Saúde Emocional das Crianças e Redes Sociais

Depois de falarmos sobre como equilibrar o tempo de tela das crianças na primeira parte da entrevista com a psicóloga Terezinha Dutra — disponível aqui — seguimos com orientações para ajudar pais e responsáveis a lidar com os desafios do mundo digital.

 

O universo digital oferece inúmeras oportunidades de aprendizado e conexão, mas também apresenta riscos que exigem atenção das famílias. Crianças e adolescentes, ainda em desenvolvimento emocional e cognitivo, podem não ter maturidade para lidar com conteúdos nocivos, golpes virtuais e excesso de exposição.

Neste contexto, o papel dos pais e responsáveis é orientar, proteger e educar, sem recorrer a atitudes autoritárias ou invasivas. 

Nesta continuação, falamos sobre como acompanhar a vida online dos filhos sem invadir sua privacidade, como usar recursos digitais de forma consciente, além de dicas para desenvolver senso crítico nas crianças e identificar sinais de alerta.

O objetivo é simples: fortalecer vínculos, promover diálogos mais leves e transformar a tecnologia em uma aliada no desenvolvimento saudável das crianças.

Dicas para supervisionar sem invadir a privacidade dos filhos

 

Como monitorar a vida digital das crianças sem parecer invasivo?

Uma estratégia possível para minimizar os prejuízos causados pela exposição às redes sociais é adotar medidas simples, como dispositivos de controle parental e aplicativos que auxiliam os pais no monitoramento saudável dos filhos. (Saiba mais aqui)

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids são boas aliadas. Elas ajudam a:

  • Aplicar os limites combinados;
  • Restringir conteúdos;
  • Definir horários de uso;
  • Acompanhar a localização da criança.

Mas elas não substituem o papel dos pais e cuidadores, que é orientar, monitorar e participar ativamente. 

Contudo, é preciso cautela antes de lançar mão desses recursos. Para melhores resultados, é necessário o envolvimento de toda a família, inclusive da criança monitorada, afinal, proibir não é orientar.

Regras claras devem ser acordadas previamente, seguidas de orientações sobre golpes e perigos da internet, levando em conta a idade e o grau de maturidade da criança.

Perfil familiar: um recurso para o uso consciente

Quais as vantagens de criar um perfil familiar nas redes sociais?

Ter um perfil familiar, onde membros interagem entre si, fortalece o sentimento de pertencimento e cria um ambiente virtual seguro. O uso consciente das redes sociais passa a ser uma ferramenta positiva diante dos desafios do ambiente digital.

 

Como definir limites claros sem comprometer a privacidade?

Definir limites claros é parte essencial do cuidado. Ao compreender as diferenças entre privacidade e singularidade, é possível respeitar os direitos da criança sem violar sua personalidade.

Esse entendimento garante aos responsáveis liberdade para orientar sobre os riscos da exposição e do potencial da viralização das informações pessoais, considerando que crianças não têm maturidade para discernir o que pode ou não ser compartilhado publicamente.

A conscientização de que as regras são protetivas, e não proibitivas, torna esse processo mais leve e seguro.

Desenvolvendo senso crítico nas crianças

Quais práticas diárias ajudam os filhos a questionar conteúdo online? Como ensiná-los a diferenciar informação confiável de fake news?

Através da educação e de exemplos práticos, possibilita-se conscientizar sobre as vulnerabilidades às quais estão expostos ao manter um perfil público, por exemplo.

É importante ensiná-los a respeitar as classificações indicativas por faixa etária e mostrar que não devem compartilhar qualquer informação sem conhecer sua origem, evitando assim difundir fake news ou ser vítimas delas.

A garota usa uma blusa branca com detalhes em azul-claro ou cinza. O cenário é de um escritório: a mesa é de cor de madeira clara (bege/caramelo), a cadeira é preta e as paredes são brancas. Há uma lousa branca com escrita em preto, e um quadro de cortiça marrom com papéis brancos afixados. Um fichário rosa e outros livros com capas em tons de cinza, preto e vermelho também estão na mesa.
Rebeca pesquisando para o trabalho da escola.

 

 

Quando proibir ou restringir o uso das redes sociais

Quais sinais indicam dependência digital?

