Saúde Emocional das Crianças e Redes Sociais

Depois de falarmos sobre como equilibrar o tempo de tela das crianças na primeira parte da entrevista com a psicóloga Terezinha Dutra — disponível aqui — seguimos com orientações para ajudar pais e responsáveis a lidar com os desafios do mundo digital.

 

O universo digital oferece inúmeras oportunidades de aprendizado e conexão, mas também apresenta riscos que exigem atenção das famílias. Crianças e adolescentes, ainda em desenvolvimento emocional e cognitivo, podem não ter maturidade para lidar com conteúdos nocivos, golpes virtuais e excesso de exposição.

Neste contexto, o papel dos pais e responsáveis é orientar, proteger e educar, sem recorrer a atitudes autoritárias ou invasivas. 

Nesta continuação, falamos sobre como acompanhar a vida online dos filhos sem invadir sua privacidade, como usar recursos digitais de forma consciente, além de dicas para desenvolver senso crítico nas crianças e identificar sinais de alerta.

O objetivo é simples: fortalecer vínculos, promover diálogos mais leves e transformar a tecnologia em uma aliada no desenvolvimento saudável das crianças.

Dicas para supervisionar sem invadir a privacidade dos filhos

 

Como monitorar a vida digital das crianças sem parecer invasivo?

Uma estratégia possível para minimizar os prejuízos causados pela exposição às redes sociais é adotar medidas simples, como dispositivos de controle parental e aplicativos que auxiliam os pais no monitoramento saudável dos filhos. (Saiba mais aqui)

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids são boas aliadas. Elas ajudam a:

  • Aplicar os limites combinados;
  • Restringir conteúdos;
  • Definir horários de uso;
  • Acompanhar a localização da criança.

Mas elas não substituem o papel dos pais e cuidadores, que é orientar, monitorar e participar ativamente. 

Contudo, é preciso cautela antes de lançar mão desses recursos. Para melhores resultados, é necessário o envolvimento de toda a família, inclusive da criança monitorada, afinal, proibir não é orientar.

Regras claras devem ser acordadas previamente, seguidas de orientações sobre golpes e perigos da internet, levando em conta a idade e o grau de maturidade da criança.

Perfil familiar: um recurso para o uso consciente

Quais as vantagens de criar um perfil familiar nas redes sociais?

Ter um perfil familiar, onde membros interagem entre si, fortalece o sentimento de pertencimento e cria um ambiente virtual seguro. O uso consciente das redes sociais passa a ser uma ferramenta positiva diante dos desafios do ambiente digital.

 

Como definir limites claros sem comprometer a privacidade?

Definir limites claros é parte essencial do cuidado. Ao compreender as diferenças entre privacidade e singularidade, é possível respeitar os direitos da criança sem violar sua personalidade.

Esse entendimento garante aos responsáveis liberdade para orientar sobre os riscos da exposição e do potencial da viralização das informações pessoais, considerando que crianças não têm maturidade para discernir o que pode ou não ser compartilhado publicamente.

A conscientização de que as regras são protetivas, e não proibitivas, torna esse processo mais leve e seguro.

Desenvolvendo senso crítico nas crianças

Quais práticas diárias ajudam os filhos a questionar conteúdo online? Como ensiná-los a diferenciar informação confiável de fake news?

Através da educação e de exemplos práticos, possibilita-se conscientizar sobre as vulnerabilidades às quais estão expostos ao manter um perfil público, por exemplo.

É importante ensiná-los a respeitar as classificações indicativas por faixa etária e mostrar que não devem compartilhar qualquer informação sem conhecer sua origem, evitando assim difundir fake news ou ser vítimas delas.

A garota usa uma blusa branca com detalhes em azul-claro ou cinza. O cenário é de um escritório: a mesa é de cor de madeira clara (bege/caramelo), a cadeira é preta e as paredes são brancas. Há uma lousa branca com escrita em preto, e um quadro de cortiça marrom com papéis brancos afixados. Um fichário rosa e outros livros com capas em tons de cinza, preto e vermelho também estão na mesa.
Rebeca pesquisando para o trabalho da escola.

 

 

Quando proibir ou restringir o uso das redes sociais

Quais sinais indicam dependência digital?

Embora não sejam os únicos indicativos, alguns sinais incluem:

  • Perda de interesse por assuntos e lugares fora do ambiente virtual;
  • Tempo excessivo de tela (dias seguidos);
  • Isolamento no quarto, interagindo apenas no mundo digital;
  • Impactos na saúde física, como deixar de se alimentar, apresentar tiques nervosos, insônia, alteração de humor ou ansiedade;
  • Baixo rendimento escolar sem outros motivos aparentes;
  • Falta de higiene pessoal para continuar jogando;
  • Agitação, irritabilidade ou desregulação emocional quando privados do celular, por exemplo.

Quais hábitos e ferramentas promovem um acompanhamento saudável?

Passar tempo com seu filho é um hábito valioso que fortalece a conexão entre vocês. Compartilhe seu dia e permita que ele compartilhe seu universo digital.

Participe de suas escolhas com entusiasmo, mostre interesse por seus jogos favoritos. Esse tempo juntos possibilita conhecer a linguagem que ele utiliza em interações online e avaliar comportamentos sem o interrogar ou invadir seu espaço.

Em que situações restringir temporariamente o acesso pode ser necessário — e como fazer isso de forma construtiva?


Não existe regra única. Cada responsável precisa avaliar o momento certo para intervir, observando as mudanças comportamentais da criança.

O ideal é respeitar suas dificuldades e investir em atividades alternativas, como esportes e artes, que possam substituir de forma saudável o uso excessivo da tecnologia.

 

Quais mudanças emocionais ou comportamentais devem acender o alerta?

É preciso atenção quando surgem alterações como:

  1. Introspecção exacerbada repentina;
  2. Perda do interesse pelo mundo externo;
  3. Falta de socialização e isolamento;
  4. Medos extremos;
  5. Alterações de humor;
  6. Maior tendência à desatenção;
  7. Apatia ou agitação excessiva;
  8. Mudanças bruscas na aparência;
  9. Identificação com grupos hostis ou com condutas de ódio contra pessoas ou grupos.

 

Como dialogar sobre riscos sem afastar os filhos ou causar medo?

A internet é uma janela para o mundo, mas traz riscos reais. Na tentativa de proteger, pais muitas vezes exageram, usando longos sermões ou repetições. A criança percebe o medo dos pais, o que pode gerar insegurança.


É recomendado que as orientações sejam dadas com calma, voz serena e abertura para acolher dúvidas e medos. A criança precisa sentir que pode falar sobre qualquer assunto ou ameaça e será compreendida e protegida.

A tranquilidade, a preocupação genuína e a dedicação dos pais tornam-se um porto seguro, reduzindo o medo diante de ameaças externas.

