Reprodução assistida: desmistificando os mitos e celebrando o amor

A família Luna Dantas é constituída pelo casal Patrícia e Lili e pelos filhos gêmeos João e Joaquim, de 5 anos. Casadas desde 2017, partilham as preocupações e encaram o dia-a-dia da mesma forma que qualquer casal heterosexual. 

Confira uma entrevista com Patrícia Luna, que falou um pouco sobre reprodução assistida, doação de esperma, preconceito e muito mais.

1- Quais são os riscos e benefícios associados à reprodução assistida? E quais as opções disponíveis? 

A reprodução assistida veio para auxiliar muitas pessoas a realizarem o sonho de exercer sua parentalidade. Os riscos, em nosso caso, são baixíssimo e estão relacionados ao procedimento em si (infecções, perfurações de órgãos próximos e etc). Já os benefícios são inúmeros, a reprodução assistida oportuniza muitas pessoas a realizarem seu sonho de serem pais ou mães. Basicamente as opções são: FIV (fertilização in vitro) e a Inseminação Artificial. 

2- Como é possível escolher um doador de esperma ou óvulos?

Atualmente existem inúmeros bancos de doação, as regras vão variar de acordo com a localidade do banco e as regras deste país. Em nosso caso, escolhemos o sémen numa lista enviada pelo banco onde tinha todas as características físicas do doador, bem como histórico familiar e doenças e hobbys.

3- Como lidar com o estigma ou preconceito contra famílias homoparentais?

Procuramos natualizar ao máximo, entendemos que dentro de uma bolha de famíia parental existem várias camadas e dentro destas camadas os preconceitos vão variar.

A verdade é que estruturalmente o preconceiro existe sim, sendo que velado em muitas situações , enteder as situaçoes e estar atenta aos nossos e as famílias como a nossa ajuda bastante a lidar com todo tipo de preconceito.

4- Quais são as opções de adoção disponíveis para casais de mulheres?

A pergunta anterior fala sobre estigma e uma das coisas que falo é sobre entender estes estigmas, um deles é esse, achar que um casal homoafetivo só pode exercer sua parentalidade por adoção. Adoção é uma das opções dentro de muitas outras, em nosso caso não foi a primeira opção e por isso não vou saber quais as opções de doações disponíveis. Tentamos a FIV e tivemos sucesso.

5- Como preparar a família e amigos para a chegada do filho?

Acredito que não precisamos preparar família e amigos e me pergunto se um casal hetero precisa preparar família e amigos. Já são muitas questões entre o casal que precisam ser tratadas para termos que preparar amigos e família. 

Na foto duas mães com dois filhos meninos em comemoração
Família reunida (arquivo pessoal)

6- Como preparar a criança para lidar com perguntas ou comentários sobre sua família?

Naturalizando o máximo possível, entendendo que são crianças e não ativistas do movimento LGBTQIA+ e estando atentos aos sinais do dia dia.

7- Quais são os direitos legais das mães não biológicas em caso de separação ou divórcio?

Não existe mãe não biológica. Existe mãe. São duas mulheres casadas legalmente que tiveram filhos legalmente, a certidão de nascimento sai com nome de duas mães, não indica que teve participação genética do processo. Inclusive, uma das opções de uma mulher ser mãe, é com doação de óvulo de uma outra mulher. Pontanto, é extremamente importante dismitificar essa nomemclatura de “mãe biológica”, são mães, com direitos e deveres iguais. No caso de uma separação, acontece exatamente igual a todo outro casal.

8- Como encontrar apoio e recursos para famílias homoparentais em nossa comunidade?

Na sociedade como um todo, buscando seus semelhantes, amigos, encontros de familias LGBTQIA+, escolas e instituições que pensem em inclusão. 

9- Como ser reconhecidas como mães legais da criança?

Indo no cartório, munidas das documentações das mães, a declaração de Nascido Vivo e um documento da clínica comprovando que o bebê foi decorrente de um processo de clínica de reprodução assistida. A diferença é que pra um casal  homoafetivo tem que comprovar união estável ou casamento civil para registro em nome de ambos, diferentemente de um homem e mulher. A certidão de nascimento sai na mesma hora. 

