser colocadas etiquetas ou ícones.

Assim, você não só estará promovendo uma organização do espaço, mas também realizando um ambiente visual e divertido mais aconchegante.  

É possível ter mais dicas de como montar o cantinho da leitura em outro artigo.

Com que frequência devo ler com meu filho?

A frequência com que você deve realizar a leitura com a criança pode variar conforme a idade, a rotina e o interesse da criança, contudo, o incentivo e a introdução da leitura devem ser diários.

Como posso tornar a leitura mais divertida para meu filho?

Use a entonação e expressão vocal, incentive a interatividade, incluindo a criança nas histórias, adicione atividades criativas, desenhos, pinturas, crie finais alternativos, use livros ilustrados e interativos e escolha os livros pelos quais a criança demonstre interesse.

Fazer da leitura um momento de divertido, empolgante, cheio de descobertas, interativo e agradável são pontos essenciais para garantir a conexão emocional com os livros.

O que fazer se meu filho não está interessado em ler?

É importante entender a causa, compreender o motivo por trás do desinteresse lhe ajudará a adotar novas estratégias. O interesse pela leitura pode retornar com o tempo, especialmente quando você cria uma experiência positiva, divertida e livre de pressões.

Qual o impacto das tecnologias digitais na leitura infantil?

A preocupação com o bem-estar das crianças e adolescentes e seu desempenho escolar tem feito as autoridades criarem normas e leis que proíbem o uso de celulares no ambiente escolar no Brasil e no mundo. Contudo, baseada em minha experiência, não basta proibir os alunos de usarem esses recursos na escola sem explicar o porquê.

Os especialistas explicam que embora as ferramentas digitais promovem o engajamento e aumento o acesso e inclusão das crianças em diferentes mundos através das pesquisas e atividades interativas monitoradas. 

O uso excessivo e sem objetivos acadêmicos dificulta de atenção, concentração e compreensão, além de aumentar as chances de isolamento social, pois ao viverem em mundos virtuais, muitas crianças e adolescente apresentam dificuldade de interagirem socialmente com os colegas.

Uma estratégia utilizada em diversos materiais escolares é a mistura de elementos gráficos e digitais em seus conteúdos, com QR Codes ao longo dos livros, exercícios feitos com a ajuda dos professores e pais para acessar a biblioteca virtual, etc.

Com esse equilíbrio entre o livro físico e os recursos virtuais, as crianças e adolescentes ficam mais interessadas e são ensinadas a aproveitarem a tecnologia a favor da leitura e do aprendizado e não ficam reféns de conteúdos vazios e rápidos.

Mulher negra de terno preto e camisa branca e cabelos cacheados loiros.

Pedagoga

Daniela Vieira

Pedagoga com especialização em psicopedagogia institucional e clínica, pós-graduanda do MBA em Gestão escolar pela Universidade de São Paulo (USP).

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabriela Sucupira

Carioca apaixonada pelas Letras, mãe da Rebeca, empreendedora e especialista em Marketing.