O poder da arte no desenvolvimento infantil III

O poder da arte infantil: Neste artigo completo (I, II e III), questionamos o poder da arte infantil.

É pai ou educador e gostava de entender se deve estimular a arte nos primeiros anos de vida das crianças?

Então, este artigo é para si.

Eis aqui, os temas principais que abordamos, de forma à responder a pergunta com a profundidade necessária para o efeito.

 

Arte infantil e Desenvolvimento Motor

 

A arte desenvolve o corpo?

Em artes performativas como por exemplo, a dança e o teatro, é evidente que a motricidade humana é desenvolvida. 

Mas pode-se dizer o mesmo de outras formas artísticas menos dinâmicas?

A resposta é: Sim!

Quando a criança está imersa na atividade artística (que implica sempre ação, e por isso, o corpo está sempre ativamente envolvido), ela desenvolve as capacidades motoras inconscientemente. 

Capacidades como:

  • a coordenação (acuidade fina e precisão de movimento),
  • a sensibilidade táctil, cinestésica e proprioceptiva,
  • o equilíbrio, 
  • a neuroplasticidade,
  • e o desenvolvimento muscular.

Todas estas variadas habilidades podem estar a ser trabalhadas na criança, sem que ela dê por isto, de uma forma lúdica.

 

Coordenação Motora Fina e Grossa

 

Muito provavelmente ouviu falar na relevância de trabalhar a coordenação motora fina nos primeiros anos de vida da criança. 

Naquela consulta com o médico de família, onde o doutor testa a motricidade fina da criança. E por vezes indica que a criança brinque de modelar ou experimente rabiscar com o lápis para desenvolver a (tão importante) coordenação motora.

Bem, por este motivo, perguntàmos a um fisioterapeuta:

Como a arte pode desenvolver esta habilidade crucial na criança: a coordenação?

Eis o que respondeu:

“A representação cortical da mobilidade fina da mão é específica e comum em todos os seres humanos. A arte, por sua vez, pode ser abrangida por várias regiões diferentes do cérebro humano.

Ao desenvolver estas regiões através da exploração artística e da prática gradual destas atividades, estamos a desenvolver várias áreas do córtex em paralelo criando novas sinapses neuronais.

Criamos, então, uma ligação harmoniosa entre o nosso cérebro motor e o nosso cérebro “artístico”.

Ainda, aproveitando esta proliferação nervosa, desenvolvemos também outras áreas funcionais fora do contexto artístico mas que usam essas mesmas regiões.”

E traduzindo num exemplo:

“Imaginando, por exemplo, o treino da pintura poderá mesmo melhorar a nossa capacidade de lidar com o stress ou aperfeiçoar a nossa capacidade de jogar ping pong!” Hugo Ribeiro, fisioterapeuta.

 

Arte infantil: Pintura, Desenho e Escultura

 

Sabemos, então, que os exercícios de pintar, desenhar e moldar (escultura) são ideais para exercitar os músculos necessários a um bom desenvolvimento infantil. 

Por exemplo, quando a criança desenha, ela precisa de aprender a segurar o lápis de uma forma que seja capaz de controlá-lo. Ou seja, ao usar o dedo indicador e o polegar apoiados na mão, com o movimento de pinça, acaba por estar a desenvolver a coordenação motora fina.

Ainda, estas atividades irão preparar a criança para a escrita à mão: uma prática essencial para o aprendizado.

O Papel dos Pais na Introdução da Arte

 

Se a criança já está na escola, precisamos de nos preocupar com a introdução da arte nos nossos filhos?

Parece que sim.

Como já salientámos, as habilidades adquiridas durante esta fase da vida são constituídas pelos cuidados que as crianças recebem e pelas oportunidades que têm para desenvolverem ativamente as suas habilidades. 

Por este motivo, o potencial das crianças depende essencialmente do cuidado responsivo às suas necessidades de desenvolvimento, com repercussões positivas na sua vida adulta.

Posto isto, o papel da família e dos educadores é fulcral para o sucesso do desenvolvimento infantil.

Ademais, como os pais são o reflexo da realidade para as crianças, é importante que sejam eles os principais educadores dos seus filhos. Pois o campo afetivo determina o bom aproveitamento em todas as outras áreas.

