Rotina de uma Família de 7 (em ensino doméstico)

Nunca tive hábitos rotineiros e não considerava a rotina relevante para o sucesso pessoal e familiar.

Tudo mudou quando fui grávida de primeira viagem e comecei meu estudo sobre parentalidade. Deparei-me logo com a evidência: a rotina é essencial para a vida familiar.

Então, decidimos aplica-la desde o início e pela experiência posso dizer que os benefícios são infindáveis: potencializa o tempo de cada membro da família, promove a harmonia no lar, capacita a cognição e o foco das crianças (e dos adultos) – maior sucesso académico, reduz os níveis de estresse, fortalece o vínculo afetivo familiar, entre muitos outros que fomos descobrindo com o tempo.

Nossa rotina percorreu um longo caminho desde a vida de filho único à vida no campo com cinco filhos em ensino doméstico, mas a base manteve-se. Esta base foi construída com estudo, experiência, erros e acertos e sob esta estrutura fomos (e vamos) moldando as nossas decisões consoante às necessidades familiares – tendo em consideração os objetivos e as peculiaridades de cada membro familiar naquele período de tempo –  e considerando, claro, a quebra da rotina, igualmente essencial para a fluidez saudável do nosso cotidiano.

Partilho então, a nossa rotina atual como família com cinco filhos em ensino doméstico:

Acordo antes das crianças para ter o meu tempo de preparação para o dia . Não que eu seja uma  morning person, pelo contrário, mas as forças das circunstâncias trouxeram-me para este lado da vida (os benefícios que retiro desde hábito não têm preço). Abdicar deste tempo é passar o dia fugindo da bola de neve, em resoluções de urgências atrás de urgências.

6:00 – Levantar instantaneamente, evitando pensar muito.

Se hesito, logo encontro uma interminável lista de motivos para ficar na cama. O segredo está em pensar e planear previamente e, no momento, agir – obedecendo nossas prévias decisões.

Desta forma, não caímos nos engodos momentâneos que tantas vezes tramam nossos projetos futuros.

Utilizo este tempo para orar e meditar (pode ser utilizado para ler ou escrever) e pratico exercício logo a seguir.

7:15 – As crianças começam a acordar, uma a uma, cada uma a seu tempo.

8:00 – Pequeno almoço.

8:30 – Preparação matinal.

Visto a mais nova (de dois anos). Cada criança arruma a sua própria cama e veste-se sozinha (a partir dos 4 anos). Ficamos todos arranjados para começar o dia mas antes, há sempre um tempo para brincadeira.

9:00 – As filhas mais velhas começam o estudo.

Alinho as matérias que se vão dedicar a cada dia, reservando uma atenção especial individualmente ao longo da manhã. Elas estudam durante durante 20 à 30 minutos de cada vez com um intervalo a intercalar.

A prioridade matinal é o estudo mas, toda mãe é multitasking (naturalmente ou, mais uma vez, pela força da circunstância) e se não há tempo, arranjamos para ainda dar atenção aos filhos mais novos, organizar a roupa da casa e preparar o almoço. 

12:00 – Almoço.

As meninas põem a mesa, às vezes os menores me “ajudam” a preparar o almoço ou a tirar a loiça da máquina.

A minha capacidade de gestão neste momento do dia é sempre posta à prova. Ao longo dos anos notei que o truque é focar no essencial e tentar desfrutar de cada momento. Ajudou-nos termos tentado incluí-los nos afazeres de casa desde cedo. Potencializou o desenvolvimento dos meus filhos, a sua autonomia, confiança, foco, entre muitos outros benefícios que vão brotando. E claro, sem contar com a harmonia da nossa rotina.

Almoçamos todos juntos em família.

É inegociável alguém comer sozinho ou com a companhia de alguma tela/jornal. Durante o almoço, desfocamos do que ficou por fazer ou o que ainda precisa ser feito. Tentamos que o ambiente seja agradável e que estejamos verdadeiramente presentes e disponíveis uns para os outros.

Logo a seguir, todos ajudam um pouco e logo correm para o quintal. Eles brincam enquanto finalizo a cozinha.

13:30 – Os mais novos vão dormir.

Durante este tempo, as mais velhas ficam no momento da leitura ou noutra atividade calma e silenciosa. Neste momento (e à noite), a casa está silenciosa. Respeitamos o descanso dos mais novos e permitimos à nossa mente um momento sem ruídos.

Reservo este espaço também para mim: uma pequena pausa no meio do dia para um café tranquilo, um momento de leitura, um banho de sol ou simplesmente conversas com outras pessoas.