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicólogo(a)

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Adicione o texto do seu título aqui

Dicas da Psicóloga para Proteger a Saúde Emocional das Crianças na Internet

Cada vez mais cedo, crianças têm acesso ao universo digital — seja pelo celular que acalma no carrinho de bebê, seja pelo tablet usado para assistir vídeos no almoço de família. Mas até que ponto essa imersão precoce é saudável? Quais são os impactos emocionais de crescer conectado, exposto a padrões irreais e a relações virtuais nem sempre seguras?

Para responder essas perguntas, conversamos com a psicóloga Terezinha Dutra (@psi_tereza), especialista em desenvolvimento infantil e comportamento, que há anos orienta pais e educadores sobre os desafios de educar crianças na era digital.

Sua atuação, tanto no consultório quanto nas redes sociais, é marcada por uma linguagem clara, acessível e embasada em evidências científicas, ajudando famílias a compreenderem não apenas o que está acontecendo com seus filhos, mas por que está acontecendo.

Nesta entrevista, Terezinha aborda desde a idade adequada para entrar nas redes sociais, passando pelos impactos da comparação social online na autoestima infantil, até os riscos emocionais do contato com desconhecidos e conteúdos inadequados.

Com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da legislação brasileira, ela alerta sobre a urgência de supervisão ativa e de um diálogo aberto entre pais e filhos.

Mais do que números de curtidas ou seguidores, está em jogo a formação emocional de uma geração. O ambiente virtual pode ser uma ferramenta de aprendizado e conexão — mas, sem cuidado, também pode se transformar em uma armadilha perigosa.

Desenvolvimento e Primeiros Contatos com a Internet

Do ponto de vista da psicologia infantil, qual é a idade mais apropriada para que uma criança comece a ter contato com redes sociais?

Quando falamos em redes sociais e seus padrões de sociabilidade, precisamos pensar primeiro no conceito de tempo de tela e analisar na raiz os benefícios e malefícios do ambiente virtual.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) têm recomendações claras: crianças de até 2 anos não devem ter contato com telas, e dos 2 aos 5 anos, no máximo uma hora por dia, sempre com supervisão. Infelizmente, vemos bebês usando celulares no carrinho, o que vai na contramão dessas orientações.

Em relação às redes sociais, a legislação brasileira, por meio do Guia sobre o Uso de Dispositivos Digitais estipula a idade mínima de 13 anos para criar perfis em algumas plataformas. Mesmo assim, é indispensável o acompanhamento ativo de pais e responsáveis.

Quais são os impactos mais comuns do uso precoce de redes sociais no desenvolvimento emocional das crianças?

Vale ressaltar alguns dos impactos mais comuns, são eles:

  • alterações na qualidade do sono;
  • desregulação emocional e humor instável;
  • pouco interesse por atividades fora do ambiente virtual;
  • quadros ansiosos;
  • mudanças de comportamento que podem levar ao isolamento social e até ao desenvolvimento de transtornos depressivos.
Capa do guia do Governo Federal intitulado ‘Crianças, Adolescentes e Telas – Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais’. A imagem mostra ilustrações diversas de crianças, adolescentes e adultos usando computadores, celulares e tablets, representando diferentes perfis e situações. Na parte inferior está a logomarca do Governo Federal com o slogan ‘União e Reconstrução’.
Crianças, Adolescentes e Telas – Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais. (Governo Federal do Brasil, 2025)

Redes Sociais e Saúde Mental Infantil

Como o uso de plataformas como TikTok, Instagram e YouTube pode influenciar a autoestima e a identidade em formação?

 

As exigências irreais do mundo digital podem gerar distorções na autopercepção da criança. Quando sua identidade se forma baseada apenas na aprovação externa, cria-se uma constituição de fora para dentro, enfraquecendo a percepção real de quem ela é.

É essencial que pais e educadores fiquem atentos a sinais como autoestima baixa ou inflada, distorção de imagem corporal, atitudes excludentes e erotização precoce.

A comparação social nas redes pode afetar o bem-estar psicológico das crianças? Como identificar esses efeitos?

A comparação social online compromete o bem-estar psicológico:

  • descendente: quando a criança ou adolescente tenta proteger sua autoestima comparando-se a quem considera “inferior”, reforçando estereótipos negativos;

  • ascendente: quando a idealização do outro a coloca em posição de inferioridade.

Nos dois casos, há prejuízos emocionais significativos, que podem levar a insegurança, ansiedade e dependência constante de aprovação.

De que maneira a exposição constante a conteúdos adultos ou violentos afeta o processamento emocional infantil?

Consequências de conteúdos inadequados ou violentos:

  • assédios virtuais;

  • agressões verbais;

  • lacunas emocionais profundas;

  • prejuízo nos vínculos afetivos;

  • perda do interesse pela vida em casos extremos.

Relações Virtuais e Riscos Psicológicos

Como o contato com desconhecidos ou a busca por validação digital pode impactar a segurança emocional das crianças?

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante a integridade e segurança dos menores, e isso inclui o ambiente virtual. O contato com desconhecidos pode abrir portas para abusadores.

O acesso a conteúdos impróprios exige supervisão rigorosa — predadores sabem como atrair crianças e manipulá-las sem que elas saiam do ambiente familiar, supostamente seguro.

Orientação final da especialista

Terezinha Dutra reforça que tecnologia não é vilã — mas o uso sem supervisão, sim. O ambiente digital pode contribuir para o aprendizado, mas não substitui o brincar, o contato com a natureza, a convivência familiar e o desenvolvimento das habilidades sociais no mundo real.

O equilíbrio e a presença ativa dos pais são as chaves para garantir que a internet seja uma ferramenta de crescimento e não uma ameaça silenciosa.

Confira a segunda parte desta entrevista, com dicas práticas para pais e cuidadores no site.

Mulher morena de cabelos médios lisos e blusa branca em um fundo branco.

Psicólogo(a)

Terezinha Dutra Lima

Psicóloga clínica Especialista em saúde mental pela Fiocruz, Especialista em neuropsicologia e em psicodiagnóstico infantil e psicopatologia. Autora e coordenadora do Projeto AbraceTea. @espacoabracetea

Mulher e criança negras sorrindo para uma selfie, ambas com cabelos trançados, sentadas lado a lado.

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca,Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Segurança Infantil na Internet e o Uso Equilibrado das Telas

Nesta entrevista, destacamos a participação da educadora parental especialista em Parentalidade Positiva, Rose Shayene, pedagoga e palestrante dedicada ao tema da educação inclusiva.

 

A segurança infantil na internet tornou-se uma preocupação crescente para pais, cuidadores e educadores, especialmente diante do contato inadequado e do acesso a conteúdos impróprios pelas crianças.