Podem utilizar-se da arte como uma ferramenta recorrente para, também, fortalecer o laço parental e nutrir a afetividade. Ao passo que estimula o crescimento de habilidades multifacetadas da criança.

Para ajudar, separámos os objetivos das brincadeiras artísticas por duas faixas etárias:

 

Dos 0 aos 3 anos:

Procure alargar o conhecimento das crianças através da manipulação de diversos materiais, para que explorem as suas características e ampliem a possibilidade de expressão e comunicação.

 

Dos 4 a 6 anos:

Procure que as crianças se interessem pelas suas produções, as produções dos seus colegas e as de vários artistas, desenvolvendo o (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, 1998 Ferreira,2015):

  • O gosto, 
  • O cuidado,
  • E o respeito pela arte.

 

A intencionalidade do educador é importante em cada atividade artística com o propósito pedagógico. Desenvolver brincadeiras simples com estes objetivos, irão impulsionar o bom desenvolvimento da criança.

 

Incentivo à Criatividade no Ambiente Doméstico

 

Espaço de Arte infatil: Materiais Artísticos e Estímulo à Exploração

 

Cumprindo o papel dos pais na educação dos filhos: de personagem principal, nada melhor do que criar um cantinho artístico em casa. Este espaço, sempre disponível e atrativo, terá como propósito único os momentos artísticos da criança, incentivando a (tão importante) arte infantil.

Para tal, não é preciso muito. E consegue-se ultrapassar, de uma vez, a organização e a praticalidade para deixar a arte fluir.

Temos o artigo ideal para criar este ambiente criativo, onde explicamos o passo-a-passo completo, incluindo materiais artísticos, incluindo até produtos de limpeza que pode adiquirir.

mulher com o cabelo castanho escuro com cumprimento médio, vestida de amarelo com brincos compridos amarelos, corrente dourada sob o fundo neutro (muro bege texturizado). Ela sorri, contente.

Escrito por

Mãe de cinco filhos em ensino doméstico. Apaixonada por filosofia, psicologia e educação. Estuda e escreve sobre família e desenvolvimento humano.

Esta sequência de artigos – O poder da arte no desenvolvimento infantil I, II e III) -, teve como base os conhecimentos adquiridos pela escritora e complementado com base nos seguintes estudos:

O poder da arte no desenvolvimento infantil II

O poder da arte infantil: Neste artigo completo (I, II e III), questionamos o poder da arte infantil.

É pai ou educador e gostava de entender se deve estimular a arte nos primeiros anos de vida das crianças?

Então, este artigo é para si.

Nesta segunda parte do artigo, começamos na continuação do tema:

Arte e criatividade na infância

 

Estímulo à imaginação

 

Além de jogos com narrativas e personagens, as simples atividades de inventar histórias, completar desenhos a partir de rabiscos, modelagem, pintura, desenho, dança e até mesmo nenhuma brincadeira pré estipulada, são fortes estímulos à imaginação da criança. 

 

Estímulo da criatividade e resolução de problemas: Tédio

 

Pois é, o tédio. Este último ponto referido no texto acima merece destaque: as crianças são imaginativas por natureza, são criadoras natas.

Por este motivo, como a criatividade é intuitiva, ela pode se desenvolver a partir do tédio (isto mesmo, o tédio). Através do vazio, do “nada para fazer” pode suscitar as melhores criações!

O estímulo excessivo de atividades e brinquedos pode reduzir a capacidade criativa da criança.

Por outras palavras, deixar a criança sem brinquedos e sem nenhuma atividade em tempos específicos, pode ser extremamente benéfico. Pois assim, ela irá esforçar-se por encontrar alguma brincadeira, algo para se entreter.

Deste modo, estará exercendo o pensamento, a criatividade, a imaginação e resolução de problemas. Para além de estar a fortificar a sua auto-estima: quando se apercebe que é capaz de criar algo novo e divertido a partir de simples ferramentas do dia-a-dia.

 

Estímulo à expressão, inovação e comunicação

A máxima recomendação é para que os pais e educadores estimulem a criatividade na criança, de forma que atinja o seu máximo potencial na área da expressão e comunicação. 

O objetivo é que a criança explore a realidade que a rodeia, descobrindo novos elementos, aprimorando as relações e as vivências, para que surjam, assim, novos conhecimentos.

E que, com estes novos conhecimentos, elas possam descrever, analisar e refletir sobre o que observam.

