Educação e Desenvolvimento – Guia Prático para Pais

Educar vai muito além de ensinar ortografia ou multiplicações; começa em casa, na escuta, no colo, na conversa ao final do dia.

A escola é parceira, mas o alicerce está no vínculo. E é disso que quero falar: de como apoiar nossos filhos — especialmente nessa faixa entre os oito e nove anos, cheia de descobertas e inseguranças — para se desenvolverem de forma saudável, com menos ansiedade, mais presença e melhores conexões.

Outro dia, observei minha filha, a Rebeca, de oito anos, debruçada sobre o celular. Ela sorria com o vídeo que assistia, mas o sorriso parecia distante. Os olhos, antes tão curiosos, estavam cansados. Ela estava conectada ao mundo — mas, de algum modo, desconectada de quem estava ao lado.

Foi aí que pensei: “Quando foi que o prazer de aprender, de brincar, de descobrir com as próprias mãos se perdeu?” E, mais ainda: “O que posso fazer para resgatar essa alegria e esse equilíbrio entre o mundo real e o digital?”

Pense neste artigo como um mapa – não cheio de rotas perfeitas, mas de um caminho possível, pavimentado com empatia, paciência e pequenas vitórias cotidianas.

Como ajudar minha filha de 8 anos a se concentrar nos estudos?

Primeiro, precisamos olhar além da “falta de atenção”. Quando a Rebeca começou a se distrair com frequência, confesso que minha reação foi “ela não quer estudar”. Mas, aos poucos, entendi que concentração é resultado de vários fatores: ambiente, sono, alimentação, estado emocional — e sim, o uso do celular.

O inimigo silencioso: a tela do celular

O celular, com suas luzes, sons e notificações, “treina” o cérebro para buscar recompensas rápidas — cada alerta é um mini “prêmio”. Resultado: para uma criança de oito anos, sentar frente a um caderno ou livro torna-se concorrente de alto nível.

O excesso de estímulo digital pode reduzir o foco e aumentar a ansiedade. Logo, em casa, adotamos uma regra simples: durante o tempo de estudo, o celular descansa em outro cômodo, silencioso. No começo, a Rebeca resmungou. Mas, aos poucos, aceitou o ritual como parte da rotina — um acordo de confiança entre nós.

 

Criando o “cantinho da concentração”

Depois, descobri que o ambiente importa — muito. Um espaço iluminado, confortável, com poucos estímulos digitais ajuda o cérebro a “entender” que é hora de focar. Aqui, montamos um cantinho: mesa firme, boa luz, materiais à mão, sem TV por perto, sem tablet aberto.

E adicionei um cheirinho suave, uma planta, uma cadeira que a Rebeca escolheu. Pequenos detalhes que transformam o ambiente em convite para o estudo — não em prisão.

Estudo com um toque de diversão

Aprender não precisa (e não deve) ser um fardo. Então, integramos atividades lúdicas: jogos educativos, desafios em formato de quiz, até apps interativos (mas com cuidado no tempo).

Por exemplo: transformar tabuada em jogo de adivinhação ou usar cartões coloridos para vocabulário.

 A diversão ajuda a criança a entrar no processo com leveza — desde que haja limite claro.

Conexão antes da correção

E talvez o passo mais importante: estar junto. Quando me sento ao lado da Rebeca, não é para “fiscalizar” as tarefas — é para escutar, entender suas dificuldades, celebrar pequenas conquistas.

Às vezes, tudo que ela precisa para aprender é sentir que alguém acredita nela — mesmo quando ela mesma duvida. Essa presença faz uma enorme diferença.

Criança escrevendo em um caderno sobre uma mesa com um notebook ao lado, exibindo tela ligada com horário e widgets.
Rebeca estudando enquanto trabalho no notebook

Quais métodos de ensino são mais indicados para a idade dela?

Aos oito anos, as crianças vivem uma fase de transição: não são mais tão pequenas, mas ainda precisam de segurança.

É a idade do “querer pertencer” — de querer ser aceita, de entender o grupo, de começar a encontrar o próprio lugar no mundo. É também a fase em que aprender ganha significado: não basta memorizar, é preciso se conectar.

 

O poder do aprendizado colaborativo

Se socialização é uma necessidade, por que não usar o aprendizado como meio? A Rebeca, que era reservada, passou a se soltar mais quando sugeri que realizasse tarefas com uma colega ou promovêssemos encontros de estudo em casa.

O aprendizado partilhado reforça laços: as crianças trocam ideias, se ajudam, sentem-se pertencentes. Dois benefícios em um só ato.

Como lidar com problemas de comportamento e ansiedade na escola?

Quando uma criança “se comporta mal”, o impulso é corrigir. Mas, quase sempre, por trás do comportamento há um pedido de ajuda.

A ansiedade, por exemplo, pode aparecer como irritabilidade, isolamento, choro fácil, ou até agressividade silenciosa.

 

Comunicação é a palavra-chave

O primeiro passo é abrir o diálogo — com a escola e com a própria filha. Perguntar como ela se sente no grupo, ouvir sem interromper, validar suas emoções. Às vezes, o que mais precisa ouvir não é “pare de”, mas “eu entendo que é difícil pra você”. E com os professores, o ideal é construir uma ponte, não um muro. Todos estamos do mesmo lado: o lado dela.

Aparando arestas, juntos

Quando os problemas pipocam, o mais eficiente é uma abordagem colaborativa entre pais, escola e criança. Em vez de “você está errada”, podemos perguntar: “O que podemos fazer para você se sentir melhor?” Isso retira o peso da culpa e abre caminho para a responsabilidade compartilhada.

É um plano de ação conjunto, com a menina envolvida nas escolhas, e não apenas como objeto de intervenção.

Lidando com a ansiedade e o celular

O celular, mais uma vez, pode aparecer como refúgio — e isso tem uma razão. Quando a Rebeca está ansiosa, tende a se perder nas telas. No curto prazo, isso pode parecer alívio; no médio prazo, aumenta o vazio e o isolamento.

Criamos, então, momentos de desconexão familiar:

  • jantar sem telas,
  • passeio no parque ou na pracinha,
  • jogo de tabuleiro depois da escola.
  • Rir de piadas ou de histórias contadas pela família
  • Brincar tranquila e livremente
  • conversar sobre como foi o dia

Com essa nova rotina, descobrimos que esses gestos simples são antídotos poderosos para a ansiedade.

Empatia e escuta ativa

E, talvez, o passo mais transformador: escutar de verdade. Sem interromper, sem corrigir na hora, sem discursos morais. Fazer com que ela sinta que tem em casa um porto seguro — onde pode se mostrar vulnerável, insegura, confusa — e ainda assim ser amada. Essa escuta cria um espaço onde as emoções circulam, e onde aprendizado emocional acontece.

A jornada da parentalidade é um eterno aprendizado

Ser mãe ou pai é um aprendizado constante — sem manual, mas cheio de recomeços. Entre trabalho, amor e rotina, o que realmente importa é estar presente, ouvir, rir e crescer com os filhos.

Não há fórmula, apenas o compromisso de ajudá-los a equilibrar o mundo real e o digital. Para aprofundar esse tema, confira o artigo Saúde Emocional das Crianças e Redes Sociais”.

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Mãe da Rebeca, natural do Rio de Janeiro, Gabriela possui 15 anos de experiência como Consultora Textual e atua há 4 anos como Personal Branding para o Linkedin.

Ambientes Criativos e a Abordagem Reggio Emília

Na segunda parte da nossa conversa com Daniela Vieira, exploramos como ambientes ricos em significado e projetos coletivos podem não apenas transformar o aprendizado das crianças, mas também fortalecer os laços entre escola, família e comunidade.

Inspirada pela abordagem Reggio Emilia — que propõe ver a criança como protagonista da própria aprendizagem, em constante diálogo com seu ambiente e com os outros — Daniela comenta as tendências mais atuais da educação infantil: o protagonismo, a autonomia, a escuta sensível, o ambiente como terceiro professor. 

Ao ampliar a escuta para além do que a criança diz ou faz, e a autonomia para além de simplesmente “liberar escolhas”, essa visão nos convida a redescobrir como cada espaço, gesto e interação fazem parte de um processo mais amplo de construção — não apenas do conhecimento, mas da identidade e do pertencimento.

É possível criar ambientes criativos em casa para estimular a aprendizagem infantil?

Sim, é totalmente possível adaptar os ambientes da casa para favorecer a autonomia e a aprendizagem das crianças. Todo espaço pode se tornar uma oportunidade de descoberta — basta um pouco de criatividade!