Embora não sejam os únicos indicativos, alguns sinais incluem:

  • Perda de interesse por assuntos e lugares fora do ambiente virtual;
  • Tempo excessivo de tela (dias seguidos);
  • Isolamento no quarto, interagindo apenas no mundo digital;
  • Impactos na saúde física, como deixar de se alimentar, apresentar tiques nervosos, insônia, alteração de humor ou ansiedade;
  • Baixo rendimento escolar sem outros motivos aparentes;
  • Falta de higiene pessoal para continuar jogando;
  • Agitação, irritabilidade ou desregulação emocional quando privados do celular, por exemplo.

Quais hábitos e ferramentas promovem um acompanhamento saudável?

Passar tempo com seu filho é um hábito valioso que fortalece a conexão entre vocês. Compartilhe seu dia e permita que ele compartilhe seu universo digital.

Participe de suas escolhas com entusiasmo, mostre interesse por seus jogos favoritos. Esse tempo juntos possibilita conhecer a linguagem que ele utiliza em interações online e avaliar comportamentos sem o interrogar ou invadir seu espaço.

Em que situações restringir temporariamente o acesso pode ser necessário — e como fazer isso de forma construtiva?


Não existe regra única. Cada responsável precisa avaliar o momento certo para intervir, observando as mudanças comportamentais da criança.

O ideal é respeitar suas dificuldades e investir em atividades alternativas, como esportes e artes, que possam substituir de forma saudável o uso excessivo da tecnologia.

 

Quais mudanças emocionais ou comportamentais devem acender o alerta?

É preciso atenção quando surgem alterações como:

  1. Introspecção exacerbada repentina;
  2. Perda do interesse pelo mundo externo;
  3. Falta de socialização e isolamento;
  4. Medos extremos;
  5. Alterações de humor;
  6. Maior tendência à desatenção;
  7. Apatia ou agitação excessiva;
  8. Mudanças bruscas na aparência;
  9. Identificação com grupos hostis ou com condutas de ódio contra pessoas ou grupos.

 

Como dialogar sobre riscos sem afastar os filhos ou causar medo?

A internet é uma janela para o mundo, mas traz riscos reais. Na tentativa de proteger, pais muitas vezes exageram, usando longos sermões ou repetições. A criança percebe o medo dos pais, o que pode gerar insegurança.


É recomendado que as orientações sejam dadas com calma, voz serena e abertura para acolher dúvidas e medos. A criança precisa sentir que pode falar sobre qualquer assunto ou ameaça e será compreendida e protegida.

A tranquilidade, a preocupação genuína e a dedicação dos pais tornam-se um porto seguro, reduzindo o medo diante de ameaças externas.

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicólogo(a)

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Adicione o texto do seu título aqui

Dicas da Psicóloga para Proteger a Saúde Emocional das Crianças na Internet

Cada vez mais cedo, crianças têm acesso ao universo digital — seja pelo celular que acalma no carrinho de bebê, seja pelo tablet usado para assistir vídeos no almoço de família. Mas até que ponto essa imersão precoce é saudável? Quais são os impactos emocionais de crescer conectado, exposto a padrões irreais e a relações virtuais nem sempre seguras?

Para responder essas perguntas, conversamos com a psicóloga Terezinha Dutra (@psi_tereza), especialista em desenvolvimento infantil e comportamento, que há anos orienta pais e educadores sobre os desafios de educar crianças na era digital.

Sua atuação, tanto no consultório quanto nas redes sociais, é marcada por uma linguagem clara, acessível e embasada em evidências científicas, ajudando famílias a compreenderem não apenas o que está acontecendo com seus filhos, mas por que está acontecendo.

Nesta entrevista, Terezinha aborda desde a idade adequada para entrar nas redes sociais, passando pelos impactos da comparação social online na autoestima infantil, até os riscos emocionais do contato com desconhecidos e conteúdos inadequados.

Com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da legislação brasileira, ela alerta sobre a urgência de supervisão ativa e de um diálogo aberto entre pais e filhos.

Mais do que números de curtidas ou seguidores, está em jogo a formação emocional de uma geração. O ambiente virtual pode ser uma ferramenta de aprendizado e conexão — mas, sem cuidado, também pode se transformar em uma armadilha perigosa.

Desenvolvimento e Primeiros Contatos com a Internet

Do ponto de vista da psicologia infantil, qual é a idade mais apropriada para que uma criança comece a ter contato com redes sociais?