É para mim, imprescindível retirar desta pausa algum prazer para descansar a alma.

14:00 – Voltamos ao estudo.

Desta vez mais leve. Reservo para aqui as atividades mais artísticas, lúdicas, trabalhos no exterior ou musicais, deixando livre para cada um explorar os seus interesses.

15:00 – Acabaram-se os estudos, os pequenos acordam.

15:30 – Lanche

Para as mais velhas o lanche é, muitas vezes, na escola local com os colegas (quando vão atendem às atividade extra curricular AEC’s)

16:00 – Saem com o pai para o exterior

Dependendo do dia, as crianças atendem às aulas de ténis ou às atividade no campo de desporto. Quando não vou com eles, aproveito para focar-me na organização da casa, outros trabalhos pendentes, pequenos compromissos.

19:00/19:30 – Jantar.

E logo a seguir temos o momento de leitura para as crianças, conversas, jogos interativos, entre outras atividades que envolva quase todos e que seja uma ponte para repousar o corpo e transitar para o descanso.

20:00 – Subo com as crianças para o banho e higiene.

Depois, religiosamente, temos nosso momento de gratidão, onde damos espaço para agradecer as pequenas e grandes graças que recebemos ao longo do dia. Lembramos se alguém precisa de alguma atenção especial – disponibilizo-me para conversas individuais que sejam necessárias. Oramos e com um beijo deixo-os na cama para dormirem.

Com a mais nova, enquanto a embalo, canto uma música calma e deixo-a no berço com um beijo de boa noite e, assim como fazemos com os irmãos, ela adormece sozinha no seu berço.

Conclusão

 

Agora, temos colhido inúmeros frutos ao seguir esta rotina. Um deles é ter tempo para nós depois que as crianças dormem. Como descansam às 20:30, reservamos este tempo da noite para nós

Também colhemos diariamente o fruto da autonomia das crianças. Não só os capacitar para a vida e permite que se desenvolvam com maior confiança, como também proporciona uma harmonia preciosa no cotidiano familiar.

Para este efeito, incentivamos nas crianças simples capacidades como: vestirem-se sozinhos (deixo a muda de roupa separada), depositar a roupa suja no cesto, dobrar a roupa limpa, dispor a mesa, retirar a mesa, deixar seus brinquedos arrumados, calçar e guardar os próprios sapatos, vestir e guardar o casaco no local correto, guardar a lancheira da escola, escovar os dentes, pentear o cabelo, ir ao mercadinho local comprar pequenos items, fazer a própria cama (vai aprimorando conforme vão crescendo), entre outras atividades. Aconselhamos vivamente o incentivo (sem pressão ou ansiedadade, antes, entusiasmo) dos pais aos filhos no cumprimento destas pequenas tarefas cotidianas desde cedo para que se transforme num hábito adquirido, tornando-se leve e automático.

Em conclusão, depois de pesquisa mas sobretudo de experiência, constatamos que, realmente, a rotina é essencial. Não só para a harmonia familiar, como também para atingir os objetivos de cada membro familiar. 

O benefício abrange todos e cada um.

mulher com o cabelo castanho escuro com cumprimento médio, vestida de amarelo com brincos compridos amarelos, corrente dourada sob o fundo neutro (muro bege texturizado). Ela sorri, contente.

Escrito por

Mariana Ribeiro

Mãe de cinco filhos em ensino doméstico. Apaixonada por filosofia, psicologia e educação. Estuda e escreve sobre família e desenvolvimento humano. @Marianaparaizoribeiro

Homeschooling: Benefícios e Desafios para Pais e Filhos

Homeschooling, ou ensino doméstico, é uma modalidade de ensino em que o aluno desenvolve o processo educativo fora do contexto escolar.

Os pais, que optam por esta via, assumem a responsabilidade na educação multidisciplinar dos filhos, tomando o lugar do professor. 

Estas famílias obtém uma maior flexibilidade em diversos campos – no método de aprendizagem, nos horários, nos locais de ensino – adequando tudo ao ritmo de cada criança e a todos do lar.

Origem

 

A educação domiciliar cresceu exponencialmente em todo o globo nestes últimos anos e, por isso, muitos tendem a considerá-la uma prática recente. Contudo, esta modalidade foi, na verdade, a única existente desde os primórdios da humanidade e perdurou durante séculos. 