Com pequenas modificações, é possível criar um ambiente que estimule a curiosidade e a independência. Veja algumas ideias práticas:

  • Criar uma bateria com panelas e colheres;
  • Montar um mini escritório com teclados velhos e telefones antigos;
  • Organizar os móveis para que a criança tenha acesso fácil aos objetos;
  • Deixar os móveis na altura e no campo de visão da criança;
  • Oferecer materiais variados que despertem a exploração e a criatividade;
  • Garantir sempre um espaço acolhedor e seguro.

Projetos Coletivos e Comunidade

Como funcionam os projetos coletivos e qual é a importância deles para o desenvolvimento das crianças?

Os projetos coletivos nascem a partir dos interesses e curiosidades das próprias crianças. O educador atua como mediador, criando ambientes que incentivam a exploração e a troca de ideias.

Durante o processo, são feitos registros e observações que evidenciam momentos significativos de interação e aprendizado. Esses projetos tornam o aprendizado mais rico e colaborativo, fortalecendo a criatividade, o trabalho em grupo e o desenvolvimento integral das crianças.

De que forma a escola pode se alinhar com as famílias para construir experiências mais significativas?

A escola pode se alinhar às famílias de diferentes maneiras, garantindo uma parceria ativa no processo educativo. Uma das formas é oferecer acesso ao acervo dos projetos coletivos, permitindo que os responsáveis acompanhem o percurso das aprendizagens.

Além disso, a participação direta das famílias enriquece os projetos, trazendo falas, histórias e curiosidades de casa, ampliando o repertório das crianças.

Outro ponto importante é incentivar que, em casa, sejam realizadas propostas que dialoguem com os projetos desenvolvidos na escola, estimulando novas descobertas e fortalecendo os vínculos entre escola, família e criança.

Você acredita que esse modelo fortalece também a ideia de comunidade escolar?

Sim. A criação de projetos coletivos a partir dos desejos e curiosidades das crianças traz narrativas significativas do meio em que estão inseridas e dos espaços que frequentam, como áreas verdes, clubes, parques ou até mesmo casas de familiares.

Essa proposta possibilita a interação entre diferentes contextos e envolve ativamente as famílias do grupo, tornando o processo de aprendizagem mais rico.

Dessa forma, fortalece-se a relação entre escola e comunidade, criando uma rede de colaboração e pertencimento que valoriza a infância e o desenvolvimento coletivo.

Professora lê para crianças sentadas em círculo em uma sala de aula colorida.
Sala de aula da Reggio Emília

Tendências e Futuro da Educação

Quais tendências você enxerga no campo da educação infantil que dialogam com a perspectiva Reggio Emília?

A abordagem Reggio Emilia vê a criança como protagonista do próprio aprendizado — curiosa, criativa e capaz. Entre as principais tendências alinhadas a essa visão estão:

  • O aprendizado que parte dos interesses da criança;
  • A valorização da exploração prática e do “mãos à obra”;
  • O respeito ao ritmo individual e à autonomia infantil;
  • A criação de espaços que favorecem investigação e descoberta.

Essas práticas estimulam a curiosidade, o senso crítico e o protagonismo desde os primeiros anos.

Como os pais podem identificar se uma escola valoriza realmente a criança como protagonista e investe em ambientes criativos?

Os pais podem identificar se uma escola realmente valoriza a criança como protagonista observando alguns aspectos fundamentais:

  1. Ambientes criativos e acolhedores que estimulam a curiosidade;
  2. Propostas pedagógicas que respeitam os interesses e ritmos das crianças;
  3. Transparência e abertura ao diálogo com as famílias;
  4. Um Projeto Político-Pedagógico alinhado a metodologias ativas e contemporâneas.

Esses aspectos revelam uma instituição comprometida com uma educação mais humana, participativa e transformadora.

O futuro da educação: autonomia, comunidade e inovação pedagógica

Se você pudesse deixar uma mensagem final para famílias e educadores sobre o futuro da educação, qual seria?

A educação é um dos pilares da nossa sociedade e está em constante evolução. Hoje, podemos perceber os avanços que tivemos ao tratar nossas crianças e adolescentes com respeito, valorizando a democracia e garantindo que todos tenham voz, tornando-os protagonistas de suas próprias histórias.

Com esses avanços, também fortalecemos a comunidade escolar e familiar, contribuindo para uma sociedade mais consciente e participativa. Temos a oportunidade de nos reinventar e nos atualizar continuamente, atendendo às demandas e necessidades atuais, e, assim, construir um futuro melhor para as próximas gerações.

Confira a entrevista completa, lendo a primeira parte aqui.

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Mulher negra sentada em uma cadeira, sorrindo, vestindo blazer preto e camisa social branca, com cabelo preso e óculos de grau, em frente a uma parede clara.

Pedagoga

Daniela Vieira

Pedagoga com especialização em psicopedagogia institucional e clínica, pós-graduanda do MBA em Gestão escolar pela Universidade de São Paulo (USP).

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Mãe da Rebeca, natural do Rio de Janeiro, Gabriela possui 15 anos de experiência como Consultora Textual e atua há 2 anos como Personal Branding para o Linkedin.

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Da escuta à autonomia: reflexões sobre Reggio Emília

A educação infantil está em constante transformação, mas alguns princípios permanecem atemporais: respeito, escuta e valorização da criança. A abordagem Reggio Emília, nascida na Itália após a Segunda Guerra, tornou-se referência mundial ao propor um olhar mais humano e criativo para a infância.

Mais do que um método, trata-se de uma filosofia que reconhece a criança como protagonista de seu aprendizado, capaz de explorar, criar e construir significados em diálogo com o ambiente e com a comunidade.

Nesta entrevista, conversamos com Daniela Vieira, Pedagoga com especialização em psicopedagogia e pós-granduanda na abordagem pikler e Reggio Emília.

Daniela traz seus conhecimento e dicas práticas para pais e educadores sobre como os Alinhamentos Escolares e Tendências na perspectiva Reggio Emília podem inspirar escolas, educadores e famílias na construção de experiências mais ricas e transformadoras.

Introdução: conhecendo a abordagem Reggio Emília

O que é a perspectiva Reggio Emília e por que ela tem se tornado uma referência mundial em educação infantil?

A perspectiva Reggio Emilia é uma abordagem pedagógica que busca uma educação mais igualitária, inovadora e com centralidade na criança. Seu foco é atender ativamente às necessidades dos pequenos, promovendo um aprendizado humanizado e de qualidade nos primeiros anos de vida.

Entre suas principais características estão:

  • O respeito à integridade da criança,
  • A valorização do vínculo afetivo, da escuta, da fala e do acolhimento,
  • O estímulo à autonomia e ao protagonismo infantil.

Essa metodologia incentiva que a criança explore, investigue e construa conhecimento a partir de seus próprios interesses, promovendo experiências significativas e inovadoras.

Dessa maneira, ela tem se tornado uma referência mundial em educação infantil justamente por colocar a criança no centro do processo de aprendizagem, reconhecendo seu potencial e promovendo um ambiente de descobertas, criatividade e participação ativa.

Como você chegou a se especializar nesse campo e o que mais te inspira na prática dessa abordagem?

Durante minha trajetória como professora de educação infantil, presenciei e vivi diversas formas de ensino e aplicação da aprendizagem. No entanto, buscava métodos que realmente respeitassem a criança como um ser único.

Vale destacar que meu encanto pela abordagem Reggio Emilia surgiu devido sua perspectiva de enxergar a criança como um ser potente e capaz de construir conhecimento por meio da interação com o outro e com o meio que a cerca.

Com isso, busquei aprofundar meus conhecimentos por meio da pós-graduação e dos estudos oferecidos no meu trabalho, em que estudamos sobre o tema 2 horas por dia, baseados nos materiais propostos pela Prefeitura de São Paulo.

Assim, trabalhando na Prefeitura, percebo que essa abordagem está muito presente nos documentos que nos norteiam, proporcionando momentos de estudo e prática que integram as metodologias Reggio Emilia.

Portanto, cada experiência com a criança se tornou, para mim, uma verdadeira experiência de pesquisa, aprendizado e descoberta.

Capas dos livros “As cem linguagens da criança” e “As cem linguagens em mini-histórias”, referências da abordagem Reggio Emília na educação infantil, com fundo verde claro.
Livros da abordagem Reggio Emília

 

 

Criança como Protagonista

O que significa, na prática, considerar a criança como protagonista do processo de aprendizagem?