Visando orientar as famílias, conversamos com especialistas de diferentes áreas, como cibersegurança, psicologia, educação e saúde mental, para entender como promover um ambiente digital mais seguro e equilibrado para as crianças.

Pedagoga e mãe atípica, Rose compartilha sua experiência no trabalho com sensibilização e palestras para famílias e professores da rede pública, reforçando a importância de unir educadores e comunidade para construir ambientes acolhedores e inclusivos.

Entrevista Exclusiva: Dicas para um uso equilibrado de telas em família

Como o uso excessivo de telas afeta o diálogo entre pais e filhos?


O uso excessivo de telas cria uma barreira invisível na comunicação familiar. Ao priorizar os dispositivos, perdemos momentos importantes de conexão com nossos filhos.

O diálogo presencial é essencial para compreender emoções e necessidades. Reservar momentos sem telas, como nas refeições, ajuda a fortalecer os vínculos familiares.

De que forma a presença constante de dispositivos interfere na atenção e na concentração escolar?


A distração gerada pelo uso frequente de dispositivos eletrônicos dificulta a capacidade de concentração das crianças nas atividades escolares. Quando elas se acostumam a alternar entre diversos estímulos digitais, manter o foco se torna um desafio, gerando frustração e desmotivação para aprender. Criar ambientes de estudo sem distrações é fundamental para apoiar o desenvolvimento acadêmico.

Quais estratégias ajudam as famílias a equilibrar o tempo de tela e as interações familiares?


Definir limites claros e horários específicos para o uso de telas é essencial. Envolver as crianças na escolha de conteúdos também promove consciência digital. Além disso, propor atividades familiares longe da tecnologia — como jogos de tabuleiro, passeios ao ar livre ou momentos de leitura — fortalece as conexões e estimula conversas de qualidade.

Como o uso de telas impacta o desenvolvimento das habilidades sociais das crianças?


O excesso de telas pode reduzir as oportunidades de praticar habilidades sociais reais, como empatia e comunicação face a face.

As interações presenciais são fundamentais para o desenvolvimento social. Incentivar momentos em família sem tecnologia ajuda as crianças a se expressarem melhor e a lidarem com situações sociais de forma mais natural.

Mulher negra de pele escura e cabelos trançados sorrindo, sentada ao ar livre ao lado de dois meninos negros, um adolescente de óculos e um mais novo, todos sorrindo, em ambiente de shopping com árvores ao fundo.
Caio, Guilherme e Rose

 

Existe algum tempo diário, semanal ou mensal máximo que as crianças não devem exceder?

É recomendado limites diários de cerca de 1 a 2 horas de tela para crianças mais velhas (acima de 6 anos). Para crianças menores, o ideal é evitar por completo o tempo em telas fora das videochamadas com familiares.

Qual a melhor forma de estabelecer limites saudáveis de tempo de tela?

A melhor abordagem é criar regras claras em conjunto com as crianças. Explique os motivos por trás dos limites e envolva-os na definição de horários. Isso promove um sentimento de responsabilidade e compreensão.

Quais sinais de alerta os pais devem observar no comportamento on-line dos filhos?

É importante destacar alguns dos comportamentos mais comuns:

Mudanças de humor, agressividade ou irritação após o uso de telas são sinais importantes. Também vale observar o hábito de se isolar para usar dispositivos, evitar conversas sobre o que estão vendo ou com quem estão falando, ou ainda fechar portas e esconder o conteúdo consumido.

De que forma o consumo de conteúdo digital influencia a motivação e o engajamento escolar?


Conteúdos digitais frequentemente oferecem recompensas imediatas, o que pode tornar os estudos menos atraentes. Para manter o engajamento escolar, é interessante conectar os interesses digitais das crianças aos conteúdos escolares, mostrando como o que aprendem na escola pode ser aplicado no mundo virtual de maneira construtiva.

Quais sinais indicam que o uso de telas está prejudicando a comunicação familiar?

Falta de atenção durante conversas, irritação ao desligar os aparelhos ou recusa em participar de momentos em família podem ser sinais de alerta. Nessas situações, vale ter um diálogo aberto e acolhedor sobre o uso da tecnologia, para que todos possam refletir e construir juntos regras mais saudáveis para o ambiente familiar.

Ferramentas e soluções

O que você acha de ferramentas como o Kaspersky Safe Kids? Elas realmente funcionam?

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids podem ser úteis para ajudar os pais a monitorarem atividades online e estabelecê-los limites para crianças e adolescentes. No entanto, elas devem ser vistas como um complemento ao diálogo aberto entre pais e filhos sobre segurança digital.

Tela de login do controlo parental Kaspersky Safe Kids em diferentes dispositivos, permitindo aos pais proteger o acesso aos desenhos animados e outros conteúdos online.

Como a tecnologia pode ser uma aliada dos pais na proteção digital?

A tecnologia oferece recursos valiosos para proteger nossas crianças, desde filtros de conteúdo até aplicativos educativos que promovem o aprendizado seguro.

Utilizar essas ferramentas com uma comunicação saudável pode ajudar muito na proteção digital.

 

Conclusão: Construindo hábitos digitais saudáveis em família

A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e pode ser uma grande aliada na educação e no lazer das crianças. No entanto, quando utilizada de forma excessiva ou sem acompanhamento, pode comprometer a comunicação, o aprendizado e as habilidades sociais, além de afetar o bem-estar de toda a família.

O diálogo constante, o estabelecimento de limites claros e a criação de momentos offline são estratégias fundamentais para equilibrar o uso de telas. Envolver as crianças nessas escolhas, mostrando o valor das interações presenciais e do convívio familiar, contribui para o desenvolvimento de hábitos digitais mais conscientes e saudáveis.

Ao unir a participação ativa de pais, cuidadores e educadores, conseguimos promover ambientes mais acolhedores, seguros e inclusivos — dentro e fora do mundo digital.

 

Leia mais sobre segurança digital para as crianças aqui.

Mulher negra de pele escura, com cabelo trançado e colar dourado, sorrindo em frente a um painel de fundo amarelo e cinza com a frase “Mães Negras” repetida várias vezes, usando vestido estampado colorido.

Pedagoga e Educadora Parental

Rose Shayene

Mãe atípica de Caio (14 anos) e Guilherme (9 anos). Com mais de 13 anos de experiência no campo educacional, já atuou no Ensino Fundamental I e II e colaborou com organizações não governamentais de apoio a pessoas com deficiência. Palestrante engajada, compartilha seus conhecimentos em eventos voltados para educação inclusiva e parentalidade positiva.

Saiba mais sobre seu trabalho no LinkedIn.

Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Como Proteger as Crianças na Internet: Dicas e Cuidados

Nossos filhos crescem em um mundo conectado, cheio de possibilidades, mas também de riscos. Conversamos com uma especialista para entender como proteger as crianças na internet, equilibrando diálogo, educação digital e ferramentas como o Kaspersky Safe Kids.