A educação massificada, como hoje conhecemos, surgiu somente no final do séc.XIX, com as escolas compulsórias a surgir de braços dados com a Revolução Industrial. A forma natural de educação, onde o conhecimento é passado dos pais para os filhos, dentro do ambiente familiar, chamada homeschooling, voltou em voga apenas nestes últimos anos e está a encantar muitas famílias no mundo inteiro. 

Benefícios do Homeschooling para Pais e Filhos

 

Horário flexível e personalizado

 

A prática do ensino doméstico possui inúmeros benefícios, não só para as crianças como para toda a família. O primeiro benefício que a família nota é o da flexibilidade de horários e do local de aprendizagem. Esta liberdade permite potencializar a aprendizagem pela capacidade de adaptação/alteração do ambiente e do método de ensino em prol das necessidades individuais do aluno de forma exclusiva. Esta flexibilidade torna o dia-a-dia mais leve e harmonioso.

Enquanto na escola temos o horário imposto pela instituição, no homeschooling quem dita as regras é a família.

Afetividade e valores familiares

 

No ensino público, as crianças passam, compulsoriamente, entre 6 a 10 horas por dia fora de casa, consoante o país. Já o homeschooling permite à criança muito mais tempo em família, fortalecendo as relações familiares, que é primordial para um desenvolvimento saudável.

 

Ampliação do conhecimento para todos

 

No processo, os pais aumentam e aprofundam o seu conhecimento, partilhando experiências memoráveis com os filhos. É um processo de enriquecimento para todos.

 

Convívio intergeracional

 

Além do fortalecimento dos laços familiares, a criança tem mais oportunidades de viver em comunidade. Convivendo com pessoas de diversas faixas etárias, quer sejam vizinhos, o senhor da loja, primos, avós e bisavós. Ela cresce de uma forma ampla e íntegra, contrastando com a escola, onde o convívio é,  na maior parte do tempo, somente com crianças da mesma faixa etária, embora os vários níveis se possam encontrar em horário de recreio.

 

Ensino personalizado com flexibilidade curricular

 

Um dos benefícios mais importantes é o facto do homeschooling não ser massificado como o é o formato escolar. A aprendizagem no ensino doméstico é particular e adequado a cada criança, tornando-se geralmente mais eficaz e, por isso, ganha-se valioso tempo. 

 

Maior eficiência

 

Os dados indicam que um homeschooler tem sucesso académico acima da média, melhor foco e mais tempo livre que um aluno que frequenta o ensino público. A eficácia desta modalidade dá-se pela qualidade da comunicação e pelas circunstâncias diferenciadas: quem leciona está a comunicar diretamente – o feedback é instantâneo – conhece o aluno como ninguém – geralmente a mãe ou o pai –  e é realizada na segurança do seio familiar, com metodologias personalizadas.

Não é por acaso que este foi o sistema que perdurou durante tanto tempo na humanidade, por nos ser natural, flexível e visivelmente eficaz.

Desafios do Homeschooling para Pais e Filhos

 

Apesar do homeschooling ser um sistema natural e, como muitos defendem, uma extensão da parentalidade, não deixa de ser desafiante pô-lo em prática nos dias de hoje. 

 

Disponibilidade e Finanças

 

Para dar início ao homeschooling, precisamos da disponibilidade de um dos pais que vai assumir a educação dos filhos. Isto implica abdicar de parte, ou totalmente, de um dos rendimentos monetários. Economicamente pode ser extremamente impactante ou até impossível para algumas famílias. 

No meu caso particular, foi necessária uma mudança de carreira por parte do meu esposo, para poder sustentar toda a família, e para me permitir dedicar inteiramente à educação dos nossos filhos e das tarefas domésticas.

 

Socialização (ou falta dela)

 

O assunto mais polêmico no homeschooling é, sem dúvida, a socialização (ou falta dela). 

Como mencionado anteriormente, o convívio em comunidade tem um forte impacto no desenvolvimento infantil. Esta modalidade acaba por incentivar este estilo saudável quando comparado ao convívio “paralelo” de pessoas da mesma faixa etária, imposto nas escolas. 

Mas, ainda assim, é verdade que a socialização de crianças com crianças é essencial e pode ser um desafio para os homeschoolers nos dias actuais. 

No caso de famílias que não tem a capacidade de ingressar numa comunidade de homeschooler locais, e onde ambos os pais trabalham, acaba por ser quase inevitável os filhos passarem o dia na instituição. Podem ainda ficar em atividades extra-curriculares, o que acaba por ocupar todo o tempo livre da criança durante a semana. 

Os homeschoolers que não têm a oportunidade de conviver com seus pares, pois estes estão na escola, e por falta de outras famílias que pratiquem o ensino doméstico dentro da sua localidade, deparam-se com o famoso desafio da socialização. 