Na prática, considerar a criança como protagonista do processo de aprendizagem significa reconhecê-la como sujeito ativo, capaz de construir conhecimentos a partir de suas experiências, curiosidades e interações.

Isso envolve respeitar seus aspectos individuais, interesses culturais e cotidianos, tendo o educador como mediador desse processo. Cabe ao professor criar territórios e ambientes que favoreçam a investigação, a exploração e a aprendizagem significativa, sempre partindo do interesse da criança.

Como os educadores podem estimular a autonomia e a curiosidade sem perder de vista a importância do cuidado e da orientação?

O cuidado e a orientação são fundamentais, principalmente quando a criança faz uma escolha que pode gerar algum desconforto. Por exemplo: em um dia frio, a criança opta por usar uma roupa leve.

Nesse caso, o educador não deve simplesmente impor outra opção, mas mediar a situação por meio de questionamentos, ajudando-a a perceber as consequências de sua escolha.

Dessa forma, a criança é orientada a refletir, diferenciando suas escolhas de acordo com o contexto. Assim, mantém sua autonomia preservada, exercita a curiosidade e aprende a resolver situações do cotidiano de maneira consciente e significativa.

Ambientes Criativos

Na visão Reggio Emília, o espaço também é educador. Quais características um ambiente criativo deve ter para favorecer a aprendizagem?

Um ambiente criativo deve oferecer variações que estimulem a exploração e favoreçam a aprendizagem, um ambiente, além de acolhedor explorador e de descobertas. Na minha sala de aula, por exemplo, entre os variados cantos de exploração, temos em especial uma montada com elementos da natureza recolhidos pelo jardim da escola onde formamos em sala em contexto de investigação e descoberta.

Sala de educação infantil inspirada na abordagem Reggio Emília, com móveis de madeira clara, materiais naturais organizados em cestos e plantas, criando um ambiente acolhedor, estético e exploratório.
Sala inspirada na abordagem Reggio Emilia

 

 

Junto a esse material, disponibilizo lupas para maior observação, materiais de arte como tintas e lápis de colorir, onde o manuseio, a interação e forma de criação partam da descoberta de cada criança, considerando o que é significativo para cada uma.

É importante que os materiais e recursos estejam dispostos na altura certa, permitindo o acesso com autonomia.

Além disso, o espaço precisa ser investigativo, acolhedor e seguro, despertando a curiosidade, incentivando a interação e possibilitando diferentes formas de expressão. Dessa maneira, o ambiente se torna um verdadeiro educador, promovendo experiências ricas e significativas.

Saiba mais sobre essa abordagem na Parte II desta entrevista.

 

Mulher negra sentada em uma cadeira, sorrindo, vestindo blazer preto e camisa social branca, com cabelo preso e óculos de grau, em frente a uma parede clara.

Pedagoga especialista em Psicopedagogia

Daniela Vieira

Pedagoga com especialização em psicopedagogia institucional e clínica, pós-graduanda do MBA em Gestão escolar pela Universidade de São Paulo (USP).

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Mãe da Rebeca, natural do Rio de Janeiro, Gabriela possui 15 anos de experiência como Consultora Textual e atua há 4 anos como Personal Branding para o Linkedin.

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Bem-estar ao Trabalhar de Casa na Ótica da Psicóloga

Na segunda parte da entrevista, a psicóloga Thaissa Moreno fala sobre vínculos no home office, os riscos do isolamento e como empresas podem apoiar colaboradores com mais cuidado e inclusão.

Depois de falarmos sobre os primeiros impactos do home office, agora vamos aprofundar nas relações e na comunicação à distância.

Thaissa explica como o isolamento pode afetar a saúde emocional, quais práticas ajudam a fortalecer vínculos mesmo longe fisicamente e como empresas podem criar um ambiente de cuidado, equidade e inclusão.

Com mais de 16 anos de experiência, Thaissa une técnicas terapêuticas modernas, saberes ancestrais e uma escuta humanizada, ajudando a compreender como o home office afeta a saúde mental e dá sugestões para criar rotinas mais leves, saudáveis e sustentáveis para mães e cuidadoras.

Relações e Comunicação à Distância

O isolamento social é uma das queixas mais comuns de quem trabalha de casa. Quais são os riscos desse isolamento para a saúde mental?

É possível que trabalhar de casa pode trazer uma sensação de solidão. A falta do contato diário com as pessoas, olho no olho, o toque, momentos de descontração na copa, começa a se sentir desconectada.

O isolamento levando a uma tristeza e desmotivação, dificuldade de se concentrar, podendo levar a crises de ansiedade e depressão. Principalmente para mulheres que alimentam a ideia de “eu tenho que dar conta de tudo sozinha”.

Isso aumenta a carga emocional, pois se cria expectativas e manter hiperfoco na casa que está inserida no trabalho. O isolamento é um risco porque afeta e nos afasta do aquilombamento como se diz na cosmoperspectiva afrocentrada, entender que a força vem da comunidade.

O movimento de partilha, confluência nos dá a oportunidade de nos fortalecer de criar vínculos saudáveis que contribuam para nossa saúde mental.

Como manter vínculos saudáveis com colegas e líderes à distância?

Manter vínculos no home office vai além do trabalho.Uma boa estratégia é criar momentos de afeto, como na participação ativa em reuniões, deixando a câmera aberta e, quando possível, combinar encontros presenciais fortalece conexões.

Vínculos são redes de apoio que sustentam a saúde mental e coletiva.

Três pessoas brindam com copos descartáveis em um ambiente de escritório, sorrindo ao redor de uma mesa com bolo e presentes.
Image by Freepik

Autocuidado e Bem-Estar

Quais práticas de autocuidado são mais eficazes para reduzir o estresse no home office?

O autocuidado não precisa ser algo sofisticado, mas constante. Atos simples para melhorar o dia a dia:

  1. Alongar o corpo ao longo do dia, ou ao iniciar e encerrar o expediente.
  2. Fazer uma respiração consciente,
  3. Perceber os lugares de tensão no corpo,
  4. Manter pausas reais para descanso,
  5. Beber água
  6. Alimentar-se com calma, com atenção plena.

Entender que o autocuidado é mais que um hábito individual, é um resgate de força vital. É se olhar com cuidado, amorosamente, preparando e fortalecendo o corpo e a mente para uma rotina que vai exigir estar plena.

A ergonomia e o ambiente físico de trabalho também influenciam no estado emocional?

É fato! Uma cadeira desconfortável, iluminação ruim e horas na mesma posição causam sofrimento ao corpo e isso repercute na mente, trazendo exaustão, irritabilidade e dor.

O nosso espaço de trabalho carrega uma energia do ponto de vista ancestral, forma-se um sistema com suas impressões e vivências. É importante ter elementos naturais como uma planta, a luz solar adentrando a janela ou o ar fresco circulando.

Outra dica são objetos simbólicos de forma com uma cor que traga tranquilidade. Não é uma questão de estética, mas de nutrir o ambiente com vibrações saudáveis.

De que forma empresas podem apoiar os colaboradores nesse processo?

As empresas possuem um papel fundamental, pois podem colaborar das seguintes formas:

  • Com orientações de ergonomia,
  • Criação de momentos de escuta e acolhimento,
  • Respeito aos horários de descanso e de folga,
  • Incentivo as práticas de bem-estar.

São necessários espaços de interação e conversa sobre saúde mental, equidade e diversidade porque cada trabalhador tem uma realidade diferente.

O apoio aos colaboradores é reconhecer que cada pessoa faz parte de uma comunidade. Empresas que cuidam das pessoas fortalecem os vínculos e criam ambiente mais saudável e justo.

Trabalho Remoto: Realidades Invisíveis e Desafios da Inclusão

Embora o home office tenha se consolidado em muitas áreas, ele não é vivenciado da mesma forma por todos. Para pessoas de periferias e comunidades, o trabalho remoto pode trazer sobrecargas específicas, como:

  • a falta de estrutura adequada em casa,
  • a ausência de silêncio ou privacidade,
  • o acúmulo de funções sem apoio e
  • o impacto da violência urbana.

 

Esses fatores revelam que pensar o futuro do trabalho remoto exige considerar desigualdades sociais que atravessam a vida de muitos trabalhadores.

Não basta falar em produtividade e flexibilidade — é necessário criar condições justas, humanas e sustentáveis para que o home office seja, de fato, uma oportunidade para todos.

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Mulher negra sorridente com cabelo cacheado com mechas loiras nas pontas. Ela veste uma blusa amarela vibrante e um colar roxo com detalhes grandes. Está posando diante de um fundo claro.