A internet faz parte da rotina das nossas crianças — seja para estudar, brincar ou se conectar. Mas, com tantas possibilidades, surgem também muitos riscos que tiram o nosso sono com os conteúdos impróprios, ciberbullying, golpes disfarçados de joguinhos, além do medo de que eles conversem com quem não deveriam.

E, no meio de tudo isso, fica aquela pergunta que não sai da cabeça: como proteger nossos filhos nesse mundo digital que parece não ter limites? Até onde vai o equilíbrio entre dar autonomia e garantir a segurança?

Nessa conversa, que é quase um bate-papo entre mães, buscamos entender melhor esses desafios e, principalmente, como podemos lidar com eles de forma prática e leve.

Aqui no My Baby Care, acreditamos que informação de qualidade faz toda a diferença na criação dos nossos filhos. Por isso, convidamos a Mãe de 3, Gislaine Nogueira, Especialista em Prevenção a Fraudes com mais de 20 anos de experiência, para responder às dúvidas que toda mãe tem — inclusive eu! — sobre os riscos on-line.

Ela nos ajuda com recomendações sobre como dar limites, respeitar e cuidar da privacidade dos pequenos e ainda nos orienta como criar crianças mais seguras, conscientes e preparadas para esse mundo digital que só cresce.

Neste artigo, encontramos conselhos para as seguintes questões:

  • Existe uma idade ideal para começar a usar celular ou redes sociais?

  • O que caracteriza um conteúdo impróprio para crianças, mesmo que pareça “inofensivo”?

  • Qual a melhor forma de estabelecer limites saudáveis de tempo de tela?

     

 

Segurança e Riscos Digitais

Quais são os principais perigos que as crianças enfrentam na internet atualmente?

Embora seja amplamente discutido, o uso da internet por crianças é um tema delicado. Isto porque esses pequenos estão expostos a diversos riscos, como:

  • Exposição a conteúdos impróprios (violência, sexualização, discursos de ódio);
  • Contato com estranhos, aliciamento e grooming (quando um adulto ganha a confiança da criança com o objetivo de abusar ou explorá-la);
  • Ciberbullying (bullying em ambiente digital);
  • Vazamento de dados pessoais (que podem ser usados em golpes);
  • Golpes disfarçados de jogos ou promoções.

 

Existe uma idade ideal para começar a usar celular ou redes sociais?

Essa é uma das perguntas mais feitas pelos pais cuja resposta é mais complexa do que parece, pois não há uma regra fixa, o mais importante é avaliar a maturidade da criança e a disponibilidade dos responsáveis para realizar o controle.

As redes sociais já trazem indicações de idade mínima, e, na prática, quanto mais esse uso puder ser adiado, menores os riscos. Caso os pais decidam permitir, o uso deve ser acompanhado de regras bem definidas e controle rigoroso.

Mãe negra e filho sorrindo enquanto usam um tablet juntos na cozinha, com suco e frutas sobre a mesa.
Image by Drazen Zigic in FreePik

Regras e limites

Qual a melhor forma de estabelecer limites saudáveis de tempo de tela?

O mais importante é definir regras claras e cumpri-las com consistência. Aplicativos de controle parental ajudam bastante nesse processo, pois permitem configurar limites por faixa etária e tipo de conteúdo, além de estabelecer uma rotina saudável para o uso.

Como abordar o assunto de privacidade e exposição on-line com crianças pequenas?

Com as crianças pequenas, o ideal é usar materiais lúdicos, livros infantis e exemplos simples do dia a dia. Dá para criar histórias ou jogos em família que mostrem, de forma leve, porque é importante não compartilhar certas informações ou imagens na internet.

O que caracteriza um conteúdo impróprio para crianças, mesmo que pareça “inofensivo”?

Como muitos de nós já vimos casos que terminaram em tragédia nos últimos meses, precisamos ficar alerta sobre os desafios virais e conteúdos gerados por inteligência artificial que incentivam comportamentos de risco, pois esses tipos de conteúdo estão entre os mais perigosos.

Além de tomar cuidado com esse tipo de risco, é preciso atenção com conteúdos que reforçam estereótipos e padrões de beleza — muitas vezes disfarçados de entretenimento — pois podem influenciar negativamente a autoestima e percepção das crianças sobre si mesmas.

Comportamento infantil

Como o uso exagerado de telas afeta o desenvolvimento emocional e cognitivo?

Conforme os especialistas em saúde mental infantil e de áreas correlatas alertam, o uso excessivo de telas pode impactar negativamente o desenvolvimento, trazendo efeitos como:

  • Dificuldade de socialização ou isolamento;
  • Redução da empatia;
  • Intolerância à frustração;
  • Dificuldade para lidar com emoções.

Quais sinais de alerta os pais devem observar no comportamento on-line dos filhos?

É importante destacar alguns dos comportamentos mais comuns:

Mudanças de humor, agressividade ou irritação após o uso de telas são sinais importantes. Também vale observar o hábito de se isolar para usar dispositivos, evitar conversas sobre o que estão vendo ou com quem estão falando, ou ainda fechar portas e esconder o conteúdo consumido.

Monitoramento e diálogo

Monitorar o que a criança faz on-line é invasivo ou necessário?

É necessário. Os adultos têm a responsabilidade de proteger as crianças — e isso inclui o ambiente digital. O ideal é explicar esse monitoramento como parte do cuidado e proteção. Além disso, é fundamental orientar, conversar e educar a criança sobre os riscos e como se proteger.

Como equilibrar segurança e confiança no ambiente digital familiar?

A base está no diálogo. Quando os pais se interessam pelos assuntos das crianças, ouvem e compartilham experiências, criam um ambiente de confiança.

Trazer exemplos reais pode ajudar a tornar as conversas mais próximas e naturais.

Tela de login do controlo parental Kaspersky Safe Kids em diferentes dispositivos, permitindo aos pais proteger o acesso aos desenhos animados e outros conteúdos online.

Ferramentas e soluções

O que você acha de ferramentas como o Kaspersky Safe Kids? Elas realmente funcionam?

Ferramentas como o Kaspersky Safe Kids são boas aliadas. Elas ajudam a:

  • Aplicar os limites combinados;
  • Restringir conteúdos;
  • Definir horários de uso;
  • Acompanhar a localização da criança.

Mas elas não substituem o papel dos adultos, que é orientar, monitorar e participar ativamente. Confira mais conteúdos sobre essa e outras ferramentas de segurança na internet aqui.

Como a tecnologia pode ser uma aliada dos pais na proteção digital?

Hoje, muitas plataformas voltadas ao público infantil já incluem recursos de segurança. A tecnologia também ajuda com conteúdos educativos, lives, materiais para a família e até eventos de conscientização. 

O importante é que os pais estejam atentos e façam uso dessas ferramentas de forma ativa.