10- Quais são os direitos e benefícios legais disponíveis para famílias homoparentais?

Se você registrou o filho em nome do casal, todos os direitos legais são garantidos, assim como filhos de homens e mulheres.

 

Artigo escrito por

Flavia Oliveira

Jornalista e Relações Públicas, formada em Mediadora de Conflitos, pelo Instituto Federal de Brasília, através da Tertúlia Literária Dialógica. Mãe de dois: Mia e Andrea, vivendo em Malta e sempre com uma passagem para o próximo destino a ser descoberto.

Minha dupla experiência de parto: não humanizado e humanizado

Descubra como o parto humanizado pode transformar a experiência de dar à luz. Acompanhe a minha jornada pessoal de dois partos naturais, um humanizado e outro não, e entenda a importância de respeitar a vontade da mãe e criar um ambiente acolhedor. Uma história de empoderamento e mudança pessoal.

 

Neste post você vai ver

  • Parto não humanizado
  • Parto humanizado

    “Para mudar o mundo, é preciso primeiro mudar a forma de nascer”, foi com essa frase do médico francês Michel Odent  que eu iniciei minha preparação para os dois dias mais importantes da minha vida: o nascimento dos meus filhos. E que até hoje eu acredito piamente que o que pode mudar o mundo é como os novos seres chegam nele. E não, eu não tenho intenção de mudar todo o mundo, mas sim o meu mundo.

    Antes que eu possa relatar a minha vivencia, é necessário informar que o nome humanizado não pode ser entendido como um tipo de parto, mas sim como o processo que os dois tipos de parto acontecem, ou seja, a cesariana também pode ser humanizada. O que torna as vias de parto humanizada ou não humanizada é o fato de levar em consideração a opinião da mãe e o que ela informou no seu plano de parto, fazendo com que a vontade dela seja respeitada e que ela se sinta acolhida e ouvida. 

    Eu, particularmente, vivenciei os dois tipos de parto naturais: o não humanizado e o humanizado.

    Parto não humanizado

    No nascimento do meu caçula, Andrea, eu achava que, após ter passado por um parto natural três anos antes, eu saberia lidar e teria força para impedir qualquer tipo de violência obstétrica, mesmo estando em outro país. Mas não. No nascimento dele eu não era a protagonista, mas sim a midwife, ou enfermeira obstétrica, como se chama no Brasil. 

    No dia 24 de julho de 2023, por volta das 19h, quando eu estava colocando minha filha para dormir, senti um pouco de líquido quente saindo, ainda cheguei a imaginar que era xixi que eu não estava conseguindo controlar. Depois percebi que era a bolsa que tinha rompido, assim que me acalmei, informei ao meu marido que estava trabalhando no Senegal e à midwife, que pediu para eu aguardar e esperar as contrações começarem e, se não tivessem iniciado, ir à maternidade na manhã do dia seguinte. Assim fiz, cheguei à maternidade por volta das 9h, do dia 25 de julho de 2023, com duas amigas. E, pela primeira vez em minha vida, fiz o exame de toque. 

    Como eu lembro do meu primeiro trabalho de parto: exame de toque não é necessário ser feito, as alterações podem ser identificadas de outra forma. Como também não é recomendado fazer exame de toque com a bolsa rompida, já que o toque expõe a mulher e o bebê a um maior risco de infecção. Mas permiti que fosse feito em mim ou até não permiti, mas fiquei passiva diante da situação. 

    Eu estava sem dilatação nenhuma, como também ela não conseguiu perceber a quantidade do líquido amniótico, imaginou que a bolsa tinha sido rompida na parte de cima da barriga. Pela minha experiência, creio que minha bolsa estourou por conta de uma infecção urinária que me acompanhou do meio pro fim da gestação e que não foi levada a sério pelo meu obstetra. 