Todo este processo que a arte proporciona, é extremamente enriquecedor para o seu crescimento íntegro.

Por isso, explorar e inovar acabam por estar intrinsecamente ligados à simples atividade artística. 

 

Arte e Cultura na Infância

 

No nosso artigo “Conheça 10 benefícios de atividades culturais para crianças”, Rondy, especialista em Museus e Património Cultural, nos elucida sobre os benefícios da participação das crianças em atividades culturais:

 “Participar de atividades culturais […] estimula o desenvolvimento das crianças, a criatividade, imaginação, ela aprende melhor, além de promover habilidades sociais, emocionais. Todos esses fatores juntos, contribuem para a formação de jovens e adultos mais engajados, tolerantes e adaptáveis, características necessárias para uma vida plena e saudável. Sem falar no tempo de qualidade e o fortalecimento de vínculos entre as crianças e sua família e ou cuidadores.”

 

Contato com Diferentes Expressões Culturais

 

Quando a criança tem o contato com diferentes expressões culturais, isto é, quando conhece a arte de outras culturas, ela pode compreender a relatividade de alguns valores que estão enraizados nos seus modos de pensar e agir. 

Ou seja, a criança que se depara com outras formas de ver o mundo diferente da sua, vai, naturalmente, questionar o que realmente lhe faz sentido. Esta troca, instiga à empatia, ao pensamento crítico (filosófico) e acaba por atribuir (ou retirar) novas informações aos seus valores. 

Esta abertura à riqueza e à diversidade da imaginação humana nos engrandece. As crianças acabam por se relacionar criativamente consigo mesmas, com os outros e com o mundo.

 

Arte e Identidade Cultural Infantil

 

Assim como a diversidade é enriquecedora, o aprofundamento da própria cultura, isto é, a própria  identidade cultural, é igualmente relevante. 

Isto deve-se a esta necessidade inerente à natureza humana: de pertencer. 

A sensação de pertença traz-nos segurança e felicidade, para além de enriquecermos, mais uma vez, o autoconhecimento, o conhecimento dos que nos rodeiam e do mundo. 

Através do aprendizado artístico, pode-se elucidar outros campos como a história cultural, enriquecendo a cultura infantil.

 

Continue a ler aqui.

mulher com o cabelo castanho escuro com cumprimento médio, vestida de amarelo com brincos compridos amarelos, corrente dourada sob o fundo neutro (muro bege texturizado). Ela sorri, contente.

Escrito por

Mãe de cinco filhos em ensino doméstico. Apaixonada por filosofia, psicologia e educação. Estuda e escreve sobre família e desenvolvimento humano.

Autismo: Recomendações de uma psiquiatra para os pais

Atraso na fala e comportamentos repetitivos são sinais comuns de autismo. Por isso, ao se deparar com esses sintomas nos filhos, recomenda-se consultar os especialistas para avaliação e diagnóstico.

A psiquiatra Dra. Mariana de Lima Santos, médica Especialista em Psiquiatria e em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) explica os passos para um diagnóstico mais preciso para as crianças.

Confira as respostas para as perguntas mais comuns sobre o autismo e dicas valiosas para ajudar os pais e cuidadores a participarem ativamente do tratamento das crianças e adolescentes.

Neste artigo você vai ver

  • O que causa o autismo? É genético, ambiental ou uma combinação dos dois?
  • Meu filho tem atraso na fala, isso significa que ele pode estar no espectro?
  • Quais são os direitos do meu filho com TEA em termos de educação e inclusão escolar?

 

O que causa o autismo? É genético, ambiental ou uma combinação dos dois?

Fatores genéticos e ambientais, combinados, causam o transtorno do espectro autista (TEA).

A hereditariedade desempenha um papel fundamental no risco de desenvolvimento do TEA, com a herdabilidade do transtorno variando entre 50% e 97%.

Fatores ambientais, como idade avançada dos pais, complicações durante o parto e exposição a substâncias tóxicas, também aumentam o risco de TEA.

No entanto, ainda não compreendemos totalmente como esses fatores ambientais interagem com as predisposições genéticas.

Com que idade é possível diagnosticar o transtorno do espectro autista?

Os médicos podem diagnosticar o transtorno do espectro autista (TEA) desde idades muito precoces, embora a idade média para o diagnóstico seja entre 4 e 5 anos.