Estas famílias recorrem aos intervalos das atividades extra-curriculares – que muitas vezes são demasiado corridos para ter uma socialização eficaz – ou os pais têm de se esforçar por combinar encontros entre as crianças para preencher esta lacuna.

 

Pedagogia

 

O último desafio é o da pedagogia em si. 

É verdade que qualquer pai que tenha uma licenciatura (grau mínimo obrigatório para ser homeschooler em Portugal), tem o domínio do conteúdo elementar a lecionar, e, com o apoio da internet, pode ter contacto com outras comunidades. Mas a pedagogia não deixa de ser uma Arte. 

E, como qualquer arte, requer conhecimento de como aplica-la, requer prática, paciência, etc. Tudo isto leva estudo e tempo e, dependendo dos pais, pode ser um desafio de grau maior.

 

Família numerosa

 

Múltiplos filhos na prática do homeschooling pode ser desafiador, principalmente quando surge um irmão novo. Nestes casos ter uma rede de apoio que permita dividir as tarefas – um familiar, o parceiro ou até profissionais (para ajudar a cuidar da casa, das aulas ou com o bebé) – pode ser essencial nesta fase exigente.

 

Domínio emocional

 

Apesar do homeschooling trazer imensos benefícios, há que ter em conta os desafios que serão enfrentados. Para ensinar, principalmente os filhos, é preciso ter uma consciência e prática constante no auto-domínio das emoções

Nada de novo para quem é pai ou mãe. São aptidões que vamos apurando ao vivermos naturalmente a parentalidade. No entanto, durante o ensino doméstico, é-nos exigido um controlo mais sólido e contínuo. 

 

Gestão de tarefas

 

Normalmente quem ensina em casa trata também dos afazeres domésticos. Há que ter em conta a gestão e conciliação do ensino com os afazeres. Demanda atenção e foco constante.

 

Contudo…

 

Estes aspectos são apresentados como dificuldades, mas a verdade é que quando superadas, contribuem enormemente para a harmonia familiar e para a edificação de cada membro da família.

Todos os desafios são superados em conjunto, tornando o homeschooling um processo único de crescimento holístico, não só do educando como de toda a família. Consequentemente, é também uma valiosa contribuição para a sociedade.

menino com cabelo castanho claro debruçado sobre um livro, apontando para o mesmo. Tem uma camisa as ricas azul escuro e cinzento e o livro está sobre uma mesa castanha escura.

Como Começar o Homeschooling?

 

Em Portugal, o ensino doméstico está regulamentado pelo Decreto-Lei n.º 70/2021, de 3 de agosto. É legal e qualquer família que resida em Portugal, em que um dos membros possua uma licenciatura (validada em Portugal), é elegível para ingressar no ensino doméstico. 

O primeiro passo consiste em matricular o educando na escola ou colégio, com um pedido por escrito, direcionado ao diretor. Deve expressar o motivo de interesse no ensino doméstico, com os documentos anexados (para saber mais acesse: adicionar aqui o link do artigo “Homeschooling em Portugal: Aspectos Legais e Como Cumprir a Legislação).

Após a aprovação, os pais comunicam o Plano Educativo (verbalmente ou por escrito) onde descrevem o plano geral pragmático que irão implementar. O diretor estabelece então  um professor-tutor que irá guiar o encarregado de educação. Acordam a frequência das reuniões ao longo do ano e é formulado um contrato (Protocolo de Colaboração). 

A partir daí, o encarregado de educação terá a liberdade de começar o homeschooling, registrando os trabalhos essenciais para depois os apresentar nas reuniões com o professor-tutor. Estas reuniões terão o propósito dar a assistência e guiar o encarregado de educação. 

Em Portugal as famílias tem a associação MEL (Movimento de Ensino Livre) disponível para dar assistência às famílias em ensino doméstico.

Reflexão final de uma família homeschooler

 

Como resposta aos incontáveis entraves que encontramos na educação pública actual – declínio significativo da qualidade de ensino, excessiva retenção das crianças fora do seio familiar, normalização de certos valores incompatíveis aos da família-tradicional, aumento da insegurança física e emocional, etc. – vemos o ensino doméstico como uma via mais sensata e eficaz, por dar primazia à liberdade consciente de educação dos pais aos seus filhos.