Quando falamos em redes sociais e seus padrões de sociabilidade, precisamos pensar primeiro no conceito de tempo de tela e analisar na raiz os benefícios e malefícios do ambiente virtual.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) têm recomendações claras: crianças de até 2 anos não devem ter contato com telas, e dos 2 aos 5 anos, no máximo uma hora por dia, sempre com supervisão. Infelizmente, vemos bebês usando celulares no carrinho, o que vai na contramão dessas orientações.

Em relação às redes sociais, a legislação brasileira, por meio do Guia sobre o Uso de Dispositivos Digitais estipula a idade mínima de 13 anos para criar perfis em algumas plataformas. Mesmo assim, é indispensável o acompanhamento ativo de pais e responsáveis.

Quais são os impactos mais comuns do uso precoce de redes sociais no desenvolvimento emocional das crianças?

Vale ressaltar alguns dos impactos mais comuns, são eles:

  • alterações na qualidade do sono;
  • desregulação emocional e humor instável;
  • pouco interesse por atividades fora do ambiente virtual;
  • quadros ansiosos;
  • mudanças de comportamento que podem levar ao isolamento social e até ao desenvolvimento de transtornos depressivos.
Capa do guia do Governo Federal intitulado ‘Crianças, Adolescentes e Telas – Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais’. A imagem mostra ilustrações diversas de crianças, adolescentes e adultos usando computadores, celulares e tablets, representando diferentes perfis e situações. Na parte inferior está a logomarca do Governo Federal com o slogan ‘União e Reconstrução’.
Crianças, Adolescentes e Telas – Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais. (Governo Federal do Brasil, 2025)

Redes Sociais e Saúde Mental Infantil

Como o uso de plataformas como TikTok, Instagram e YouTube pode influenciar a autoestima e a identidade em formação?

 

As exigências irreais do mundo digital podem gerar distorções na autopercepção da criança. Quando sua identidade se forma baseada apenas na aprovação externa, cria-se uma constituição de fora para dentro, enfraquecendo a percepção real de quem ela é.

É essencial que pais e educadores fiquem atentos a sinais como autoestima baixa ou inflada, distorção de imagem corporal, atitudes excludentes e erotização precoce.

A comparação social nas redes pode afetar o bem-estar psicológico das crianças? Como identificar esses efeitos?

A comparação social online compromete o bem-estar psicológico:

  • descendente: quando a criança ou adolescente tenta proteger sua autoestima comparando-se a quem considera “inferior”, reforçando estereótipos negativos;

  • ascendente: quando a idealização do outro a coloca em posição de inferioridade.

Nos dois casos, há prejuízos emocionais significativos, que podem levar a insegurança, ansiedade e dependência constante de aprovação.

De que maneira a exposição constante a conteúdos adultos ou violentos afeta o processamento emocional infantil?

Consequências de conteúdos inadequados ou violentos:

  • assédios virtuais;

  • agressões verbais;

  • lacunas emocionais profundas;

  • prejuízo nos vínculos afetivos;

  • perda do interesse pela vida em casos extremos.

Relações Virtuais e Riscos Psicológicos

Como o contato com desconhecidos ou a busca por validação digital pode impactar a segurança emocional das crianças?

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante a integridade e segurança dos menores, e isso inclui o ambiente virtual. O contato com desconhecidos pode abrir portas para abusadores.

O acesso a conteúdos impróprios exige supervisão rigorosa — predadores sabem como atrair crianças e manipulá-las sem que elas saiam do ambiente familiar, supostamente seguro.

Orientação final da especialista

Terezinha Dutra reforça que tecnologia não é vilã — mas o uso sem supervisão, sim. O ambiente digital pode contribuir para o aprendizado, mas não substitui o brincar, o contato com a natureza, a convivência familiar e o desenvolvimento das habilidades sociais no mundo real.

O equilíbrio e a presença ativa dos pais são as chaves para garantir que a internet seja uma ferramenta de crescimento e não uma ameaça silenciosa.

Confira a segunda parte desta entrevista, com dicas práticas para pais e cuidadores no site.