Visto que os primeiros sinais do transtorno surgem por volta dos 12 meses, e os médicos confirmam o diagnóstico a partir dos 18 meses.

É crucial apontar que a detecção precoce permite intervenções precoces, que melhoram a linguagem, as habilidades sociais e a comunicação social.

Os pesquisadores identificam sinais comportamentais de TEA já aos 6 meses de vida, especialmente em crianças de alto risco.

A estabilidade diagnóstica aumenta significativamente a partir dos 14 meses.

Meu filho tem atraso na fala, isso significa que ele pode estar no espectro?

Os atrasos no desenvolvimento da fala são comumente observados em crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e constituem uma das principais razões que levam os pais a procurarem uma avaliação diagnóstica.

Esses atrasos podem ser identificados antes do segundo ano de vida. A relação entre o TEA e os atrasos na fala é complexa, abrangendo tanto aspectos neurológicos quanto comportamentais.

Pesquisas mostram que crianças com TEA apresentam diferenças na lateralização neural relacionada à linguagem, além de alterações na conectividade estrutural e funcional do cérebro.

Esses fatores contribuem, significativamente. para os atrasos observados no desenvolvimento da fala e da linguagem.

Outro ponto relevante é a dinâmica da interação entre pais e filhos. Crianças com TEA e atrasos na linguagem tendem a emitir menos enunciados compreensíveis e mais curtos, o que pode reduzir as oportunidades de interação verbal com os pais.

Por outro lado, quando a fala das crianças é inteligível, os pais demonstram alta contingência em relação ao tema da conversa.

Isso sugere que a complexidade da comunicação dos pais se ajusta às habilidades linguísticas e de interação da criança.

Portanto, os atrasos na fala em crianças com TEA estão associados tanto a fatores neurológicos quanto às dinâmicas de interação social.

Esse fato ressalta a importância de intervenções precoces e direcionadas para promover avanços na linguagem e na comunicação.

A partir de quantos anos é indicado procurar um especialista para avaliação?

Os médicos recomendam a triagem para TEA durante as consultas de rotina aos 18 e 24 meses. Com isso, podemos destacar as seguintes orientações:

  • O diagnóstico confiável é possível a partir dos 18 meses, permitindo intervenções precoces. 
  • Triagens precoces e repetidas identificam crianças em risco de TEA.
  • Os médicos encaminham crianças com sintomas de TEA para avaliação diagnóstica especializada. 
  • Crianças diagnosticadas antes dos 2 anos e meio apresentam maior chance de progressos significativos.

Ao notar sinais de autismo, buscar a avaliação de um especialista é altamente recomendado, principalmente quando tais sinais surgem antes dos 24 meses.

Quais profissionais devo procurar para confirmar o diagnóstico de TEA?

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) costuma ser realizado por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, como pediatras, psiquiatras infantis, psicólogos e neurologistas pediátricos.

Segundo a literatura médica, o método considerado padrão-ouro para diagnosticar o TEA consiste na avaliação detalhada, que combina a observação direta do comportamento da criança com entrevistas estruturadas com os cuidadores.

Essas avaliações utilizam ferramentas padronizadas, como o Autism Diagnostic Observation Schedule-Second Edition (ADOS-2) e o Autism Diagnostic Interview. 

Além disso, pediatras gerais e médicos de cuidados primários desempenham um papel relevante no diagnóstico inicial do TEA, especialmente em regiões com acesso limitado a especialistas.

Estudos sugerem que pediatras devidamente treinados possam diagnosticar o TEA com alto grau de precisão.

Ainda que a concordância com equipes especializadas seja mais elevada quando esses profissionais estão seguros em suas avaliações.

O autismo tem cura? Ou existem tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida?

Embora ainda não exista uma cura para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), há tratamentos que podem melhorar consideravelmente a qualidade de vida das pessoas com essa condição.

Exemplos desses tratamentos são as intervenções comportamentais, que são amplamente reconhecidas como a principal abordagem terapêutica e têm demonstrado grandes benefícios.

Podemos destacar os casos com crianças menores de cinco anos, em que promovem avanços na linguagem, no brincar e na comunicação social.

A farmacoterapia, por sua vez, é geralmente empregada para tratar condições psiquiátricas associadas, como disfunções emocionais ou transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).