Apesar de imperfeitos, ninguém substitui o pai ou a mãe. Nosso papel é único. E assumindo esta responsabilidade de forma íntegra, crescemos todos juntos: família e sociedade. É no fundo, uma forma natural que sempre existiu e que vale a pena ser restaurada. 

mulher com o cabelo castanho escuro com cumprimento médio, vestida de amarelo com brincos compridos amarelos, corrente dourada sob o fundo neutro (muro bege texturizado). Ela sorri, contente.

Escrito por

Mariana Ribeiro

Mãe de cinco filhos em ensino doméstico. Apaixonada por filosofia, psicologia e educação. Estuda e escreve sobre família e desenvolvimento humano. @Marianaparaizoribeiro

8 Dicas Para Dividir Atenção Entre os Filhos na Ótica de uma Mãe de 5 II

Esta é a Parte II do passo-a-passo prático para pais de famílias numerosas gerirem a atenção entre os filhos de forma harmoniosa. O artigo completo é constituído por: Parte I, parte II e parte III.

4. Como ensinar meus filhos a respeitarem o espaço e as necessidades uns dos outros?

 

Empatia

 

Toda criança (e adulto) é movida pelas emoções. Compreendem, conforme crescem, que estas têm nomes e que todo ser humano também passa pelo mesmo. Este entendimento é naturalmente adquirido enquanto brincam e se relacionam. Podemos promovê-lo desde cedo, com conversas e gestos que vão de encontro a esta empatia.

A empatia também pode ser trabalhada pelos pais e quanto mais cedo, melhor. A forma como intervimos nos conflitos é essencial para tal – presença de qualidade, ouvir e resolver de forma justa – esta consistência irá moldar a percepção dos filhos sobre a realidade, irão entender que fazem parte de um todo e que somos todos feitos essencialmente do mesmo. Esta noção base já será suficiente para guiá-los ao respeito mútuo e às necessidades dos outros.

 

Espaço individual

 

Sobre o espaço, deixo o que praticamos em nossa família como sugestão:

Aqui em casa os irmãos dormem juntos mas faço questão que cada criança tenha a sua mesa de cabeceira com suas gavetas, onde guardam os pertences pessoais. Também têm uma caixa onde cada um guarda os seus brinquedos. 

Todos entendem que algumas coisas pertencem só a uns, e que precisam de permissão para usar. O dono pode permitir ou não, e como desde cedo é trabalhada a empatia, sugerimos sempre a bondade (imaginar como a outra pessoa se sente) mas não a impomos. Às vezes emprestam, outras não. E tudo bem, o outro tenta entender o que é estar na posição do irmão. Entendem-se sempre? Também não. É um aprendizado, mas na maioria das vezes, sim, respeita-se a decisão. Esta gestão, deixamos ao encargo total dos nossos filhos. 

5. Quais estratégias posso usar para que todos se sintam incluídos nas atividades familiares?

 

Refeição à mesa

 

Por vezes, procuramos por soluções novas e instantâneas mas as soluções que perduraram por gerações, só perduraram porque realmente funcionam. Uma delas é o hábito da refeição à mesa.

Todos presentes, sentados, sem dispositivos e atentos uns aos outros. É neste momento que cada um tem o seu espaço para falar e ser ouvido. É onde, apesar das idades e diferenças, mantém-se uma mesma conversa entre todos. Evita-se aproveitar para resolver conflitos, que o bom ambiente fale mais alto e os pais têm sempre o olho atento para que todos tenham o seu espaço. 

Se for realizado, inegociavelmente, todos os dias desta forma, toda a dinâmica da família em outras atividades familiares terão esta conduta de atenção individual mútua.

Temos vivido isto em nosso lar e os resultados são surpreendentes.

 

Conversa particular

 

Antes de dormir é, também, um excelente momento para sentar com cada um: olhar nos olhos e ter uma pequena conversa, se sentir que precisam.

Um olhar atento e presente dos pais, vai sempre detectar se precisa dar mais atenção a algum filho em particular e este é um momento propício para fechar o dia com uma boa conexão pessoal. 

 

Comunicação entre o casal

 

As conversas reflexivas entre cônjuges a priori também auxiliam este olhar atento que vai se tornando mais eficaz com o passar do tempo.

mulher com o cabelo castanho escuro com cumprimento médio, vestida de amarelo com brincos compridos amarelos, corrente dourada sob o fundo neutro (muro bege texturizado). Ela sorri, contente.

Escrito por

Mariana Ribeiro

Mãe de cinco filhos em ensino doméstico. Apaixonada por filosofia, psicologia e educação. Estuda e escreve sobre família e desenvolvimento humano. @Marianaparaizoribeiro