Psicóloga

Thaissa Moreno

Psicóloga e arteterapeuta há mais de 16 anos, que atua na abordagem afrocentrada, unindo Terapia Cognitivo-Comportamental e cosmoperspectiva ancestral, sistêmica e antirracista. Palestrante e psicoeducadora, que trabalha no fortalecimento da autoestima de pessoas negras e colabora com empresas e escolas em formações de letramento racial e diversidade. Saiba mais sobre seu trabalho em @psicologathaissamoreno e LinkedIn.

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Cuidados ao Trabalhar de Casa na Ótica da Psicóloga

Trabalhar de casa, especialmente para quem tem filhos, exige atenção redobrada com a saúde mental, a organização da rotina e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O home office trouxe inúmeros benefícios, como estar mais presente na vida familiar e evitar longos deslocamentos, mas também trouxe desafios que podem impactar diretamente o bem-estar emocional e a produtividade.

Pensando nisso, nós, do site MyBaby Care, entrevistamos a psicóloga Thaissa Moreno, mulher negra 40+ , filha da Silvia e do Jorge, mãe da Núbia, para aprofundar a reflexão sobre os principais cuidados necessários ao trabalhar de casa.

Com mais de 16 anos de experiência, sendo 5 deles em atendimento remoto,Thaissa é terapeuta cognitiva comportamental e arteterapeuta na abordagem afrocentrada, com uma cosmopespectiva ancestral, sistêmica e antirracista.

Ela reúne técnicas expressivas, saberes ancestrais e uma escuta humanizada para oferecer um espaço seguro para pessoas negras, por meio do atendimento psicológico personalizado. 

Nessa entrevista, sua experiência nos ajuda a compreender como o home office afeta a saúde mental e de que forma é possível criar rotinas mais leves, saudáveis e sustentáveis para profissionais, especialmente mães e cuidadoras.

Introdução ao Trabalho Remoto

O trabalho remoto ganhou força nos últimos anos. Do ponto de vista psicológico, quais são os principais impactos dessa mudança na vida das pessoas?

O trabalho remoto trouxe muitas facilidades, principalmente para quem é mãe ou cuida da família, porque conseguimos estar mais perto dos filhos e evitar o desgaste do deslocamento.

Mas junto disso, veio também o desafio: como separar a vida de casa e a do trabalho?

Psicologicamente, isso mexe até hoje com nossa organização interna. Essa mistura pode gerar sobrecarga, estresse e até culpa, porque sentimos que nunca somos 100% em nenhum dos papéis.

Na cosmoperspectiva ancestral, é importante lembrar que o trabalho não deve roubar a nossa vida. Ele precisa estar em harmonia com o cuidado, com o corpo e as relações.

Se não há essa divisão, a gente perde energia vital.

Quais sinais indicam que a rotina de home office pode estar afetando a saúde mental?

Existem alguns sinais que servem de alerta, entre elas estão:

  • Fadiga incontrolável e constante,
  • Irritabilidade,
  • Dificuldade de concentração,
  • Insônia
  • Sensação de que algo está faltando ou que está devendo. Seja na família ou no trabalho.

No caso das mulheres, especialmente as mães, ocorre a exaustão silenciosa: o corpo dói, a mente fica cansada e, ainda assim, as elas seguem a rotina como um trem descarrilhado.

Por isso, é muito importante identificar a necessidade de dar limites entre a casa e o trabalho.

Organização e Estrutura da Rotina

Como a falta de separação entre vida pessoal e profissional pode influenciar o bem-estar emocional?

A sensação de ter que estar disponível o todo tempo pode gerar ansiedade e estresse, o que afeta a autoestima. Não entender quando trabalhar e descansar, ou, por vezes, fazer as tarefas da casa no meio do expediente.

Com isso, uma exaustão sem fim atrelada a culpa de não ter executado o que havia planejado durante o período.

Para atenuar o desgaste, é necessária a organização do tempo e espaço. Isso porque o desequilíbrio nos afasta do princípio da harmonia que nossos ancestrais sempre valorizaram.

A vida não é só produtividade, é também cuidado, descanso, contemplação, celebração. Como diz o eterno Nego Bispo: envolvimento e confluências.

Mulher negra com cabelos cacheados e pintados de loiro nas pontas e blusa colorida ao lado de uma menina negra com uma blusa branca e óculos
Thaissa Moreno e sua filha Núbia

Estratégias Simples para Organizar o Home Office e Preservar o Descanso

Manter uma rotina equilibrada no home office é essencial para preservar a saúde mental, reduzir o estresse e garantir momentos reais de descanso. Pequenas mudanças na organização diária podem transformar a experiência de trabalhar de casa em algo mais saudável e produtivo. Confira algumas estratégias práticas:

  • Defina um espaço fixo de trabalho: mesmo que seja apenas uma mesa, ter um local exclusivo para o trabalho ajuda a separar vida pessoal e profissional. Fora desse espaço, permita-se descansar ou realizar outras tarefas que não sejam do trabalho.

  • Crie rituais de início e fim de expediente: trocar de roupa, tomar café, preparar água ou chá são formas simples de sinalizar para o corpo e a mente quando começa e termina a jornada de trabalho.

  • Encerramento consciente: desligue o computador, agradeça pelo dia, tome um banho ou ouça música. Esses rituais ensinam a mente a respeitar os limites entre trabalho e descanso.

  • Divida responsabilidades do lar: o cuidado com a casa deve ser coletivo, evitando a sobrecarga de uma única pessoa — especialmente das mulheres, que muitas vezes acumulam múltiplas funções.

  • Valorize pausas reais: descansar não é lavar roupa ou limpar a casa no intervalo. É respirar, alongar-se, contemplar, se reconectar com o corpo e as emoções.

Cuidar da rotina no trabalho remoto é também cuidar da energia vital. O descanso não é sinal de preguiça: é fundamental para manter o equilíbrio, fortalecer corpo e mente e viver o home office de forma mais leve e sustentável.

Trabalho Remoto: Futuro Sustentável e Humano

O trabalho remoto se consolidou em diversas áreas, mas seu sucesso a longo prazo depende de uma abordagem mais humana e equilibrada. Para construir uma relação saudável com o home office, é crucial focar em limites claros e bem-estar.

Para saber mais sobre o assunto, confira a Parte II desta entrevista aqui.

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Mulher negra sorridente com cabelo cacheado com mechas loiras nas pontas. Ela veste uma blusa amarela vibrante e um colar roxo com detalhes grandes. Está posando diante de um fundo claro.

Psicóloga

Thaissa Moreno

Psicóloga e arteterapeuta há mais de 16 anos, que atua na abordagem afrocentrada, unindo Terapia Cognitivo-Comportamental e cosmoperspectiva ancestral, sistêmica e antirracista. Palestrante e psicoeducadora, que trabalha no fortalecimento da autoestima de pessoas negras e colabora com empresas e escolas em formações de letramento racial e diversidade. Saiba mais sobre seu trabalho em @psicologathaissamoreno e LinkedIn.

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Saúde Emocional das Crianças e Redes Sociais

Depois de falarmos sobre como equilibrar o tempo de tela das crianças na primeira parte da entrevista com a psicóloga Terezinha Dutra — disponível aqui — seguimos com orientações para ajudar pais e responsáveis a lidar com os desafios do mundo digital.

 

O universo digital oferece inúmeras oportunidades de aprendizado e conexão, mas também apresenta riscos que exigem atenção das famílias. Crianças e adolescentes, ainda em desenvolvimento emocional e cognitivo, podem não ter maturidade para lidar com conteúdos nocivos, golpes virtuais e excesso de exposição.

Neste contexto, o papel dos pais e responsáveis é orientar, proteger e educar, sem recorrer a atitudes autoritárias ou invasivas. 

Nesta continuação, falamos sobre como acompanhar a vida online dos filhos sem invadir sua privacidade, como usar recursos digitais de forma consciente, além de dicas para desenvolver senso crítico nas crianças e identificar sinais de alerta.

O objetivo é simples: fortalecer vínculos, promover diálogos mais leves e transformar a tecnologia em uma aliada no desenvolvimento saudável das crianças.

Dicas para supervisionar sem invadir a privacidade dos filhos

 

Como monitorar a vida digital das crianças sem parecer invasivo?

Uma estratégia possível para minimizar os prejuízos causados pela exposição às redes sociais é adotar medidas simples, como dispositivos de controle parental e aplicativos que auxiliam os pais no monitoramento saudável dos filhos. (Saiba mais aqui)

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids são boas aliadas. Elas ajudam a:

  • Aplicar os limites combinados;
  • Restringir conteúdos;
  • Definir horários de uso;
  • Acompanhar a localização da criança.