A imagem mostra uma mulher e um menino sentados à mesa, envolvidos em uma atividade com massinha de modelar e outros materiais coloridos. A mulher, que parece ser uma terapeuta ou professora, tem cabelos castanhos presos para trás e veste uma blusa clara. Ela observa atentamente o menino enquanto guia suas mãos. O menino, de pele morena e cabelos encaracolados curtos, veste uma camisa polo azul e parece concentrado na atividade. O fundo é de um tom azul escuro sólido, e a iluminação é suave
Image by Freepik

Como posso ajudar meu filho a desenvolver habilidades sociais?

Para estimular o desenvolvimento de habilidades sociais em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é fundamental adotar intervenções precoces e personalizadas.

Entre as abordagens mais eficazes, destacam-se:

  • As intervenções comportamentais, especialmente as de natureza naturalística e baseadas no desenvolvimento, têm demonstrado grande impacto positivo na comunicação social e em outras habilidades essenciais;
  • O engajamento ativo dos cuidadores no processo terapêutico pode ser uma estratégia de sucesso;
  • O treinamento e a participação ativa dos pais são essenciais para garantir um número adequado de horas de interação planejada.

Essa estratégia pode resultar em avanços expressivos no desenvolvimento das habilidades sociais.

Meu filho tem comportamentos repetitivos, isso é comum no autismo? O que posso fazer para ajudar?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por dificuldades na comunicação social e na interação, além de comportamentos restritivos e repetitivos (CRRs), que representam um dos aspectos centrais do transtorno.

Esses CRRs podem ser observados já na infância, sendo um dos primeiros sinais identificáveis do TEA.

Vale ressaltar que as intervenções comportamentais precoces desempenham um papel crucial na melhoria dos resultados para crianças com TEA, incluindo a redução dos CRRs.

Assim, os CRRs são uma característica central e altamente relevante do TEA, com importantes implicações para o diagnóstico precoce e o manejo adequado do transtorno.

Essas intervenções precoces e personalizadas são indispensáveis para melhorar os resultados e a qualidade de vida das pessoas com TEA.

O autismo pode vir acompanhado de outros transtornos, como TDAH ou ansiedade?

Sim, é comum o autismo estar frequentemente associado a outros transtornos, uma condição conhecida como comorbidade.

É possível relacionar as mais comuns: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e os transtornos de ansiedade.

Além dessas, outras condições podem estar relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA):

  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC),
  • tiques;
  • síndrome de Tourette;
  • transtornos alimentares;
  • psicoses.

Para maiores informações sobre o TDAH e outros transtornos, acesse o artigo Perguntas cruciais para os pais sobre as crianças com TDAH.

Dra. Mariana, qual o perfil dos seus pacientes atualmente? 

Hoje em dia, eu atendo pessoas com diagnóstico tardio de TEA na adolescência ou idade adulta, mas já atendi crianças há alguns anos.

Devido minha especialização em transtornos alimentares, a maioria dos meus pacientes são adolescentes que procuram meu consultório em busca de tratamento para melhorar a saúde e a qualidade de vida apesar dos sintomas.

 

Quais são os direitos do meu filho com TEA em termos de educação e inclusão escolar?

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm seus direitos protegidos por lei, assim como qualquer outra criança, contando ainda com garantias adicionais para atender às suas necessidades específicas.

Legislações como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Política Nacional de Educação Especial asseguram o direito à educação inclusiva para crianças com TEA.

Essas leis garantem que elas estudem em escolas regulares, com recursos apropriados para promover sua inclusão, como a presença de mediadores e a realização de adaptações curriculares.

Tais medidas reforçam o compromisso de oferecer acesso à educação de qualidade, sem discriminação, respeitando as particularidades de cada criança com TEA e promovendo a valorização da diversidade.

Para saber mais sobre o autismo e as possíveis estratégias de intervenção, confira as recomendações da Fonoaudióloga Vanessa.