Mulher sentada no meio de uma escada externa, com corrimãos vermelhos. Ela tem cabelos longos com tranças, usa suéter cinza, cachecol escuro, calça jeans e botas pretas. Está sorrindo, com as mãos apoiadas nos joelhos. Ao fundo, céu azul e parte de um prédio de tijolos aparentes.

Especialista em Prevenção a Fraudes

Gislaine Nogueira

Mãe de 3! Especialista em Prevenção a Fraudes com mais de 20 anos de experiência em grandes empresas dos setores financeiro e de tecnologia. Atualmente, atua como Head de Prevenção a Fraudes na Ipiranga, é coautora do livro “Quebrando os Limites”, Top Voice no LinkedIn e uma das lideranças do grupo Risk Women Brasil. Apaixonada por compartilhar conhecimento, também é mentora de carreira e liderança, criadora de trilhas de aprendizado e incentivadora de comunidades diversas no combate às fraudes.

Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca, Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Surf para Crianças: Benefícios e Dicas de aulas em Portugal

Pensando em tentar uma atividade física diferente para seus filhos em Portugal? Que tal uma aula experimental de surf? A Carcavelos Surf School reúne aulas, segurança e dicas para praticar esse esporte marítimo. 

Quando falamos de surf, imaginamos um surfista deslizando sobre as ondas do mar com uma prancha, realizando diversas manobras. Aproveitando que nas épocas mais quentes muitas famílias viajam para o litoral, as aulas de surf para crianças podem ser o que seus filhos estão precisando.

Os especialistas explicam que as aulas de surf para crianças têm os seguintes benefícios:

  • físicos: melhora o condicionamento físico; desenvolvimento da força, o equilíbrio e a flexibilidade; fortalecimento da musculatura; melhora da resistência cardiovascular e desenvolvimento da coordenação motora.
  • sociais: promove a socialização; ajuda a fazer novos amigos, incentiva a interação com instrutores e colegas.
  • emocionais: ajuda a construir confiança, a desenvolver o domínio próprio e a disciplina.
  • ambientais: desenvolve uma relação de respeito e admiração pelo mar, o respeito e o cuidado pelo meio ambiente; promove a compreensão sobre a importância de preservar o mar e de se adaptar às suas mudanças.

Para as famílias que costumam aproveitar o verão em Portugal, a praia de Carcavelos é uma excelente pedida e sede da Carcavelos surf school.

A escola foi criada em 2001, conforme nos explica Pedro Elias, o Surf Manager da escola, com mais de 20 anos experiência no mundo do surf, dos quais 8 dedicados às competições ao redor do mundo.

Qual sua relação com o surf durante a vida?

O surf sempre fez parte, desde muito cedo da minha vida. Enquanto estudava, os meus amigos mais tarde iam para o café e iam brincar, iam jogar futebol. Eu já ia para a praia e depois, mais tarde, eles iam para o café e eu ia para a praia.

Ou seja, o esporte esteve sempre na minha vida e depois entrou a parte competitiva. Aos fins de semana, tinha sempre campeonatos ou eu treinava.

Posso citar alguns títulos alcançados ao longo dos anos:

  • Top 16 no Circuito Nacional;
  • Top 8 no Circuito Europeu Profissional (3º lugar em Hossegor – França);
  • 2 Títulos de Campeão na Taça de Portugal;
  • Campeão Nacional Universitário;
  • Títulos de Campeão nos clubes: Carcavelos (APSSOC), Costa da Caparica (ASCC), Praia Grande (ASLS), Fonte da Telha (CFT), Sesimbra (SCS).

Depois a escola começou como um hobby, ou seja, eu acabei por tirar o curso de gestão de marketing e comecei a trabalhar e aos fins de semana tinha a escola de surf.

Só que depois começou a haver muito, muito trabalho e deixei a minha parte profissional para me dedicar a 100% à escola de surf. E pronto, já estou 100% com a escola há mais de 15 anos.

A escola tem 24 anos, mas a sério a viver só da escola praticamente 15 anos. Por isso o surf sempre fez parte da minha vida até hoje. Claro que os papéis vão mudando.

Começou como sendo praticante, competidor, treinador e hoje em dia como gestor desportivo. Ou seja, hoje já não dou aulas, tenho uma equipa de professores e sou o gestor da escola de surf.

Como nasceu a ideia de montar a escola de surf?

A escola foi a primeira da praia de Carcavelos. Aqui, o restaurante ao lado, o Windsurf Café, quando apareceu, teve a ideia de ter uma escola de surf. E na altura, convidaram o campeão de surf aqui do clube de Carcavelos, que é meu sócio, Pedro Soares.

Naquela época, eu era campeão de bodyboard, mas o meu sócio disse a eles que só se abriria a escola, se eu fosse com ele. E então, basicamente estava o campeão de surf de bodyboard na primeira escola de surf em Carcavelos.

Juntámo-nos e até hoje somos sócios e amigos. Sempre fomos amigos, íamos para a praia e campeonatos juntos. E foi assim que surgiu, em 2001, há 24 anos a nossa empresa.

Quais serviços específicos a Surf School oferece para crianças e famílias além das aulas de surf?

Nós, na realidade,estamos muito focados só nas aulas de surf. A única coisa que temos sem ser aulas de surf, são aulas de yoga, que são mais direcionadas para adultos.

Loja de madeira e detalhes brancos com um quadro com a imagem do mar com ondas na laterar

Como a escola adapta suas aulas de surf para crianças com diferentes níveis de habilidade?

Em relação às aulas de surf para crianças, nós temos aulas de iniciação, para aquelas que nunca surfaram.

Também temos um grupo que vem durante a semana, que já são aulas de aperfeiçoamento. São miúdos que já sabem ler o mar e conhecem s técnicas básicas do surf e têm uma técnica e uma forma de estar no mar.

Completamente diferente dos miúdos, que vêm experimentar pela primeira vez ou as suas primeiras dez 15 aulas, em que ainda estão a aprender o básico do surf.

A escola oferece programas de surf para crianças durante as férias escolares ou eventos especiais?

Para além das aulas normais, temos as festas de aniversário e nas férias temos os campos de férias. Nós chamamos os ATL, onde os miúdos ficam a semana inteira conosco, de segunda a sexta, das 09h00 às 18h00, onde é possível fazer duas aulas por dia.

Têm palestras durante a hora de almoço, depois da refeição, aquela parte da digestão. Aproveitamos sempre para falar um bocadinho da parte teórica do surf:

  • como avaliar o mar;
  • detalhes sobre o equipamento e as técnicas,
  • ideias sobre o meio ambiente: como podemos não poluir o mar e que medidas que podemos para a nossa pegada ser menor.

Pronto, tentamos passar esses valores aos nossos miúdos.