Mas elas não substituem o papel dos pais e cuidadores, que é orientar, monitorar e participar ativamente. 

Contudo, é preciso cautela antes de lançar mão desses recursos. Para melhores resultados, é necessário o envolvimento de toda a família, inclusive da criança monitorada, afinal, proibir não é orientar.

Regras claras devem ser acordadas previamente, seguidas de orientações sobre golpes e perigos da internet, levando em conta a idade e o grau de maturidade da criança.

Perfil familiar: um recurso para o uso consciente

Quais as vantagens de criar um perfil familiar nas redes sociais?

Ter um perfil familiar, onde membros interagem entre si, fortalece o sentimento de pertencimento e cria um ambiente virtual seguro. O uso consciente das redes sociais passa a ser uma ferramenta positiva diante dos desafios do ambiente digital.

 

Como definir limites claros sem comprometer a privacidade?

Definir limites claros é parte essencial do cuidado. Ao compreender as diferenças entre privacidade e singularidade, é possível respeitar os direitos da criança sem violar sua personalidade.

Esse entendimento garante aos responsáveis liberdade para orientar sobre os riscos da exposição e do potencial da viralização das informações pessoais, considerando que crianças não têm maturidade para discernir o que pode ou não ser compartilhado publicamente.

A conscientização de que as regras são protetivas, e não proibitivas, torna esse processo mais leve e seguro.

Desenvolvendo senso crítico nas crianças

Quais práticas diárias ajudam os filhos a questionar conteúdo online? Como ensiná-los a diferenciar informação confiável de fake news?

Através da educação e de exemplos práticos, possibilita-se conscientizar sobre as vulnerabilidades às quais estão expostos ao manter um perfil público, por exemplo.

É importante ensiná-los a respeitar as classificações indicativas por faixa etária e mostrar que não devem compartilhar qualquer informação sem conhecer sua origem, evitando assim difundir fake news ou ser vítimas delas.

A garota usa uma blusa branca com detalhes em azul-claro ou cinza. O cenário é de um escritório: a mesa é de cor de madeira clara (bege/caramelo), a cadeira é preta e as paredes são brancas. Há uma lousa branca com escrita em preto, e um quadro de cortiça marrom com papéis brancos afixados. Um fichário rosa e outros livros com capas em tons de cinza, preto e vermelho também estão na mesa.
Rebeca pesquisando para o trabalho da escola.

 

 

Quando proibir ou restringir o uso das redes sociais

Quais sinais indicam dependência digital?

Embora não sejam os únicos indicativos, alguns sinais incluem:

  • Perda de interesse por assuntos e lugares fora do ambiente virtual;
  • Tempo excessivo de tela (dias seguidos);
  • Isolamento no quarto, interagindo apenas no mundo digital;
  • Impactos na saúde física, como deixar de se alimentar, apresentar tiques nervosos, insônia, alteração de humor ou ansiedade;
  • Baixo rendimento escolar sem outros motivos aparentes;
  • Falta de higiene pessoal para continuar jogando;
  • Agitação, irritabilidade ou desregulação emocional quando privados do celular, por exemplo.

Quais hábitos e ferramentas promovem um acompanhamento saudável?

Passar tempo com seu filho é um hábito valioso que fortalece a conexão entre vocês. Compartilhe seu dia e permita que ele compartilhe seu universo digital.

Participe de suas escolhas com entusiasmo, mostre interesse por seus jogos favoritos. Esse tempo juntos possibilita conhecer a linguagem que ele utiliza em interações online e avaliar comportamentos sem o interrogar ou invadir seu espaço.

Em que situações restringir temporariamente o acesso pode ser necessário — e como fazer isso de forma construtiva?


Não existe regra única. Cada responsável precisa avaliar o momento certo para intervir, observando as mudanças comportamentais da criança.

O ideal é respeitar suas dificuldades e investir em atividades alternativas, como esportes e artes, que possam substituir de forma saudável o uso excessivo da tecnologia.

 

Quais mudanças emocionais ou comportamentais devem acender o alerta?

É preciso atenção quando surgem alterações como:

  1. Introspecção exacerbada repentina;
  2. Perda do interesse pelo mundo externo;
  3. Falta de socialização e isolamento;
  4. Medos extremos;
  5. Alterações de humor;
  6. Maior tendência à desatenção;
  7. Apatia ou agitação excessiva;
  8. Mudanças bruscas na aparência;
  9. Identificação com grupos hostis ou com condutas de ódio contra pessoas ou grupos.

 

Como dialogar sobre riscos sem afastar os filhos ou causar medo?

A internet é uma janela para o mundo, mas traz riscos reais. Na tentativa de proteger, pais muitas vezes exageram, usando longos sermões ou repetições. A criança percebe o medo dos pais, o que pode gerar insegurança.


É recomendado que as orientações sejam dadas com calma, voz serena e abertura para acolher dúvidas e medos. A criança precisa sentir que pode falar sobre qualquer assunto ou ameaça e será compreendida e protegida.

A tranquilidade, a preocupação genuína e a dedicação dos pais tornam-se um porto seguro, reduzindo o medo diante de ameaças externas.

Confira a primeira parte da entrevista com dicas da Psicóloga Terezinha Dutra para Proteger a Saúde Emocional das Crianças na Internet.

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicólogo(a)

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Adicione o texto do seu título aqui

Dicas da Psicóloga para Proteger a Saúde Emocional das Crianças na Internet

Cada vez mais cedo, crianças têm acesso ao universo digital — seja pelo celular que acalma no carrinho de bebê, seja pelo tablet usado para assistir vídeos no almoço de família. Mas até que ponto essa imersão precoce é saudável? Quais são os impactos emocionais de crescer conectado, exposto a padrões irreais e a relações virtuais nem sempre seguras?

Para responder essas perguntas, conversamos com a psicóloga Terezinha Dutra (@psi_tereza), especialista em desenvolvimento infantil e comportamento, que há anos orienta pais e educadores sobre os desafios de educar crianças na era digital.

Sua atuação, tanto no consultório quanto nas redes sociais, é marcada por uma linguagem clara, acessível e embasada em evidências científicas, ajudando famílias a compreenderem não apenas o que está acontecendo com seus filhos, mas por que está acontecendo.

Nesta entrevista, Terezinha aborda desde a idade adequada para entrar nas redes sociais, passando pelos impactos da comparação social online na autoestima infantil, até os riscos emocionais do contato com desconhecidos e conteúdos inadequados.

Com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da legislação brasileira, ela alerta sobre a urgência de supervisão ativa e de um diálogo aberto entre pais e filhos.

Mais do que números de curtidas ou seguidores, está em jogo a formação emocional de uma geração. O ambiente virtual pode ser uma ferramenta de aprendizado e conexão — mas, sem cuidado, também pode se transformar em uma armadilha perigosa.

Desenvolvimento e Primeiros Contatos com a Internet

Do ponto de vista da psicologia infantil, qual é a idade mais apropriada para que uma criança comece a ter contato com redes sociais?

Quando falamos em redes sociais e seus padrões de sociabilidade, precisamos pensar primeiro no conceito de tempo de tela e analisar na raiz os benefícios e malefícios do ambiente virtual.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) têm recomendações claras: crianças de até 2 anos não devem ter contato com telas, e dos 2 aos 5 anos, no máximo uma hora por dia, sempre com supervisão. Infelizmente, vemos bebês usando celulares no carrinho, o que vai na contramão dessas orientações.

Em relação às redes sociais, a legislação brasileira, por meio do Guia sobre o Uso de Dispositivos Digitais estipula a idade mínima de 13 anos para criar perfis em algumas plataformas. Mesmo assim, é indispensável o acompanhamento ativo de pais e responsáveis.

Quais são os impactos mais comuns do uso precoce de redes sociais no desenvolvimento emocional das crianças?

Vale ressaltar alguns dos impactos mais comuns, são eles:

  • alterações na qualidade do sono;
  • desregulação emocional e humor instável;
  • pouco interesse por atividades fora do ambiente virtual;
  • quadros ansiosos;
  • mudanças de comportamento que podem levar ao isolamento social e até ao desenvolvimento de transtornos depressivos.
Capa do guia do Governo Federal intitulado ‘Crianças, Adolescentes e Telas – Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais’. A imagem mostra ilustrações diversas de crianças, adolescentes e adultos usando computadores, celulares e tablets, representando diferentes perfis e situações. Na parte inferior está a logomarca do Governo Federal com o slogan ‘União e Reconstrução’.
Crianças, Adolescentes e Telas – Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais. (Governo Federal do Brasil, 2025)

Redes Sociais e Saúde Mental Infantil

Como o uso de plataformas como TikTok, Instagram e YouTube pode influenciar a autoestima e a identidade em formação?