Mulher negra sorrindo sentada usando uma roupa verde e posando com a mão no queixo com a qual tem um anel verde

Psiquiatra

Mariana de Lima Santos

Médica‎ formada‎ pela‎ Faculdade‎ de‎ Medicina‎ de‎ Ribeirão‎ Preto‎ da‎ USP‎ (USP), com‎ residência‎ médica‎ em‎ Psiquiatria‎, pós‎-graduada‎ em‎ Terapia‎ Cognitivo‎ Comportamental‎ pela‎ Pontifícia‎ Universidade‎ Católica‎ do‎ Rio‎ Grande‎ do‎ Sul‎ (PUC-RS)‎ e‎ aprimorada‎ em‎ transtornos‎ alimentares‎. Saiba mais em marianalimapsiquiatra

Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue de língua inglesa, Especialista em Marketing pela USP/Esalq e bacharel em Letras pela UFRJ. Carioca, mãe da Rebeca e Consultora Textual e de Personal Branding para o Linkedin.

Criança com autismo: Como melhorar a comunicação?

Receber o diagnóstico de que filho tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) requer uma atenção especial e um cuidado multiprofissional. Dentre os tratamentos necessários, conheça a relação da criança com autismo e a Fonoaudiologia.

As crianças com o diagnóstico de autismo (TEA) costumam apresentar dificuldades de se comunicar e de interagir socialmente, além de terem padrões de comportamento repetitivos. 

Relativo à comunicação, a criança com esse diagnóstico pode apresentar desde a dificuldade de se expressar verbalmente, até a pouco ou nenhuma fluência de conversação. 

Pensando em ajudar nessas questões, convidamos a fonoaudióloga Vanessa do Lago Guimarães, formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em Audiologia Clínica  para nos explicar como o acompanhamento fonoaudiológico é fundamental no tratamento da criança com autismo.

Quais são os primeiros sinais de dificuldades na comunicação que posso observar em uma criança com autismo?

Em primeiro lugar, é recomendado observar alguns sinais  em alguns pacientes com autismo logo quando bebê

O bebê com autismo costuma:

  • não gostar muito de ficar no colo, lugares com sons altos ou muito luminosos os deixam incomodados;
  • tem dificuldade em manter o contato visual;
  • não atender quando chamado;
  • ter hiperfoco em algum brinquedo ou objeto;
  • fazer movimentos de repetição como empilhar/ enfileirar / agrupar por cores e formas;
  • não apontar;
  • ter atraso no balbucio e fala;
  • não olhar para o outro ao querer algo, apenas o puxando como instrumento;
  • começar a falar algumas palavras e parou de falar.

Contudo, vale ressaltar que cada criança precisa de avaliação e observaçãopersonalizada.

Como o fonoaudiólogo pode ajudar no desenvolvimento da fala e da linguagem de uma criança com autismo?

Os fonoaudiólogos têm um papel importante no desenvolvimento da linguagem. Com isso, nosso maior objetivo é que essa criança consiga ser compreendida e se comunique, e não necessariamente pela linguagem oral., ajudando amelhorar a comunicação dessas crianças com autismo seguindo as dicas e exercícios de fonoaudiologia.

Há muitos autistas que não utilizam da linguagem oral para se comunicar, porém usam de comunicação alternativa como PECS (Sistema de comunicação por troca de figuras) e pela CAA (Comunicação Alternativa Aumentativa).

Quando o paciente chega para nós no consultório, é crucial que seja feita uma avaliação das habilidades de linguagem e de comunicação desse paciente.

Após essa avaliação  desenvolve-se um plano de intervenção individualizado com base nas demandas específicas de cada paciente, que será modificado à medida que o paciente evoluir e apresentar ganhos de linguagem e comportamento.

E através de brinquedos, jogos, atividades lúdicas e recursos visuais vamos estimulando a linguagem e fala da criança  com autismo com a Fonoaudiologia.

A criança com autismo sempre terá dificuldades com a fala ou isso pode ser superado com a intervenção adequada?

Sempre e Nunca são palavras bem complicadas de serem usadas dentro do universo cognitivo comportamental do desenvolvimento do indivíduo. Nosso maior objetivo, enquanto fonoaudiólogos, é promover a comunicação.

Vale ressaltar que não é uma regra que todos apresentarão dificuldades na fala, mas muitas enfrentam desafios importantes no desenvolvimento da linguagem.

A dificuldade de comunicação e a gravidade varia de uma criança para a outra, muitas respondem de forma positiva à intervenção, melhorando suas habilidades de comunicação verbal e não-verbal e desenvolvendo maneiras de se expressar.

Como o autismo afeta a comunicação não verbal e como posso trabalhar isso com meu filho?