Criança pequena loira com blusa amarela sob uma prancha com o auxilio de um instrutor de uniforme preto

Qual é a estrutura de ensino da escola? Os instrutores são todos certificados?

Na nossa escola, os professores têm que ser todos certificados pela Federação Portuguesa de Surf, um curso de seis meses e mais seis meses de estágio. Ou seja, somos obrigados a ter professores certificados. Para além da escola também ser certificada.

Como a Surf School promove a interação social entre os alunos durante as aulas?

Em relação a promover a interação social. É engraçado que nós quase não fazemos nada, porque devido ao ambiente tão descontraído estar na praia e no mar, as pessoas acabam por quebrar muito facilmente o gelo, ou seja, começam facilmente a falar umas com as outras. Tanto adultos como crianças.

Que tipos de pacotes ou planos familiares a escola oferece para tornar as aulas de surf para crianças acessíveis?

Nós temos pacotes de aulas e quanto maior o pacote, ou seja, quanto mais aulas tiver o pacote, mais barato fica o valor da aula. Ou seja, temos pacotes de 04, 08 e 12 aulas.

A escola tem alguma parceria com escolas locais ou programas de educação para integrar o surf na rotina escolar das crianças?

Em relação ao desporto escolar. Olha, infelizmente aqui em Portugal o Estado contribui muito pouco e quase significativo. Ou seja, financeiramente eles não contribuem com para aulas, para desporto escolar.

No entanto, nós temos muitas parcerias com escolas e universidades onde fazemos um bom desconto para os seus estudantes.

Quais são os melhores períodos do ano para iniciar as aulas de surf em Portugal e por quê?

A melhor altura para começar, eu diria, a partir de abril, maio até outubro, porque é a altura que as ondas estão mais tranquilas e o tempo também está mais quente.

E a pior altura, eu diria que é entre novembro e fevereiro, que é quando as ondulações estão maiores, a água está mais fria, há mais correntes e o frio também não ajuda. É uma das condicionantes também aqui para as pessoas poderem iniciar uma atividade e não desistirem rapidamente.

Quatro crianças entrando andando no pé e uma menor nos braços do instrutor
Aula com Instrutor da Carcavelos Surf School

Como a Surf School garante a qualidade do ensino e o progresso contínuo das crianças ao longo das aulas?

Em relação à qualidade das aulas e à progressão das crianças. Bem, isso depende dos professores. Ou seja, nós somos muito rigorosos no recrutamento e seleção dos nossos professores, porque isto, como é um serviço, são. Isto é uma prestação de serviço, não é as aulas de surf.

A grande diferença para as outras escolas de surf são os nossos professores, ou seja, a experiência e o know how que eles têm e que vai fazer para além das suas competências pessoais. Essa é que é a grande diferença para as outras escolas e os professores.

Por isso nós temos traçado o nosso plano de progressão, ou seja, que etapas é que um miúdo tem que passar até chegar a ser um bom surfista? Temos isto tudo delineado.

Quando um professor chega à escola, nós temos reuniões para mostrar quais são as primeiras etapas. Depois dessas, quais são as próximas, sempre com progressões, para haver uma evolução rápida e segura do aluno.

A escola oferece algum tipo de acompanhamento psicológico ou emocional para as crianças que praticam surf?

Em relação ao acompanhamento psicológico não temos. Não trabalhamos com psicólogos. No entanto, é engraçado porque temos muitas crianças que vêm recomendadas por psicólogos, porque o surf está estudado que aumenta muito a autoestima nas crianças e temos muitas recomendações de vários psicólogos para a nossa escola de surf.

Olhe, eu desconhecia e acabei por saber porque há sempre duas perguntas que faço aos meus clientes: o que eles pretendem? E como foram até ali? Ou seja, se foram recomendados por alguém? Onde é que viram a escola?

E muitos pais dizem que foi o psicólogo. Também temos otorrinos para crianças que têm sinusite ou rinite, porque a água do mar também faz muito bem a eles. Por isso não temos acompanhamento psicológico. Mas temos muitos psicólogos que nos enviam crianças à procura de melhorar, melhorar a autoestima das crianças.

Se estiver de férias em Portugal com seus filhos, faça uma visita a Carcavelos Surf School e aproveitem!

Procurando por outras atividades físicas para as crianças, confira nosso artigo sobre Jiu-jitsu em nosso site.

Surf Manager

Pedro Elias

Licenciado em Gestão de Marketing no Instituo Português de Administração e Marketing, Pós-graduado em Surf pela Faculdade de Motricidade Humana. Possui o curso de Treinador Nível 3 da Federação Portuguesa de Surf, Diploma de Nadador Salvador e de Primeiros Socorros, atleta com mais de 20 anos de experiência. Para mais informações, acesse seu perfil no LinkedIn@carcavelossurfschool 

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue, bacharel em Letras pela UFRJ e Especialista em Marketing pela USP/Esalq. Carioca, mãe da Rebeca e consultora textual para o Linkedin.

Parte II: Dicas de Arquiteta para deixar sua casa mais segura para os bebês.

Confira a Parte II da entrevista com a arquiteta portuguesa Marta Calvinho, que mora em Lisboa há 4 anos, formada na Universidade Lusíada de Lisboa e no Art Institute of Chicago, que é dona do seu próprio negócio desde 2021.

Sempre que pensamos em planejamento familiar, é necessário listar todos os recursos disponíveis e tudo que precisa de alguma modificação para deixar a chegada da criança mais tranquila e organizada, especialmente, sobre os cômodos da casa.

Dentre as coisas que precisam estar bem definidas, estão as adaptações e pequenos consertos na casa a fim de deixar sua infraestrutura e áreas de circulação mais seguras e transitáveis.

A casa precisa de melhorias na rede elétrica para suportar novos aparelhos, como aquecedores ou babás eletrônicas?

Apartamento antigo: no nosso apartamento antigo, tínhamos uma instalação elétrica obsoleta que não aguentava vários aquecedores ligados simultaneamente.

Para quem vive em edifícios antigos, é essencial verificar o quadro elétrico e a cablagem antes de adquirir novos equipamentos (babás eletrónicas, esterilizadores, aquecedores de água para biberões etc.).

Nós até chegamos a queimar o nosso sistema, porque foi muito sobrecarregado. Em um caso assim, é necessário um eletricista reforçar o quadro ou trocar cabos para evitar sobrecargas.

Apartamento moderno: agora já não temos grandes preocupações, pois a construção é recente e o sistema elétrico está dimensionado para suportar mais aparelhos.

Mesmo assim, nunca é demais confirmar se há tomadas e disjuntores suficientes, sobretudo para equipamentos de alto consumo energético.

O sistema hidráulico atual é suficiente para suportar o aumento de demanda com o bebê (ex.: aquecedores de água, banheiras)?