 

As exigências irreais do mundo digital podem gerar distorções na autopercepção da criança. Quando sua identidade se forma baseada apenas na aprovação externa, cria-se uma constituição de fora para dentro, enfraquecendo a percepção real de quem ela é.

É essencial que pais e educadores fiquem atentos a sinais como autoestima baixa ou inflada, distorção de imagem corporal, atitudes excludentes e erotização precoce.

A comparação social nas redes pode afetar o bem-estar psicológico das crianças? Como identificar esses efeitos?

A comparação social online compromete o bem-estar psicológico:

  • descendente: quando a criança ou adolescente tenta proteger sua autoestima comparando-se a quem considera “inferior”, reforçando estereótipos negativos;

  • ascendente: quando a idealização do outro a coloca em posição de inferioridade.

Nos dois casos, há prejuízos emocionais significativos, que podem levar a insegurança, ansiedade e dependência constante de aprovação.

De que maneira a exposição constante a conteúdos adultos ou violentos afeta o processamento emocional infantil?

Consequências de conteúdos inadequados ou violentos:

  • assédios virtuais;

  • agressões verbais;

  • lacunas emocionais profundas;

  • prejuízo nos vínculos afetivos;

  • perda do interesse pela vida em casos extremos.

Relações Virtuais e Riscos Psicológicos

Como o contato com desconhecidos ou a busca por validação digital pode impactar a segurança emocional das crianças?

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante a integridade e segurança dos menores, e isso inclui o ambiente virtual. O contato com desconhecidos pode abrir portas para abusadores.

O acesso a conteúdos impróprios exige supervisão rigorosa — predadores sabem como atrair crianças e manipulá-las sem que elas saiam do ambiente familiar, supostamente seguro.

Orientação final da especialista

Terezinha Dutra reforça que tecnologia não é vilã — mas o uso sem supervisão, sim. O ambiente digital pode contribuir para o aprendizado, mas não substitui o brincar, o contato com a natureza, a convivência familiar e o desenvolvimento das habilidades sociais no mundo real.

O equilíbrio e a presença ativa dos pais são as chaves para garantir que a internet seja uma ferramenta de crescimento e não uma ameaça silenciosa.

Confira a segunda parte desta entrevista aqui, com dicas práticas para pais e cuidadores no site.

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicólogo(a)

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Limites de Tempo de Tela para Crianças: 5 Dicas Práticas

Como mães e pais, a tecnologia se tornou uma ferramenta quase indispensável para conciliar a rotina de trabalho com os cuidados dos filhos. Em meio a tarefas e reuniões online, dar um tablet na mão da criança pode parecer a solução mais fácil. Até se transformar em outros problemas como irritabilidade e falta de interesse das crianças!

Neste guia prático, vamos desmistificar o desafio do tempo de tela, mostrando que é possível encontrar um equilíbrio saudável.

Como profissional da área de Marketing e redação, atuo há quase 15 anos, conciliando meu emprego formal com a rotina de freelancer no home office. Depois que virei mãe, precisei pesquisar para descobrir estratégias reais e aplicáveis em nosso dia a dia com o objetivo não de proibir, mas sim transformar o tempo de tela em uma parte intencional da rotina, abrindo espaço para a criatividade e o tempo de qualidade em família.

1. O Desafio do Tempo de Tela: O que Aprendi na Prática

Hoje sou mãe de uma menina de 8 anos cheia de energia e curiosidade, sei bem como é tentador usar as telas como uma ajuda rápida durante o dia. Às vezes, no momento entre reuniões online e prazos apertados, o tablet parecia, muitas vezes, a solução mágica para garantir alguns minutos de silêncio.

Com o passar do tempo, contudo, percebi que o excesso de tempo de tela deixava minha filha mais irritada, menos disposta a brincar sozinha e até com dificuldade para dormir. Entender esses sinais — sem me culpar — foi o primeiro passo para buscar um equilíbrio realista, tanto para ela quanto para mim

2. Estabeleça Limites com Cuidado: Regras que Cabem na Vida Real

A fim de melhorar a qualidade de vida de todos, aprendi que regras funcionam melhor quando fazem sentido para a rotina da família. Não adianta criar um plano perfeito no papel que ninguém consegue seguir.

  • Janelas específicas para telas: combinamos que ela pode usar o tablet enquanto estou em reuniões mais importantes.
  • Espaços livres de telas: a mesa do almoço virou nosso momento de conversa — celular e TV ficam de lado.
  • Timers visuais: usamos um timer de cozinha colorido. Assim, quando ele apita, ela mesma já sabe que é hora de mudar de atividade.

Explicar o “porquê” dessas regras ajuda muito. Eu sempre digo: “agora é tempo de brincar, depois você pode ver seu desenho favorito.” Essa clareza torna tudo mais leve.

 

Criança escrevendo em um caderno sobre uma mesa com um notebook ao lado, exibindo tela ligada com horário e widgets.
Rebeca estudando no meu intervalo do trabalho

 

3. Ofereça Alternativas que Realmente Funcionam

No cotidiano, percebi que a melhor forma de reduzir o tempo de tela era preparar atividades interessantes para ela fazer sozinha enquanto eu trabalho. Vale ressaltar algumas das nossas atividades favoritas:

  • Caixa de tesouros: encho uma caixa com tecidos coloridos, colheres de pau, potes e coisas inusitadas. Ela adora inventar jogos com esses objetos.
  • Missões criativas: deixo lápis, adesivos e papéis à mão e proponho desafios como “desenha o lugar mais divertido do mundo” ou “faça um cartão para alguém da família”.
  • Cantinhos de desenhar e colorir: organizo livros de colorir, folhas em branco e canetinhas na mesa de estudos da família.
  • Brincadeiras de faz-de-conta: um kit simples de fantasias ou panelinhas vira palco de histórias que ela mesma cria.

Essas atividades me dão tempo para trabalhar com tranquilidade — e depois aproveitamos para brincar juntas, reforçando que o tempo offline também pode ser muito especial.

4. Crie Momentos de Desconexão com Propósito

Nem tudo precisa ser proibido — o segredo é usar as telas de forma intencional e equilibrada. Alguns rituais nos ajudam:

  • Sessão de filme com bate-papo: escolhemos juntas um filme para assistir e depois conversamos sobre a história. Assim, ela participa ativamente.
  • Fim do dia sem telas: 30 minutos antes de dormir, trocamos tablet e TV por livros e músicas calmas. Isso melhorou muito a qualidade do sono dela.
  • Pequenos intervalos offline: entre uma tarefa e outra, regamos as plantas ou damos uma volta rápida no quarteirão. São pausas simples, mas significativas.

Esses momentos fazem com que o tempo de tela seja apenas uma parte do dia — e não o centro dele.

Uma menina negra descalça fazendo uma ponte de ginástica em uma quadra poliesportiva. Ela está de costas, com os braços e pernas estendidos, mostrando sua flexibilidade.
Rebeca treinando movimentos de ginástica artística

5. Ajuste Sempre que Precisar

Percebi que não existe fórmula fixa: o que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Por isso, revisamos nossa rotina de tempos em tempos.

  • Revejo as regras regularmente: será que o tempo de tela está adequado à idade dela?
  • Escuto o que ela tem a dizer: perguntar como ela se sente com essas mudanças traz senso de participação.
  • Comemoro as pequenas vitórias: quando ela passa mais tempo brincando do que no tablet, fazemos questão de reconhecer esse avanço juntas.

Esse processo é vivo, cheio de ajustes. E tudo bem — porque o objetivo não é controlar cada minuto, mas criar uma rotina saudável e feliz para todos.

Conclusão

Limitar o tempo de tela não é sobre cortar prazeres ou seguir regras rígidas. É sobre criar espaço para novas descobertas, para o brincar livre e para a convivência.

Como mãe que trabalha de casa, sei que não é fácil — mas também aprendi que não precisa ser uma luta diária. Com organização, afeto e um pouco de criatividade, é possível encontrar equilíbrio, sem abrir mão nem do trabalho nem da infância cheia de imaginação que nossas crianças merecem viver.

 

Quer conferir todas as dicas sobre as crianças e o uso da internet? Acesse aqui.