Muitas crianças com autismo apresentam dificuldades em compreender, interpretar e utilizar pistas não verbais, como expressões faciais (tristeza, felicidade, raiva, dor, etc), gestos, manifestações através do corpo, tom de voz (rude, chamando a atenção, irônico etc.).

Essas habilidades fazem parte da comunicação e das conexões sociais.

Dentro do ambiente domiciliar, é de extrema importância que  a família colabore, pois são essas pessoas que passam a maior parte do tempo com a criança.

Dessa forma, utilizar modelagens que ajudem a desenvolver tais habilidades é de grande valia como:

Usar gestos e expressões faciais claras para se comunicar, reforçando a comunicação verbal com elementos não verbais 

Exemplo: ao chamar a atenção da criança, mudar o tom da voz, a intensidade, e utilizar de expressões faciais como franzir a testa, por exemplo.

É válido até cruzar os braços para mostrar a criança que você está chamando a atenção e não está gostando do que está sendo feito.

Igualmente importante é trabalhar a previsibilidade, pois deixa as crianças mais seguras e facilita a compreensão de sinais não verbais associados as atividades. Podendo usar pictogramas, recursos visuais, figuras, CAA.

Exemplo: pode confeccionar um quadro de rotinas, isso ajuda a criança em organizar e compreender a sua rotina do dia, as suas demandas sensoriais tendem a diminuir e facilita a comunicação dentro da atividade proposta ali exposta.

Lembrando que é importante o suporte de um fonoaudiólogo para auxiliar a desenvolver as estratégias mais pertinentes a demanda e a compreensão do seu filho.

Meu filho tem dificuldade em manter uma conversa. Existem técnicas específicas para ajudá-lo a melhorar essa habilidade?

É importante levar em conta alguns pontos importantes antes de definir e utilizar quaisquer técnicas, como entender a compreensão do seu filho sobre o tema proposto.

Primeiramente, ao tentar entender a compreensão e atenção dele diante de uma conversa, o fonoaudiólogo pode ajudar a identificar as melhores estratégias especificas para seu filho, mas há algumas relacionadas ao estabelecimento de rotinas previsíveis e claras para as conversações, tais como:

  • Iniciar a conversa com saudação e fazendo uma pergunta, responder a pergunta do interlocutor;
  • Ensinar a criança a prestar atenção no que o outro está dizendo, fazendo contato visual, acenando com a cabeça e demonstrando interesse através de gestos e expressões faciais.
  • Incentivar a fazer perguntas,a sugestão é usar modelagem, prática guiada e reforço positivo.
  • Durante uma conversa sobre algum assunto, utilizar-se de recursos visuais para ajudar e facilitar a criança a entender sobre o tema, a organizar suas ideais e compreender a estrutura da conversa e os turnos de fala.
  • Utilizar de reforço positivo e modelagem, elogiando e recompensando quando a criança conseguir utilizar as habilidades desejadas de forma adequada.
  • Ensinar habilidades de turn-taking: ajude a criança a entender a importância de esperar a sua vez de falar e a identificar os momentos adequados de interação na conversa. Pratique a alternância entre falar e ouvir para promover uma troca eficaz.

O uso de tecnologias, como aplicativos de comunicação, pode ser benéfico para crianças com TEA?

Sim, o uso de tecnologias como tablets, celulares ajudam muito a comunicação, os estudos na área de tecnologia assistiva têm mostrado que essas ferramentas podem auxiliar no desenvolvimento da comunicação e linguagem de indivíduos com TEA, oferecendo uma forma alternativa e complementar de se expressar e comunicar.

Contudo, os aplicativos de comunicação são personalizados de acordo com a necessidade e habilidade de cada criança.

Conhecidos também como Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) podem ser personalizados estruturalmente: a voz, os tipos de textos e de figuras, o visual, tudo de acordo com a demanda especifica de cada criança, a fim de ajudar a comunicação de forma eficaz, trazendo maior autonomia e independência para a criança, facilitando a interação social.

Lembrando que a escolha da melhor ferramenta de comunicação e implementação deve ser feita com orientação de um fonoaudiólogo.

menino loiro de cabelo liso usando uma blusa branca e calça jeans sentado com os joelhos para trás em cima de um tapete com papeis e interagindo com uma mulher morena de vestido bege fazendo exercícios com a boca,
Designed by Freepik

Como o fonoaudiólogo lida com os problemas de sensibilidade auditiva que muitas crianças com autismo apresentam?