Apartamento antigo: nossa canalização era antiga e tinham pouca pressão. A sugestão é instalar uma caldeira maior ou um termoacumulador para banhos mais frequentes, convém contudo verificar se a canalização aguenta o a pressão extra.

Apartamento moderno: normalmente, as construções mais recentes já estão preparadas para maior fluxo de água e uso simultâneo de duches ou banheiras.

Se planeja instalar algo específico (por exemplo, banheira de bebé com água aquecida ou até um esquentador mais potente), é bom confirmar com um canalizador se a instalação é compatível.

Há possibilidade de incluir um espaço coberto próximo à entrada da casa para proteger o carrinho do bebê ou outros itens?

Apartamento antigo: não tínhamos elevador nem hall de entrada amplo, pelo que deixávamos o carrinho no rés-do-chão (quando possível) ou no carro. Muitos prédios antigos não dispõem de uma área comum grande e as regras de condomínio podem não permitir estacionar carrinhos nos corredores.

Apartamento moderno: em prédios mais recentes, costuma haver arrecadações ou boxes na garagem onde se pode guardar o carrinho. Se for uma moradia ou um duplex com entrada direta, ter um pequeno alpendre ou área coberta facilita muito o dia a dia, evitando levar sempre o carrinho para dentro.

Como adaptar as janelas da casa para garantir a segurança do bebê, sem comprometer a ventilação e a iluminação?

Soluções gerais:

  1. Limitadores de abertura: para que a janela só abra parcialmente.

  2. Rede ou grade de proteção: importante se o parapeito for baixo ou se houver risco de queda.

  3. Afastar móveis: evitar que o bebé suba a cadeiras ou cómodas encostadas à janela.

A casa está preparada para um crescimento futuro da família, ou seria necessário planejar uma expansão agora?

Apartamento antigo: tinha poucas divisões, sem grande margem para criar um quarto extra. Antes da minha filha nascer, o quarto dela era um escritório que foi adaptado para berçário, mas era um pouco pequeno. Se quiséssemos aumentar a família, seria complicado permanecer naquele espaço.

Apartamento moderno: com mais espaço é mais fácil considerar a possibilidade de transformar um escritório, uma sala extra, ou um espaço desaproveitado, em mais um quarto, se for preciso.

Caso se planeje ter filhos, é sempre bom analisar o espaço e começar a pensar em adaptar já algum compartimento, ou verificar se há espaço suficiente para futuras alterações.

Quais adaptações podem ser feitas para melhorar a eficiência energética da casa com a chegada do bebê (ex.: painéis solares, janelas eficientes)?

Apartamento antigo: painéis solares podem não ser viáveis num prédio antigo (falta de espaço no telhado, regulamentos do condomínio). Investir em pequenas melhorias já faz diferença no consumo de energia, como:

  • vedar frestas de janelas;

  • instalar lâmpadas LED;

  • usar tomadas inteligentes.

Apartamento moderno: nosso novo apartamento tem painéis solares fotovoltaicos e sistemas de aquecimento de água por energia solar. Além disso, janelas com corte térmico e vidros duplos/triplos que aumentam bastante o conforto e reduzem a conta de eletricidade.

Com um bebé, há mais lavagens de roupa, mais necessidade de aquecer ou arrefecer o espaço, por isso qualquer otimização energética é bem-vinda.

Imagem de projeto arquitetônico, de uma area externa, com paredes cinzas com banco de madeira de esrtutura fixa na parede para seis pessoas, com almofadas coloridas. Mesa cinza para dez pessoas.
Projeto Calvinho & Partners.

É necessário revisar ou reforçar a estrutura do telhado, ou do forro, especialmente em áreas onde o bebê passará mais tempo?

Apartamento antigo: nós vivíamos no último andar, o que piorava a situação (existiam muitas infiltrações, problemas na cobertura com humidade e mofo.

Tivemos também que pedir para isolar melhor o sótão, porque o calor escapava todo. Surpresas! Em geral, apartamentos no último andar tem sempre problemas e é melhor evitar.

Apartamento moderno: no nosso novo apartamento, estámos no primeiro andar e não tivemos problemas nenhum com o telhado.

Como garantir que a casa esteja segura contra infiltrações ou mofo, que podem ser prejudiciais à saúde do bebê?

Apartamento antigo: no nosso apartamento antigo, usávamos um desumidificador 24/7r em divisões problemáticas e pintámos a parede com tintas anti-fungos para travar o aparecimento de bolor.

Apartamento moderno: apesar de geralmente ter melhor isolamento, problemas de infiltração podem ocorrer na ligação entre as janelas e as paredes ou em varandas mal impermeabilizadas.

A ventilação diária (abrir janelas para circular ar) e uma manutenção regular (reparar selagens, eventuais rachas) são fundamentais para prevenir humidade.

Gostou dessas dicas? Aproveite as outras sugestões da arquiteta Marta Calvinho na Parte I dessa entrevista.

Mulher branca de óculos com sua filha pequena no colo em um local aberto e gramado.

Arquiteta

Marta Calvinho

Conheça o estúdio de Arquitetura Calvinho & Partners. Marta estudou na Universidade Lusíada de Lisboa, na Art Institute of Chicago e trabalhou em diferente lugares do mundo. Siga para conhecer o portfólio.

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabi Sucupira

Carioca apaixonada pelas Letras, mãe da Rebeca, empreendedora e especialista em Marketing.

Casa Segura para Bebês: Dicas de Arquiteta

As mães e pais de primeira viagem precisam passam por diversas mudanças com a chegada do novo membro à família. Dentre elas, as adaptações na casa e no futuro quarto do bebê.

Os especialistas explicam que é essencial fazer um planejamento estrutural e funcional da residência, priorizando a segurança e o bem-estar de todos, cuidadores e crianças, a cada troca de fralda, preparo de mamadeira, idas de um cômodo ao outro para dar banho ou colocar o bebê para dormir.

Para entender melhor a parte prática dessas mudanças, entrevistamos a arquiteta Marta Calvinho, portuguesa que retornou para Lisboa há 4 anos, formada na Universidade Lusíada de Lisboa e no Art Institute of Chicago que é dona do seu próprio negócio desde 2021.

Ela usou sua expertise profissional e a experiência prática como mãe que precisou adaptar sua casa, divididas em Partes I e II para nos explicar um pouco sobre algumas das mudanças necessárias para deixar cada tipo de imóvel, antigo ou mais novo, mais funcional nos primeiros meses depois do nascimento do bebê. 

Confira as dicas valiosas nessa Parte I desse guia.

A estrutura atual da casa suporta uma reforma para criar um quarto adicional para o bebê?

No meu caso, quando vivia num apartamento antigo, não havia grandes condições para realizar obras.  Edifícios antigos geralmente têm muitas paredes estruturais difíceis de remover, instalações eléctricas antigas e limitações de condomínio. 