    Subi para o quarto do hospital (que curiosamente em uma das minhas visitas ao obstetra eu conheci e mandei uma foto para meu marido mostrando o quanto era legal, com banheira, bola e vários aparatos para um trabalho de parto). E logo a midwife colocou o cardiotocógrafo, mais conhecido como monitor fetal, para monitorar a frequência cardíaca, o movimento de Andrea e as contrações uterinas de forma não invasiva. Neste momento, ela também induziu o parto com ocitocina na veia. Mais uma vez eu sendo passiva diante da situação. 

    E foi neste momento que meu marido me ligou informando que não conseguiu chegar a tempo no aeroporto para voltar para Malta devido às fortes chuvas em Dakar. Eu não tinha escolha, continuava sendo forte, sentindo a presença de Deus e acreditando que o melhor sempre acontece. 

    Meu marido estava trabalhando no Senegal e na noite anterior, Dakar, capital do Senegal, estava embaixo de muita chuva o que fez ele perder os dois voos que o trariam para Malta. Em Dakar existem apenas voos noturnos em direção a Europa o que o fez viajar apenas na noite do dia 25 de julho, quando Andrea já tinha nascido. 

    Lembro de descer para almoçar na maternidade mesmo e, por volta das 11h30 começarem as contrações. Quando voltei para o quarto, às 13h já estava com 6cm de dilatação. E todo o trabalho de parto evoluiu muito rápido. Foi neste momento que minha amiga perguntou se eu queria que colocasse alguma playlist e eu disse que não, disse que não queria chorar. A partir do segundo filho é mais comum um parto mais rápido e fácil, porque os músculos e toda estrutura interna do nosso corpo já foi distendido durante o primeiro parto. O que também me faz pensar que possivelmente eu não precisasse de ocitocina. 

    Eu não escolhi a forma como queria parir, nem a posição que me dava mais conforto e nem a forma de alívio que eu gostaria de ter. Pari deitada e presa a um aparelho, sentindo bastante dor. E ainda no momento expulsivo, fui violentada, como uma forma de acelerar o nascimento. As posições de cócoras, sentada ou de joelhos são melhores para facilitar a saída do bebê. O canal de parto fica mais curto e a abertura da vagina fica maior, o bebê não aperta a barriga e a circulação de oxigênio para ele é melhor. A midwife também solicitou que eu fizesse força quando Andrea estava prestes a nascer, o que também é considerado um tipo de violência obstétrica. Ainda pediu para eu parar de gritar, mas sempre lembro que o grito ou o choro no parto não são necessariamente de sofrimento. Muitas vezes são uma exteriorização de energia corporal, uma forma de aliviar a tensão e ganhar mais forças.

    Quando eu peguei Andrea em meus braços, só conseguia pedir desculpas para ele. Desculpas por não ter dado um nascimento dos sonhos a Andrea, como foi o de Mia, minha primogênita. Mas mesmo assim ainda fui presenteada com um bebê empelicado, que é quando um bebê, ao nascer, ainda está envolvido pelo saco amniótico, que permaneceu intacto. Isso mesmo, aqueles casos que possuem a incidência de ocorrer uma vez a cada 80 mil, e ainda dizem que os bebês que nascem empelicados dão sorte. 

    #PraCegoVer A mãe com seu filho no colo falando por video chamada no celular com o pai.

    Andrea nasceu e só foi retirado de mim para pesar e medir. Depois do nascimento, o meu lado leoa não permitiu que mais ninguém da maternidade tirasse ele de mim. Realmente tivemos uma golden hour. Ele mamou na primeira meia hora de vida dele e não nos desgrudamos mais. 

     

    Parto Humanizado

    Já a chegada de Mia foi uma chegada dos sonhos. Depois de muita pesquisa, estudo (sim, a maternidade é um momento de muito estudo e busca de informação), comecei a ter muita segurança e a acreditar que eu poderia parir, então decidi parir em casa, porque queria que minha filha nascesse com o coquetel dos “hormônios do amor”, liberados apenas em condições específicas de trabalho de parto e com toda a nossa diversidade de micróbios familiares. 