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicólogo(a)

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Limites de Tempo de Tela para Crianças: 5 Dicas Práticas

Como mães e pais, a tecnologia se tornou uma ferramenta quase indispensável para conciliar a rotina de trabalho com os cuidados dos filhos. Em meio a tarefas e reuniões online, dar um tablet na mão da criança pode parecer a solução mais fácil. Até se transformar em outros problemas como irritabilidade e falta de interesse das crianças!

Neste guia prático, vamos desmistificar o desafio do tempo de tela, mostrando que é possível encontrar um equilíbrio saudável.

Como profissional da área de Marketing e redação, atuo há quase 15 anos, conciliando meu emprego formal com a rotina de freelancer no home office. Depois que virei mãe, precisei pesquisar para descobrir estratégias reais e aplicáveis em nosso dia a dia com o objetivo não de proibir, mas sim transformar o tempo de tela em uma parte intencional da rotina, abrindo espaço para a criatividade e o tempo de qualidade em família.

1. O Desafio do Tempo de Tela: O que Aprendi na Prática

Hoje sou mãe de uma menina de 8 anos cheia de energia e curiosidade, sei bem como é tentador usar as telas como uma ajuda rápida durante o dia. Às vezes, no momento entre reuniões online e prazos apertados, o tablet parecia, muitas vezes, a solução mágica para garantir alguns minutos de silêncio.

Com o passar do tempo, contudo, percebi que o excesso de tempo de tela deixava minha filha mais irritada, menos disposta a brincar sozinha e até com dificuldade para dormir. Entender esses sinais — sem me culpar — foi o primeiro passo para buscar um equilíbrio realista, tanto para ela quanto para mim

2. Estabeleça Limites com Cuidado: Regras que Cabem na Vida Real

A fim de melhorar a qualidade de vida de todos, aprendi que regras funcionam melhor quando fazem sentido para a rotina da família. Não adianta criar um plano perfeito no papel que ninguém consegue seguir.

  • Janelas específicas para telas: combinamos que ela pode usar o tablet enquanto estou em reuniões mais importantes.
  • Espaços livres de telas: a mesa do almoço virou nosso momento de conversa — celular e TV ficam de lado.
  • Timers visuais: usamos um timer de cozinha colorido. Assim, quando ele apita, ela mesma já sabe que é hora de mudar de atividade.

Explicar o “porquê” dessas regras ajuda muito. Eu sempre digo: “agora é tempo de brincar, depois você pode ver seu desenho favorito.” Essa clareza torna tudo mais leve.

 

Criança escrevendo em um caderno sobre uma mesa com um notebook ao lado, exibindo tela ligada com horário e widgets.
Rebeca estudando no meu intervalo do trabalho

 

3. Ofereça Alternativas que Realmente Funcionam

No cotidiano, percebi que a melhor forma de reduzir o tempo de tela era preparar atividades interessantes para ela fazer sozinha enquanto eu trabalho. Vale ressaltar algumas das nossas atividades favoritas:

  • Caixa de tesouros: encho uma caixa com tecidos coloridos, colheres de pau, potes e coisas inusitadas. Ela adora inventar jogos com esses objetos.
  • Missões criativas: deixo lápis, adesivos e papéis à mão e proponho desafios como “desenha o lugar mais divertido do mundo” ou “faça um cartão para alguém da família”.
  • Cantinhos de desenhar e colorir: organizo livros de colorir, folhas em branco e canetinhas na mesa de estudos da família.
  • Brincadeiras de faz-de-conta: um kit simples de fantasias ou panelinhas vira palco de histórias que ela mesma cria.

Essas atividades me dão tempo para trabalhar com tranquilidade — e depois aproveitamos para brincar juntas, reforçando que o tempo offline também pode ser muito especial.

4. Crie Momentos de Desconexão com Propósito

Nem tudo precisa ser proibido — o segredo é usar as telas de forma intencional e equilibrada. Alguns rituais nos ajudam:

  • Sessão de filme com bate-papo: escolhemos juntas um filme para assistir e depois conversamos sobre a história. Assim, ela participa ativamente.
  • Fim do dia sem telas: 30 minutos antes de dormir, trocamos tablet e TV por livros e músicas calmas. Isso melhorou muito a qualidade do sono dela.
  • Pequenos intervalos offline: entre uma tarefa e outra, regamos as plantas ou damos uma volta rápida no quarteirão. São pausas simples, mas significativas.

Esses momentos fazem com que o tempo de tela seja apenas uma parte do dia — e não o centro dele.