Um engenheiro ou arquitecto pode, porém, avaliar se é viável unir ou dividir divisões, desde que isso não ponha em causa a estabilidade do edifício – para isso é preciso analisar as plantas estruturais.

Agora que vivo em um apartamento moderno, poderá haver mais possibilidades de alterações, mas também menos necessidade. Mesmo assim, qualquer alteração estrutural deve ser aprovada tecnicamente. 

Se for preciso criar um novo quarto, convém perceber se há paredes mestras, se a instalação eléctrica suporta mais pontos de luz ou aquecedores. 

É possível ampliar algum cômodo ou construir um novo espaço sem comprometer a estabilidade da casa?

Em apartamentos antigos, costuma ser mais complicado ampliar divisões, pois não se pode mexer livremente na estrutura ou na fachada. Na minha experiência, acabámos por optimizar o espaço disponível, em vez de tentar criar novas áreas.

Em um apartamento moderno, dependendo do projecto e das regras do condomínio, por vezes é possível fechar uma varanda, tendo em conta que se for uma antiga varanda tem que ser bem isolado para garantir conforto ao bebé, ou criar um vão para integrar duas divisões. 

Mesmo assim, cada situação é única e pode até ser necessário aprovação da câmara e um estudo técnico de viabilidade.

Menina pequena de cabelos loiro usando vestido amarelo segurando na grade da janela.

Como garantir que a ventilação e a iluminação natural do quarto do bebê sejam adequadas?

Em um apartamento antigo:

  • Ventilação: Manter janelas fechadas quando estiver muito frio, mas abri-las durante algumas horas de sol para renovar o ar e deixar entrar calor natural. No verão, o recomendado é deixar janelas abertas durante o dia para renovar o ar e baixar a temperatura. E em caso de umidade, é necessário um desumidificador – isto também ajuda com a qualidade do ar. 
  • Iluminação: Em caso de janelas mais pequenas, é bom usar uma decoração com cores claras nas paredes e nos móveis para melhor refletir a luz.

Em um apartamento moderno: Normalmente as janelas são maiores e bem posicionadas. Aconselho verificar a orientação solar do quarto do bebé e usar cortinas ou estores para controlar a intensidade de luz, sobretudo para as sestas.

Quais adaptações podem ser feitas para melhorar a eficiência térmica da casa, garantindo conforto para o bebê?

Em um apartamento antigo: O meu apartamento antigo tinha várias deficiências que eram más para a qualidade de vida de um bebê. Era muito frio no inverno e muito quente no verão, e não podíamos ligar vários aquecedores ao mesmo tempo, devido a falhas na instalação eléctrica. 

A nossa solução foi criar um sistema inteligente que ligava e desligava os aquecedores consoante a temperatura de cada divisão. E no inverno, fechávamos os cortinados à noite para preservar calor, mas abríamos durante o dia para entrar calor e renovar o ar. 

Em um apartamento moderno: Agora vivo em um apartamento moderno e tem melhor isolamento e sistemas de aquecimento/arrefecimento mais eficientes. Ainda assim, vale sempre a pena verificar se as janelas têm vedação adequada e se o sistema de climatização está bem dimensionado. 

Além disso, um bom fluxo de ar natural (ventilação cruzada) ajuda a manter a temperatura agradável sem depender tanto dos aparelhos de aquecimento ou ar condicionado.

É necessário reforçar ou modificar o isolamento acústico em determinadas áreas da casa, especialmente no quarto do bebê?

Em um apartamento antigo: O principal ruído vem da rua e das partes comuns do prédio. A nossa solução foi a instalação de carpetes para absorver o som (isto também ajuda com a preservação do calor no inverno), e um white noise machine (aparelho de ruído branco, em português) para absorver sons.

Em um apartamento moderno: Geralmente, a acústica já vem mais bem resolvida. Mas se o quarto do bebé ficar exposto a barulhos intensos (trânsito, elevador, vizinhos), podemos ponderar reforçar paredes com placas de gesso cartonado e lã de rocha, ou mesmo trocar vidros normais por duplos/triplos (isto também é possível em apartamentos mais antigos).

Sala de estar iluminada pela luz do dia, com piso amadeirado e grandes paredes de vidro, com uma mesa, cadeiras e pufês.
Portifólio pessoal da Arquiteta Marta Calvinho

Como otimizar a circulação dentro da casa para facilitar o deslocamento com um carrinho de bebê ou outros equipamentos?

Em um apartamento antigoO nosso apartamento antigo não tinha elevador, por isso optávamos por deixar o carrinho arrumado no rés-do-chão ou no carro. Em casa, reorganizámos a sala para ter espaço livre onde pudéssemos movimentar-nos com o bebé ao colo e ter um sofá que servisse também de trocador se necessário. 

Nos primeiros meses, não é preciso muito espaço; basta ser funcional e seguro.

Em um apartamento modernoAgora temos elevador e corredores mais largos, o que facilita levar o carrinho até à porta de casa. É importante remover obstáculos como móveis salientes ou tapetes escorregadios, e manter as passagens desimpedidas. O carrinho dobra-se e guarda-se dentro de casa.

Quais soluções arquitetônicas podem ser implementadas para garantir acessibilidade futura, como evitar desníveis ou escadas perigosas?

Apartamento moderno em duplex: no meu apartamento moderno, tenho uma escada interna aberta, o que é complicado com uma criança móvel e curiosa.

Foi indispensável colocar uma rede de protecção lateral para evitar que a criança caísse e instalar portões de segurança tanto na base como no topo da escada.

É fundamental adaptar as escadas enquanto o bebé é muito pequeno, pois qualquer degrau ou espaço aberto representa perigo.

Protecção de tomadas e fios: em qualquer casa, moderna ou antiga, convém colocar protecções nas tomadas e manter fios eléctricos fora do alcance do bebé.

Perspectiva de crescimento: à medida que o bebé se torna mais móvel (começa a gatinhar, andar, explorar), precisamos rever constantemente a segurança: móveis com quinas afiadas, objectos de vidro ao alcance, gavetas sem travão. A casa vai evoluindo consoante as fases do crescimento.

Gostou dessas dicas? Aproveite as outras sugestões da arquiteta Marta Calvinho na Parte II dessa entrevista.

Mulher branca de óculos com sua filha pequena no colo em um local aberto e gramado.

Arquiteta entrevistada

Marta Calvinho

Conheça o estúdio de Arquitetura Calvinho & Partners. Marta estudou na Universidade Lusíada de Lisboa, na Art Institute of Chicago e trabalhou em diferente lugares do mundo. Siga para conhecer o portfólio.

Mulher negra sorrindo com cabelo cacheado e batom vinho, vestindo blusa amarela

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Gabriela é carioca, Mãe da Rebeca, que atua como Consultora Textual e Personal Branding para o Linkedin.