Devemos realizar uma avaliação detalhada da criança com autismo para identificar suas dificuldades e necessidades específicas em relação à audição.

A partir dessa avaliação, é elaborado um plano de intervenção individualizado que inclui estratégias e atividades para ajudar a criança a desenvolver uma maior tolerância e adaptação aos estímulos sonoros.

Algumas dessas estratégias incluem:

  • Trabalhar a percepção auditiva para melhorar a sua discriminação, identificação e compreensão dos sons;
  • Orientar a família e a escola para a criação de ambientes auditivos mais adaptados às necessidades especificas, podendo incluir o abafador de ruído;
  • Em conjunto com terapeuta ocupacional, implementar estratégias para regulação das suas respostas sensoriais.

Lembrando que as questões auditivas são trabalhadas junto com equipe multidisciplinar envolvendo otorrinolaringologista, psicólogo, terapia ocupacional e fonoaudiólogo.

A terapia fonoaudiológica pode ajudar meu filho a melhorar suas habilidades sociais, como fazer amigos ou compreender expressões faciais?

Sim, a terapia fonoaudiológica pode ser muito benéfica para desenvolver e melhorar as habilidades sociais, incluindo a capacidade de fazer amigos e compreender expressões faciais dos outros.

É crucial observar os sinais como mudança de tom de voz, expressões corporais, gestos que são fundamentais para a interações sociais.

Também é possível incluir o desenvolvimento de habilidades de conversação, turn-taking e compreensão de regras sociais, que são essenciais para a boa convivência e interações sociais.

Qual é a relação entre a comunicação e o comportamento em crianças com TEA? Como um fonoaudiólogo pode ajudar a reduzir comportamentos desafiadores?

Particularmente é um tema que eu gosto muito, pois a comunicação desempenha um papel fundamental no comportamento de crianças com autismo. Uma vez que possuem dificuldades de se comunicar, levando à frustração e aos comportamentos desafiadores.  

Ajudamos as crianças desenvolvendo as habilidades de comunicação, sejam na forma oral ou não oral (CAA), para que consigam expressar suas necessidades e sentimentos de forma clara e sejam compreendidas.

Ao desenvolvermos essas habilidades no paciente, ele reduz os comportamentos inadequados e desafiadores. Dessa forma, sentindo-se mais capaz de se expressar e ter suas necessidades atendidas, não precisando usar de comportamentos inapropriados.

Nesse momento, precisamos muito do apoio da família, pois a casa é nosso maior  desafio. Uma vez que é o local onde a criança passa maior parte do tempo e já aprendeu a conquistar coisas com o seu comportamento e não com linguagem.

Mas junto com uma equipe multidisciplinar com fonoaudiólogo, psicólogo, agente terapêutico, entre outros, conseguimos alcançar os objetivos.

Com que frequência a criança precisa de acompanhamento fonoaudiológico para alcançar melhorias significativas na comunicação?

Depende das necessidades de cada paciente. Geralmente, as sessões acontecem de 1 a 3 vezes na semana, dependendo da gravidade e da necessidade de cada criança e sua evolução.

Para maiores informações sobre como consultar especialistas pode ajudar no desenvolvimento cognitivo de seus filhos, recomendamos o Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Além disso, aqui no My babe Care é possível acessar os artigos sobre saúde mental, como as entrevistas com o psicólogo sobre TDAH e com a psicóloga sobre a importância do sono para a saúde mental dos bebês.

Mulher branca e loira com blusa de manga preta em um fundo cinza e sorrindo com a cabeça levemente inclinada

Fonoaudióloga

Vanessa do Lago Guimarães

Fonoaudióloga formada pela UFRJ e especialista em Audiologia Clínica, que atende em seu consultório no Rio de Janeiro e realiza atendimentos on-line. Saiba mais acessando o perfil no Instagram @centroreabvanessalago.

Mulher negra sorrindo com cabelos cacheados e blusa com detalhes branco e amarelo

Escrito por

Gabriela Sucupira

Redatora bilíngue, bacharel em Letras pela UFRJ e Especialista em Marketing pela USP/Esalq. Carioca, mãe da Rebeca e consultora textual para o Linkedin.