    Era sexta, 31 de janeiro de 2020, estávamos de mudança para a nova sede do Explicaê (empresa que eu trabalhava no Brasil) e enquanto eu arrumava as minhas coisas, tímidas lágrimas escorriam pelo meu rosto – no fundo eu já sentia que não voltaria a trabalhar nem tão cedo.

    No sábado, eu completei 40 semanas de gestação. Eu e meu marido, que naquela época também trabalhava no Senegal (e tinha chegado uma semana antes) fomos para a casa da minha sogra dormir lá e de noite comecei a sentir muitas contrações, então comecei a cronometrar, mas como eu consegui dormir percebi que ainda não era a hora.

    No domingo, apesar da ansiedade (estava doida para que ela nascesse dia 02/02/2020), fomos à praia e vivemos uma vida normal.

    Eis que 1h20 da madrugada, da segunda-feira, do dia 3 de fevereiro, fui acordada devido às fortes contrações. Tentei dormir e percebi que as contrações estavam ritmadas e vinham cada vez mais fortes. Acordei meu marido. E assim passamos a madrugada inteira e iniciando a manhã. Sim, tinha chegado a hora. Ela escolheu o dia dela para nascer. Avisamos as enfermeiras do grupo Nascido em Casa (um grupo de enfermeiras obstétricas de parto domiciliar em Aracaju/ Sergipe). Tomei uns quatro banhos e urrava de dor a cada contração que vinha mais e mais forte.

    Tentava me concentrar nos exercícios, na respiração, procurar as posições mais confortáveis, mas comecei a entrar na partolândia e seguir apenas os meus instintos sem pensar muito. Luana (veja aqui uma entrevista com Luana) e Hilca, as enfermeiras, iam me indicando o que fazer. Lembro que meu marido colocou a playlist que eu passei quase 9 meses fazendo. E nesse momento lembro que chorei compulsivamente. Cheguei a desistir, a pensar o quão eu era louca em decidir um parto natural, como tudo seria mais fácil com apenas uma cesária. Mas quando decidi meu parto eu falei pra meu marido: “se eu pensar em desistir, me lembre que eu não vou desistir. Que eu escolhi e vou até o fim!”.

    Sabe quantos exames de toque eu fiz?! NENHUM! E minha bolsa estourou dentro da piscina, pq ninguém viu o momento. E assim foi. Ela escolheu a hora dela, nascendo 10h50. 

    #PraCegoVer Momento do parto na piscina, com a mãe, seu bebe recém-nascido, a doula, uma enfermeira obstétrica e um pai emocionado.

     

    Artigo escrito por

    Flavia Oliveira

    Jornalista e Relações Públicas, formada em Mediadora de Conflitos, pelo Instituto Federal de Brasília, através da Tertúlia Literária Dialógica. Mãe de dois: Mia e Andrea, vivendo em Malta e sempre com uma passagem para o próximo destino a ser descoberto.

    Qual o papel da doula?

    Desde sempre o parto foi um momento especial para as mulheres, um momento único, marcado pela transformação da mulher e do homem em seus novos papéis. Juntamente com este momento é gerado bastante medo e ansiedade do que está por vir, já que é algo inédito. 

    Ao longo de toda história, bem antes da evolução da medicina, o trabalho de parto e o nascimento era acompanhado por parteiras e pelas mulheres mais experientes, onde elas traziam tranquilidade e transmitiam informações ao longo de todo processo.

    Neste post você vai ver:

        • Presença da doula na gestação

        • Presença da doula no parto
        • Presença da doula o pós-parto
          • A doula é da área de saúde?
          • O que diz a OMS?
          • Benefícios da doula

        Em um certo momento, com o avanço da medicina, as parteiras foram marginalizadas dando espaço para os partos acontecem em ambiente hospitalar e rodeado por especialistas como: médico obstetra, pediatra, enfermeira, cada um desempenhando tecnicamente o seu papel, mas deixando de lado o cuidado com o bem estar emocional daquela mãe, o que muitas vezes fez aumentar o medo, a ansiedade, a dor e, consequentemente, as complicações obstétricas e a necessidade de intervenções no momento do trabalho de parto, já que no parto a ocitocina é produzida apenas sob condições favoráveis. 