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

4 Exercícios de Fisioterapia para Corrigir a Postura do Bebê

O uso adequado da cadeirinha de carro é essencial para a segurança, mas também tem um impacto direto na saúde postural e ortopédica do bebê.

Posturas inadequadas durante o transporte podem afetar o desenvolvimento musculoesquelético do bebê. A fisioterapia preventiva orienta pais sobre o uso correto da cadeirinha de carro, ajudando a evitar problemas posturais e ortopédicos.

Segundo a fisioterapeuta Dra. Luciana Luz, especialista em saúde materno-infantil, a escolha adequada da cadeirinha e o tempo de uso são essenciais para garantir a segurança e o desenvolvimento saudável do bebê.

A Importância de Avaliar a Postura do Bebê Durante o Uso da Cadeirinha de Carro:

Como os fisioterapeutas podem avaliar a postura de um bebê enquanto está na cadeirinha de carro?

O fisioterapeuta observa o bebê posicionado na cadeirinha, preferencialmente com o bebê acordado e tranquilo. Garantir o bom posicionamento do bebê na cadeirinha é essencial para a segurança e o desenvolvimento saudável.

É importante observar o alinhamento da cabeça, pescoço e coluna, a simetria dos ombros, quadris e pés, além do apoio adequado das costas. A posição ideal do quadril é em “M”, prevenindo displasia. Fique atento a sinais de pressão na pele, dificuldades respiratórias e postura encurvada, que podem indicar riscos à saúde.

 

Dependendo da idade do bebê, o fisioterapeuta analisa o controle postural da seguinte forma:

  • Manter a cabeça na linha média sem apoio;
  • Sustentar o tronco de forma estável (em bebês mais velhos);
  • Reagir de forma adequada a mudanças de posição ou estímulos (indicador do desenvolvimento neuromotor).

Após a avaliação, o fisioterapeuta fornece dicas para melhorar o posicionamento na cadeirinha (como ajustar inclinação ou usar redutores), dar recomendações sobre tempo máximo de uso contínuo; ndicação de modelos de cadeirinhas mais adequados, se necessário e sugestões de exercícios ou posturas complementares fora da cadeirinha, para estimular o desenvolvimento

 

Como a posição de repouso inadequada pode influenciar o alinhamento da coluna do bebê?

A posição inadequada de repouso pode prejudicar o desenvolvimento das curvas naturais da coluna do bebê, causar desalinhamentos e assimetrias.

Posturas mal apoiadas geram pressão desigual e limitam os movimentos, dificultando o fortalecimento muscular e o desenvolvimento motor.

Além disso, o repouso prolongado em posições incorretas pode causar plagiocefalia e torcicolo, afetando o eixo corporal.

Quais são os principais sinais de que o bebê está com a postura incorreta na cadeirinha de carro?

 

Reconhecer os sinais de postura incorreta do bebê na cadeirinha de carro é fundamental para prevenir desconfortos, complicações ortopédicas e até riscos respiratórios. Abaixo estão os principais sinais de alerta, observados tanto por profissionais quanto pelos pais e cuidadores:

  • Cabeça inclinada constantemente (“tombada”) para o lado ou para frente;
  • Assimetria da cabeça; quando a cabeça está constantemente virada para o mesmo lado.
  • Inclinação ou torção do tronco; bebê parece estar “afundado” ou com o corpo torto na cadeirinha.
  • Ombros em alturas diferentes ou deslocados para frente; indicando cinto mal posicionado ou mau encaixe da criança.
  • Quadris estendidos ou joelhos esticados;
  • Pernas cruzadas ou espremidas;
  • Choro frequente ou estado de irritação; pois desconforto constante, pode ser um sinal claro de má postura ou dor.

Efeitos de Uso Prolongado e Inadequado das Cadeirinhas de Carro:

Quais os efeitos a longo prazo do uso incorreto de cadeirinhas de carro na saúde ortopédica infantil?

  • Alterações posturais:
    Posições incorretas podem causar desvios na coluna e assimetrias no corpo.

  • Desenvolvimento motor prejudicado:
    A má sustentação do corpo interfere no fortalecimento muscular e no alcance de marcos motores.

  • Compressões e sobrecargas articulares:
    Posições inadequadas geram pressão excessiva em quadris, ombros e coluna, podendo causar dores e alterações estruturais.

  • Desvios nos membros inferiores:
    Ajustes incorretos dos cintos ou da base da cadeira podem afetar o desenvolvimento saudável das articulações dos quadris e joelhos.

Como o uso prolongado da cadeirinha pode afetar os músculos e articulações do bebê?

 

O uso incorreto e prolongado da cadeirinha de carro pode ter efeitos negativos significativos a longo prazo na saúde ortopédica infantil e também no desenvolvimento neuromotor, especialmente quando o bebê é exposto a posições inadequadas repetidamente nos primeiros meses e anos de vida — período crítico para o desenvolvimento musculoesquelético.

 

Como os Fisioterapeutas Podem Orientar os Pais para Evitar Problemas Posturais

 

Quais orientações os fisioterapeutas devem dar aos pais sobre o ajuste correto da cadeirinha de carro?

É importante que os pais sigam as seguintes dicas:

  • Garantam que o bebê repouse com a coluna alinhada e bem apoiada.

  • Variem as posições ao longo do dia (colinho, barriga para baixo com supervisão, tempo no chão).

  • Usem as cadeirinhas e carrinhos apenas pelo tempo necessário — não como local principal de repouso.

  • Observem sinais de desconforto, assimetria ou atraso motor e procurar orientação precoce.

Quais dicas práticas os fisioterapeutas oferecem para melhorar o conforto e reduzir o risco de problemas posturais no bebê durante viagens?

O bebê pode apresentar tensões musculares leves, principalmente na região cervical, dorsal e quadris em viagens ou rotinas com deslocamentos frequentes. Exercícios simples e seguros de fisioterapia podem ajudar a aliviar essas tensões e promover o equilíbrio postural.

Exercícios de Fisioterapia para Bebês em Cadeirinhas de Carro:

Quais exercícios simples de fisioterapia podem ajudar a aliviar tensões musculares causadas pelo uso da cadeirinha de carro?

Exercícios que auxiliam o bebê pós-cadeirinha:

  1. Tummy Time (Tempo de Bruços)
  • O que é: Colocar o bebê de bruços por alguns minutos, sob supervisão.
  • Benefícios: Fortalece o pescoço, ombros, costas e quadris; alivia compressões causadas pela posição sentada.
  • Duração: Iniciar com 3–5 minutos e aumentar gradualmente conforme a tolerância do bebê.
  • Dica: Pode ser feito no chão, sobre um tapete, ou no colo dos pais.

Mulher de pele clara, cabelos escuros presos e vestindo jaleco cinza, sorri enquanto segura uma menina pequena com síndrome congênita, pele clara, usando faixa rosa na cabeça, camiseta branca estampada com desenho infantil e shorts jeans, dentro de ambiente hospitalar com equipamentos ao fundo.

 Luciana Luz com a paciente

2. Alongamento suave dos ombros e braços

  • Como fazer: Com o bebê deitado de barriga para cima, segure gentilmente seus braços e estique suavemente para cima e depois para os lados, formando um “T”.
  • Objetivo: Liberar tensões dos ombros e peitoral.
  • Frequência: 2 a 3 vezes por dia, com 3 repetições leves.

3. Mobilização de quadril (bicicletinha)

  • Como fazer: Com o bebê deitado de barriga para cima, simule o movimento de pedalar com as perninhas.
  • Objetivo: Mobilizar quadris e joelhos, estimular circulação e aliviar rigidez da região lombar.
  • Dica: Pode ser acompanhada de músicas e contato visual para manter o bebê tranquilo.

 

4. Alongamento cervical

  • Como fazer: Com o bebê deitado, toque suavemente o lado do pescoço que parece mais tenso, incentivando o bebê a virar a cabeça para o lado oposto (usando brinquedos ou sons).
  • Objetivo: Aliviar encurtamento muscular em casos de torcicolo leve ou preferência postural.
  • Importante: Não forçar o movimento. Deve ser feito com leveza e atenção à reação do bebê.

 

Como os pais podem realizar esses exercícios de forma segura e eficaz com os bebês?

Alguns cuidados importantes devem ser tomados durante os exercícios. Estes devem ser suaves, sem causar dor ou desconforto, caso o bebê chore ou demonstre resistência, interrompa e tente novamente mais tarde e se houver assimetria persistente, atraso motor ou suspeita de displasia, o ideal é procurar um fisioterapeuta pediátrico para avaliação individual.