Uma menina negra descalça fazendo uma ponte de ginástica em uma quadra poliesportiva. Ela está de costas, com os braços e pernas estendidos, mostrando sua flexibilidade.
Rebeca treinando movimentos de ginástica artística

5. Ajuste Sempre que Precisar

Percebi que não existe fórmula fixa: o que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Por isso, revisamos nossa rotina de tempos em tempos.

  • Revejo as regras regularmente: será que o tempo de tela está adequado à idade dela?
  • Escuto o que ela tem a dizer: perguntar como ela se sente com essas mudanças traz senso de participação.
  • Comemoro as pequenas vitórias: quando ela passa mais tempo brincando do que no tablet, fazemos questão de reconhecer esse avanço juntas.

Esse processo é vivo, cheio de ajustes. E tudo bem — porque o objetivo não é controlar cada minuto, mas criar uma rotina saudável e feliz para todos.

Conclusão

Limitar o tempo de tela não é sobre cortar prazeres ou seguir regras rígidas. É sobre criar espaço para novas descobertas, para o brincar livre e para a convivência.

Como mãe que trabalha de casa, sei que não é fácil — mas também aprendi que não precisa ser uma luta diária. Com organização, afeto e um pouco de criatividade, é possível encontrar equilíbrio, sem abrir mão nem do trabalho nem da infância cheia de imaginação que nossas crianças merecem viver.

 

Quer conferir todas as dicas sobre as crianças e o uso da internet? Acesse aqui.

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Segurança Infantil na Internet e o Uso Equilibrado das Telas

Nesta entrevista, destacamos a participação da educadora parental especialista em Parentalidade Positiva, Rose Shayene, pedagoga e palestrante dedicada ao tema da educação inclusiva.

 

A segurança infantil na internet tornou-se uma preocupação crescente para pais, cuidadores e educadores, especialmente diante do contato inadequado e do acesso a conteúdos impróprios pelas crianças.

Visando orientar as famílias, conversamos com especialistas de diferentes áreas, como cibersegurança, psicologia, educação e saúde mental, para entender como promover um ambiente digital mais seguro e equilibrado para as crianças.

Pedagoga e mãe atípica, Rose compartilha sua experiência no trabalho com sensibilização e palestras para famílias e professores da rede pública, reforçando a importância de unir educadores e comunidade para construir ambientes acolhedores e inclusivos.

Entrevista Exclusiva: Dicas para um uso equilibrado de telas em família

Como o uso excessivo de telas afeta o diálogo entre pais e filhos?


O uso excessivo de telas cria uma barreira invisível na comunicação familiar. Ao priorizar os dispositivos, perdemos momentos importantes de conexão com nossos filhos.

O diálogo presencial é essencial para compreender emoções e necessidades. Reservar momentos sem telas, como nas refeições, ajuda a fortalecer os vínculos familiares.

De que forma a presença constante de dispositivos interfere na atenção e na concentração escolar?


A distração gerada pelo uso frequente de dispositivos eletrônicos dificulta a capacidade de concentração das crianças nas atividades escolares. Quando elas se acostumam a alternar entre diversos estímulos digitais, manter o foco se torna um desafio, gerando frustração e desmotivação para aprender. Criar ambientes de estudo sem distrações é fundamental para apoiar o desenvolvimento acadêmico.

Quais estratégias ajudam as famílias a equilibrar o tempo de tela e as interações familiares?


Definir limites claros e horários específicos para o uso de telas é essencial. Envolver as crianças na escolha de conteúdos também promove consciência digital. Além disso, propor atividades familiares longe da tecnologia — como jogos de tabuleiro, passeios ao ar livre ou momentos de leitura — fortalece as conexões e estimula conversas de qualidade.

Como o uso de telas impacta o desenvolvimento das habilidades sociais das crianças?


O excesso de telas pode reduzir as oportunidades de praticar habilidades sociais reais, como empatia e comunicação face a face.

As interações presenciais são fundamentais para o desenvolvimento social. Incentivar momentos em família sem tecnologia ajuda as crianças a se expressarem melhor e a lidarem com situações sociais de forma mais natural.

Mulher negra de pele escura e cabelos trançados sorrindo, sentada ao ar livre ao lado de dois meninos negros, um adolescente de óculos e um mais novo, todos sorrindo, em ambiente de shopping com árvores ao fundo.
Caio, Guilherme e Rose

 

Existe algum tempo diário, semanal ou mensal máximo que as crianças não devem exceder?