        Sendo então de extrema importância criar condições de parto acolhedoras num ambiente seguro e tranquilo para a mulher. É como se o parto tivesse se tornado uma espécie de cirurgia, o que não deveria ser a realidade na maioria dos casos. 

        É neste cenário, que o surgimento da doula (traduzido do grego para “mulher que serve”), em 1970, vem na busca de preencher esta lacuna, garantindo a calma, encorajando a futura mãe, procurando formas de aliviar as dores do trabalho de parto através de métodos não farmacológicos. Uma doula é uma pessoa treinada para fornecer apoio emocional, físico e informativo a uma mulher e seu parceiro antes, durante e após o parto.

        Presença da doula na gestação

        Durante a gestação, a principal tarefa da doula é fornecer informações sobre este novo mundo para a futura mãe, sugerindo leituras, filmes, esclarecendo as dúvidas, auxiliando na montagem do plano de parto, preparando a mulher para o grande momento, ensinando exercícios e posições de alívio da dor. Afinal, mulheres bem orientadas durante a gestação, têm a consciência de se tornar a protagonista do seu parto.

        Presença da doula no parto

        Já no trabalho de parto, a doula pode estar presente independente do tipo de parto. Ela inclusive pode esclarecer todas as dúvidas relacionadas a parto natural e à cesárea, ajudando a mãe a se preparar para ambos e para qualquer situação que possa ocorrer, dando apoio necessário não só a mãe, mas a toda família, oferecendo palavras de coragem, de reafirmação, apoio e carinho. Ela também pode corrigir qualquer falha que haja na comunicação entre a equipe do hospital com a gestante.

        Presença da doula no pós parto

        E se engana quem pensa que o trabalho de doulagem se encerra quando o bebê nasce. A doula pode auxiliar em todo processo de adaptação nos primeiros dias após o nascimento, dando dicas sobre amamentação, orientando sobre o sono do bebê e suas necessidades básicas. Além de ajudar a mãe com o puerpério também. As doulas estão presentes na vida das mulheres em um momento extremamente especial e delicado e este vínculo pode ser bem duradouro.

        A doula é da área de saúde?

        A doula não precisa, necessariamente, ser enfermeira ou ser da área de saúde. A maioria delas possui uma formação profissional anterior, mas a ausência de uma formação na área da saúde não impede que uma mulher exerça essa profissão com maestria. Sendo necessário apenas que tenha feito o curso específico para doulas, onde irá aprender as habilidades técnicas para se tornar uma. Lembrando que a doula não faz nenhum procedimento médico, como cortar o cordão umbilical ou verificar a frequência cardíaca fetal ou da mãe, seu papel principal é oferecer suporte emocional.

        O que diz a Organização Mundial de Saúde?

        E a doulagem também é reconhecida e altamente recomendada pelo Ministério da Saúde no Brasil, como também pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde 1996 acatando que a doula é uma prestadora de serviços que recebe um treinamento básico sobre parto e que está familiarizada com uma ampla variedade de procedimentos de assistência.

         

        Foto de Olivia Anne Snyder na Unsplash

        Benefícios da doula

         

        1- Redução do estresse e da ansiedade

        A presença de uma doula pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade durante a gravidez, parto e pós-parto, oferecendo apoio emocional e acolhimento, ajudando a mulher a se sentir mais segura, confiante, preparada e no controle, fornecendo informações precisas. Ensinando técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação e massagem, para ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.

        2- Melhoria da experiência do parto

        Uma doula também pode melhorar significativamente a experiência do parto para a mulher e seu parceiro. Alguns estudos mostram que mulheres que têm uma doula presente durante o parto tendem a ter uma maior satisfação com a experiência, pois a presença de uma doula cria um ambiente mais tranquilo e relaxado, criando uma memória positiva do parto.