Quando é o momento certo para os pais procurarem a ajuda de um fisioterapeuta para tratar dores posturais decorrentes do uso de cadeirinhas?

Os pais devem considerar procurar um fisioterapeuta pediátrico assim que perceberem sinais de desconforto ou alterações posturais relacionadas ao uso da cadeirinha de carro. A intervenção precoce é essencial para prevenir complicações a longo prazo e promover um desenvolvimento motor saudável.

Conclusão

Os fisioterapeutas pediátricos desempenham um papel crucial na orientação e prevenção de problemas posturais causados pelo uso inadequado de cadeirinhas de carro. Com a abordagem preventiva e a educação dos pais, podemos garantir que as crianças se desenvolvam de forma saudável, evitando problemas ortopédicos a longo prazo.

Caso precise de auxílio profissional para seu filho, procure um especialista.

Confira mais recomendações de sobre o uso das cadeirinhas aqui e no site mybbcare.com

Mulher de cabelos escuros, lisos e médios, sorrindo, vestindo uma blusa estampada de folhas em tons verdes e bege, sobre fundo branco.

Fisioterapeuta

Dra. Luciana Luz

Mestre em Saúde Materno Infantil pela UFF, Especialista em Fisioterapia Hospitalar pela UNIGRANRIO, Pós-graduada em Cardiologia Pediátrica e Neonatal no INC. Possui MBA em Gestão de Projetos pela UERJ, atua como Avaliadora ONA (Organização Nacional de Acreditação). Coordenadora da Pós-graduação em Fisioterapia Intensiva Pediátrica e Neonatal no Grupo Prontobaby. CREFITO2/75453F

Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Redatora bilíngue português/inglês, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Segurança Infantil na Internet e o Uso Equilibrado das Telas

Nesta entrevista, destacamos a participação da educadora parental especialista em Parentalidade Positiva, Rose Shayene, pedagoga e palestrante dedicada ao tema da educação inclusiva.

 

A segurança infantil na internet tornou-se uma preocupação crescente para pais, cuidadores e educadores, especialmente diante do contato inadequado e do acesso a conteúdos impróprios pelas crianças.

Visando orientar as famílias, conversamos com especialistas de diferentes áreas, como cibersegurança, psicologia, educação e saúde mental, para entender como promover um ambiente digital mais seguro e equilibrado para as crianças.

Pedagoga e mãe atípica, Rose compartilha sua experiência no trabalho com sensibilização e palestras para famílias e professores da rede pública, reforçando a importância de unir educadores e comunidade para construir ambientes acolhedores e inclusivos.

Entrevista Exclusiva: Dicas para um uso equilibrado de telas em família

Como o uso excessivo de telas afeta o diálogo entre pais e filhos?


O uso excessivo de telas cria uma barreira invisível na comunicação familiar. Ao priorizar os dispositivos, perdemos momentos importantes de conexão com nossos filhos.

O diálogo presencial é essencial para compreender emoções e necessidades. Reservar momentos sem telas, como nas refeições, ajuda a fortalecer os vínculos familiares.

De que forma a presença constante de dispositivos interfere na atenção e na concentração escolar?


A distração gerada pelo uso frequente de dispositivos eletrônicos dificulta a capacidade de concentração das crianças nas atividades escolares. Quando elas se acostumam a alternar entre diversos estímulos digitais, manter o foco se torna um desafio, gerando frustração e desmotivação para aprender. Criar ambientes de estudo sem distrações é fundamental para apoiar o desenvolvimento acadêmico.

Quais estratégias ajudam as famílias a equilibrar o tempo de tela e as interações familiares?


Definir limites claros e horários específicos para o uso de telas é essencial. Envolver as crianças na escolha de conteúdos também promove consciência digital. Além disso, propor atividades familiares longe da tecnologia — como jogos de tabuleiro, passeios ao ar livre ou momentos de leitura — fortalece as conexões e estimula conversas de qualidade.

Como o uso de telas impacta o desenvolvimento das habilidades sociais das crianças?


O excesso de telas pode reduzir as oportunidades de praticar habilidades sociais reais, como empatia e comunicação face a face.

As interações presenciais são fundamentais para o desenvolvimento social. Incentivar momentos em família sem tecnologia ajuda as crianças a se expressarem melhor e a lidarem com situações sociais de forma mais natural.

Mulher negra de pele escura e cabelos trançados sorrindo, sentada ao ar livre ao lado de dois meninos negros, um adolescente de óculos e um mais novo, todos sorrindo, em ambiente de shopping com árvores ao fundo.
Caio, Guilherme e Rose

 

Existe algum tempo diário, semanal ou mensal máximo que as crianças não devem exceder?

É recomendado limites diários de cerca de 1 a 2 horas de tela para crianças mais velhas (acima de 6 anos). Para crianças menores, o ideal é evitar por completo o tempo em telas fora das videochamadas com familiares.

Qual a melhor forma de estabelecer limites saudáveis de tempo de tela?

A melhor abordagem é criar regras claras em conjunto com as crianças. Explique os motivos por trás dos limites e envolva-os na definição de horários. Isso promove um sentimento de responsabilidade e compreensão.

Quais sinais de alerta os pais devem observar no comportamento on-line dos filhos?

É importante destacar alguns dos comportamentos mais comuns:

Mudanças de humor, agressividade ou irritação após o uso de telas são sinais importantes. Também vale observar o hábito de se isolar para usar dispositivos, evitar conversas sobre o que estão vendo ou com quem estão falando, ou ainda fechar portas e esconder o conteúdo consumido.

De que forma o consumo de conteúdo digital influencia a motivação e o engajamento escolar?


Conteúdos digitais frequentemente oferecem recompensas imediatas, o que pode tornar os estudos menos atraentes. Para manter o engajamento escolar, é interessante conectar os interesses digitais das crianças aos conteúdos escolares, mostrando como o que aprendem na escola pode ser aplicado no mundo virtual de maneira construtiva.

Quais sinais indicam que o uso de telas está prejudicando a comunicação familiar?

Falta de atenção durante conversas, irritação ao desligar os aparelhos ou recusa em participar de momentos em família podem ser sinais de alerta. Nessas situações, vale ter um diálogo aberto e acolhedor sobre o uso da tecnologia, para que todos possam refletir e construir juntos regras mais saudáveis para o ambiente familiar.

Ferramentas e soluções

O que você acha de ferramentas como o Kaspersky Safe Kids? Elas realmente funcionam?

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids podem ser úteis para ajudar os pais a monitorarem atividades online e estabelecê-los limites para crianças e adolescentes. No entanto, elas devem ser vistas como um complemento ao diálogo aberto entre pais e filhos sobre segurança digital.

Tela de login do controlo parental Kaspersky Safe Kids em diferentes dispositivos, permitindo aos pais proteger o acesso aos desenhos animados e outros conteúdos online.

Como a tecnologia pode ser uma aliada dos pais na proteção digital?

A tecnologia oferece recursos valiosos para proteger nossas crianças, desde filtros de conteúdo até aplicativos educativos que promovem o aprendizado seguro.

Utilizar essas ferramentas com uma comunicação saudável pode ajudar muito na proteção digital.

 

Conclusão: Construindo hábitos digitais saudáveis em família

A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e pode ser uma grande aliada na educação e no lazer das crianças. No entanto, quando utilizada de forma excessiva ou sem acompanhamento, pode comprometer a comunicação, o aprendizado e as habilidades sociais, além de afetar o bem-estar de toda a família.

O diálogo constante, o estabelecimento de limites claros e a criação de momentos offline são estratégias fundamentais para equilibrar o uso de telas. Envolver as crianças nessas escolhas, mostrando o valor das interações presenciais e do convívio familiar, contribui para o desenvolvimento de hábitos digitais mais conscientes e saudáveis.

Ao unir a participação ativa de pais, cuidadores e educadores, conseguimos promover ambientes mais acolhedores, seguros e inclusivos — dentro e fora do mundo digital.

Leia mais sobre segurança digital para as crianças aqui.

Mulher negra de pele escura, com cabelo trançado e colar dourado, sorrindo em frente a um painel de fundo amarelo e cinza com a frase “Mães Negras” repetida várias vezes, usando vestido estampado colorido.

Pedagoga e Educadora Parental

Rose Shayene

Mãe atípica que atua na área de Educação há mais de 14 anos. Com experiência no Ensino Fundamental I e II e colaborou com organizações não governamentais (ONGs) de apoio a pessoas com deficiência. Palestrante engajada, compartilha seus conhecimentos em eventos voltados para educação inclusiva e parentalidade positiva.

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Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.