É recomendado limites diários de cerca de 1 a 2 horas de tela para crianças mais velhas (acima de 6 anos). Para crianças menores, o ideal é evitar por completo o tempo em telas fora das videochamadas com familiares.

Qual a melhor forma de estabelecer limites saudáveis de tempo de tela?

A melhor abordagem é criar regras claras em conjunto com as crianças. Explique os motivos por trás dos limites e envolva-os na definição de horários. Isso promove um sentimento de responsabilidade e compreensão.

Quais sinais de alerta os pais devem observar no comportamento on-line dos filhos?

É importante destacar alguns dos comportamentos mais comuns:

Mudanças de humor, agressividade ou irritação após o uso de telas são sinais importantes. Também vale observar o hábito de se isolar para usar dispositivos, evitar conversas sobre o que estão vendo ou com quem estão falando, ou ainda fechar portas e esconder o conteúdo consumido.

De que forma o consumo de conteúdo digital influencia a motivação e o engajamento escolar?


Conteúdos digitais frequentemente oferecem recompensas imediatas, o que pode tornar os estudos menos atraentes. Para manter o engajamento escolar, é interessante conectar os interesses digitais das crianças aos conteúdos escolares, mostrando como o que aprendem na escola pode ser aplicado no mundo virtual de maneira construtiva.

Quais sinais indicam que o uso de telas está prejudicando a comunicação familiar?

Falta de atenção durante conversas, irritação ao desligar os aparelhos ou recusa em participar de momentos em família podem ser sinais de alerta. Nessas situações, vale ter um diálogo aberto e acolhedor sobre o uso da tecnologia, para que todos possam refletir e construir juntos regras mais saudáveis para o ambiente familiar.

Ferramentas e soluções

O que você acha de ferramentas como o Kaspersky Safe Kids? Elas realmente funcionam?

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids podem ser úteis para ajudar os pais a monitorarem atividades online e estabelecê-los limites para crianças e adolescentes. No entanto, elas devem ser vistas como um complemento ao diálogo aberto entre pais e filhos sobre segurança digital.

Tela de login do controlo parental Kaspersky Safe Kids em diferentes dispositivos, permitindo aos pais proteger o acesso aos desenhos animados e outros conteúdos online.

Como a tecnologia pode ser uma aliada dos pais na proteção digital?

A tecnologia oferece recursos valiosos para proteger nossas crianças, desde filtros de conteúdo até aplicativos educativos que promovem o aprendizado seguro.

Utilizar essas ferramentas com uma comunicação saudável pode ajudar muito na proteção digital.

 

Conclusão: Construindo hábitos digitais saudáveis em família

A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e pode ser uma grande aliada na educação e no lazer das crianças. No entanto, quando utilizada de forma excessiva ou sem acompanhamento, pode comprometer a comunicação, o aprendizado e as habilidades sociais, além de afetar o bem-estar de toda a família.

O diálogo constante, o estabelecimento de limites claros e a criação de momentos offline são estratégias fundamentais para equilibrar o uso de telas. Envolver as crianças nessas escolhas, mostrando o valor das interações presenciais e do convívio familiar, contribui para o desenvolvimento de hábitos digitais mais conscientes e saudáveis.

Ao unir a participação ativa de pais, cuidadores e educadores, conseguimos promover ambientes mais acolhedores, seguros e inclusivos — dentro e fora do mundo digital.

 

Leia mais sobre segurança digital para as crianças aqui.

Mulher negra de pele escura, com cabelo trançado e colar dourado, sorrindo em frente a um painel de fundo amarelo e cinza com a frase “Mães Negras” repetida várias vezes, usando vestido estampado colorido.

Pedagoga e Educadora Parental

Rose Shayene

Mãe atípica de Caio (14 anos) e Guilherme (9 anos). Com mais de 13 anos de experiência no campo educacional, já atuou no Ensino Fundamental I e II e colaborou com organizações não governamentais de apoio a pessoas com deficiência. Palestrante engajada, compartilha seus conhecimentos em eventos voltados para educação inclusiva e parentalidade positiva.

Saiba mais sobre seu trabalho no LinkedIn.

Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.