        3- Redução da dor 

        A dor durante o trabalho de parto é uma experiência subjetiva e a presença da doula pode ajudar a reduzir esta dor, ensinando técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação e visualização, para ajudar a reduzir a tensão e a dor, ajudando a mulher a encontrar posições confortáveis durante o parto. Ela também pode oferecer massagem suave para alívio da dor nas costas e nas pernas, pode aplicar compressas quentes ou frias que também ajudam no alívio da dor, como também ensinar a utilizar a bola de parto.

        4- Redução da taxa de cesarianas e intervenções médicas

        De acordo com os estudos, a presença de uma doula pode ajudar a reduzir em até 50% os índices de cesarianas não indicadas (aquelas que não tinham uma real necessidade de acontecer). Isso porque a doula fornece informações precisas sobre as etapas do trabalho de parto e as opções disponíveis, ajudando a mulher a tomar decisões e evitar intervenções desnecessárias.

        5- Ajuda na comunicação com a equipe médica

        Uma doula pode ajudar na comunicação com a equipe médica durante o trabalho de parto explicando termos e procedimentos de forma clara e compreensível, comunicando os desejos da mãe e do parceiro à equipe médica, incentivando a mãe e o parceiro a fazerem perguntas e esclarecerem dúvidas, evitando mal-entendidos entre a equipe médica e a mãe, reduzindo o estresse e promovendo uma atmosfera calma.

        6- Melhor recuperação pós-parto

        A presença de uma doula pode ajudar na recuperação pós-parto de várias maneiras, auxiliando a mulher a se recuperar fisicamente mais rápido, dando suporte e orientação para a amamentação, ajudando a mulher a estabelecer uma boa rotina. Também pode reduzir o risco de depressão pós-parto, oferecendo apoio emocional, acolhimento e ainda ajuda a mulher a se sentir mais autônoma e confiante em cuidar de si mesma e do seu bebê.

        7- Redução do risco de depressão pós-parto

        Estudos mostram que o apoio de uma doula pode reduzir significativamente o risco de depressão pós-parto, pois ela oferece apoio emocional durante o parto, pós-parto e nos primeiros dias após o nascimento, ajudando a mãe a se sentir mais no controle do seu processo de parto e cuidado pós-parto, oferecendo um ouvido ativo e sem julgamentos, permitindo que a mãe expresse seus sentimentos e preocupações de forma transparente.  Além de poder conectar a mãe com recursos locais de apoio, como grupos de apoio à depressão pós-parto.

        8- Apoio na amamentação

        A presença de uma doula pode aumentar as taxas de amamentação exclusiva e prolongada, pois ela orienta sobre os benefícios, posicionamento correto e técnicas de amamentação. Incentiva a iniciar a amamentação logo na golden hour, garantindo um bom posicionamento e fixação. Ajuda também a resolver problemas comuns como dor e mastite, oferece apoio emocional para superar desafios e manter a confiança na amamentação, orienta sobre como armazenar e manipular o leite materno, ajuda a mãe a planejar a amamentação após o retorno ao trabalho. E conecta a mãe com recursos adicionais, como consultores de amamentação ou grupos de apoio à amamentação.

        É importante lembrar que cada doula é única e pode oferecer um conjunto diferente de habilidades e serviços. Se você está considerando contratar uma doula, é importante pesquisar e encontrar uma que se adeque às suas necessidades e preferências. Lembrando que o que funciona para uma mulher pode não funcionar para outra. Uma doula pode trabalhar com a mulher para encontrar as técnicas que melhor funcionam para ela.

        Artigo escrito por

        Flavia Oliveira

        Jornalista e Relações Públicas, formada em Mediadora de Conflitos, pelo Instituto Federal de Brasília, através da Tertúlia Literária Dialógica. Mãe de dois: Mia e Andrea, vivendo em Malta e sempre com uma passagem para o próximo destino a ser descoberto.